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segunda-feira, 24 de junho de 2013

No Brasil “família” revisionista (PSTU, CST, PCO, LER), prova de seu próprio “veneno” internacional



Por Liga Bolchevique Internacionalista


A “Primavera Árabe” chegou ao Brasil! Era para ser desta forma exitista que a “família” revisionista integrada por PSTU, CST, PCO, LER e seus papagaios liliputianos deveria saudar os protestos populares que sacodem o país, afinal de contas, “o povo está nas ruas contra os governos e o regime político!”. 

A realidade, porém, não obedeceu ao script ufanista destes filisteus que embriagadamente saudaram os “rebeldes” na Líbia que empunhavam a bandeira da monarquia do rei Idris contra Kadaffi apresentando-os como “revolucionários” e agora pedem armas da OTAN para os mercenários na Síria derrubarem Assad, estabelecendo uma “frente única com todos que querem lutar contra as ditaduras sanguinárias”.

 Definitivamente não é este entusiasmo que vemos nos sites e jornais das correntes políticas citadas acima, ao contrário, os irmãos gêmeos dos “rebeldes” líbios e sírios, que aqui no Brasil empunham bandeiras verde-amarelas e entoam o Hino Nacional nas marchas são acusados em uníssono pela “família” revisionista de fascistas e neonazistas!!! 

Se lá no Oriente Médio e no Magreb africano o arco pseudotrotskista aliou-se a grupos tribais reacionários, seitas islâmicas anticomunistas e a yuppies pró-imperialistas para derrubar governos de corte nacionalista adversários da Casa Branca, da mesma forma como fez unidade com as forças da reação mais encarniçada na Argentina e na Venezuela, aqui no Brasil não está sendo possível formar tal “frente única” porque seus pretensos “aliados” estão os enxotando das ruas e manifestações.

 Longe de apenas festejar a “rebelião popular”, em tom preocupado, o partido-mãe da LIT anuncia que em plena marcha de protesto no Rio de Janeiro o “PSTU sofreu agressões fascistas”. 

Já o PCO, assustado, declara “Fascistas: Eles passarão... se nós deixarmos”. Tais acontecimentos se proliferaram pelo Brasil afora! Como é possível que em meio às marchas multitudinárias que tomam conta do país os pseudotrotskistas que proclamam a todo o momento que uma “onda revolucionária” sacode o planeta venham amedrontados denunciar que suas bandeiras vermelhas são queimadas e seus militantes agredidos? 

A resposta é simples para os marxistas revolucionários que sempre alertamos do completo delírio apregoado por estas verdadeiras seitas. 

Diferente do que nos vendem os revisionistas adeptos da “revolução na esquina”, tragicamente no Brasil ocorre o mesmo fenômeno que vemos na Argentina e na Venezuela, assim como também no chamado Mundo Árabe: presenciamos os efeitos políticos de uma profunda reação ideológica mundial que recrudesceu desde a queda da URSS e do Muro de Berlim, onde milhões são manipulados pelos meios de alienação de massa e direções reacionárias porque carecem de qualquer referência socialista, de uma direção classista e de um programa anticapitalista, abrindo caminho para o fortalecimento de uma tendência política cada vez mais à direita e fascistizante. 

Como a “grande família” encobriu o quanto pôde esta dura realidade, agora prova de seu próprio veneno “internacional” em solo nativo!

O PSTU tratou de chamar seu “dirigente teórico” Valério Arcary para dar uma “explicação” do ocorrido. Em artigo com o emblemático título “Não deixem abaixar as bandeiras vermelhas” ele lamenta ao analisar as marchas: “Não foi tudo progressivo. Apareceram jovens embriagados de nacionalismo, embrulhados na bandeira nacional, e cantando ‘sou brasileiro com muito orgulho e muito amor’. 

O nacionalismo é uma ideologia política perigosa. Só é positivo quando defende o Brasil do imperialismo. Acontece que não parecia que os que cantavam o hino estavam de acordo em exigir a anulação dos leilões de privatização, portanto, de desnacionalização do petróleo do pré-sal. Alguns destes jovens fizeram ainda pior. Avançaram sobre militantes de esquerda e suas bandeiras. 

Atacaram as bandeiras do PSOL, do PCB e do PSTU. Por sorte, não aconteceu uma tragédia...” (sítio da LIT, 23/06). Tais “jovens” que atacaram a “esquerda” acusando-a de “canalha comunista” e que hoje são a maioria esmagadora nas passeatas representam os mesmo interesses políticos e sociais dos “rebeldes” que na Líbia apoiaram a intervenção da OTAN e que o PSTU saudou de “revolucionários”. 

Tanto lá como aqui não defendem a nação atrasada contra a agressão imperialista, ao contrário, arregimentam forças para melhor servir aos interesses do grande capital monopolista, eliminando seus adversários via assassinatos e tortura ou então apoiando os covardes bombardeios da OTAN. 

Por isto soa patética a “queixa” de Valério Arcary, já que seu partido sempre defendeu uma “frente única” com esta escória reacionária! Se a Líbia é distante ou mesmo a Síria, que neste exato momento a LIT conclama escandalosamente a “Exigir de todos os governos capitalistas do mundo, inclusive dos EUA, da Europa e da Liga Árabe, o envio de armamento pesado (tanques, aviões, mísseis antiaéreos, etc.), sem a imposição de qualquer condição, para o Exército Livre da Síria” (sítio LIT, 20/06), vejamos o exemplo de qual a conduta da “família” revisionista na nossa nação vizinha, a Argentina.

No ano passado, os revisionistas do trotskismo mais descarados, como a Izquierda Socialista-UIT (CST no Brasil), participaram entusiasticamente do protesto enquanto seus sócios na FIT (PO e PTS) chamaram um apoio envergonhado ao “cacerolazo” que tomou às ruas de Buenos Aires e outras cidades do país, buscando um passaporte com coloração mais “à esquerda” para ingressar no bloco reacionário formado por Macri e sua coalizão direitista - PRO, De la Sota, De Narváez, ou mesmo a UCR, grupos neonazistas, Igreja conservadora, “sojeros” da Sociedade Rural e da Federação Agrária. 

Os eixos políticos da manifestação foram uma clara resposta da direita à aprovação da limitada “Ley de Medios” no parlamento. Tanto que entre os cartazes erguidos por alinhadas senhoras portenhas podia-se ler “liberdade”, “imprensa livre”, “respeito”, “não à corrupção”, “Cristina renuncie já”, “Abaixo a ditadura K”, ou seja, demandas políticas próprias da alta classe média insuflada por setores burgueses que não estão satisfeitos com o governo de Cristina e suas iniciativas populistas, principalmente devido às medidas como a estatização da YPF, um maior controle institucional dos meios de comunicação, o controle do câmbio e a aprovação da revisão constitucional que permitiu o voto opcional aos dezesseis anos. 

A demonstração de força da direita, que colocou meio milhão nas ruas e agrupou um amplo espectro político em muito se assemelha às “marchas da família com Deus pela liberdade” ocorridas no Brasil contra o governo de João Goulart em 1964 e agora com as manifestações “verde-amarelas” que estão ocorrendo no Brasil pedindo uma “faxina geral” que, no fundo, tem como alvo o governo Dilma, do PT... Qualquer semelhança não é mera coincidência!

Já na Venezuela, todo este arco político defendeu o “Voto Nulo” nas últimas eleições presidenciais, desprezando que uma vitória eleitoral de Capriles sobre Maduro após a morte (assassinato pela CIA) de Chávez significava um fortalecimento da direita fascistizante no continente, que já operou golpes no Paraguay e em Honduras e vem salivando contra os governos da centro-esquerda burguesa.

 No fundo, ao identificar Maduro e Capriles simplesmente como “dois representantes capitalistas” (o que não deixa de ser verdade) a LIT, UIT e seus satélites se negam a dar um combate às forças da reação, as mesmas que agora levantam raivosamente a cabeça no Brasil. 

Como alertamos a época, uma vitória de Capriles seria uma derrota profunda para a vanguarda operária do continente, fortalecendo um eixo político abertamente pró-imperialista que vem ganhando corpo, tendo o apoio explícito da Casa Branca e da mídia “murdochiana” nesta senda reacionária.

 Os revisionistas, paladinos da “revolução árabe” patrocinada pela OTAN que chamaram o “voto nulo” nas eleições venezuelanas, caso fossem coerentes, estariam ao lado de Capriles e suas marchas direitistas contra a suposta fraude da “ditadura chavista”, multimilionário que sem dúvida tem a solidariedade dos fascistas e neonazistas verde-amarelos que hoje atacam a “esquerda” no Brasil.

 O arco revisionista, que simplesmente afirmou ao proletariado venezuelano que Maduro representava as mesmas forças sociais de Capriles, não soube onde enfiar a cabeça diante dos enfrentamentos que ocorreram nas ruas de Caracas e pelo interior do país entre a direita golpista e os militantes do chavismo. Tragicomicamente agora reclamam no Brasil por serem atacados por fascistas do mesmo calibre dos “escualidos” venezuelanos!

Lembremos também que o PSTU apoia as Damas de Branco e a blogueira mercenária Yoani Sanchez contra o regime cubano.
 Alguém tem alguma dúvida que esta escória pró-imperialista é entusiasta dos nazistas e neofacistas no Brasil, que vê com grande simpatia o caráter direitista que vem assumindo as manifestações em nosso país, já que consideram Dilma “negligente” com a “ditadura dos irmãos Castro”? 

Se amanhã esses grupos se levantam em Cuba contra o regime castrista, a LIT e a UIT vão ser os primeiros a saudar os “rebeldes cubanos”.

 Não por acaso, estas duas correntes integraram a “tropa de choque” repugnante com a direita em defesa da mercenária Yoani em sua visita ao Brasil, porque para os morenistas canalhas não importa que a blogueira seja agente da CIA, patrocinada pela SIP, receba gordos salários para atacar a revolução cubana, o importante é que ela ajuda na luta contra a “ditadura totalitária” em Cuba.

 Na época dos protestos no Brasil contra Yoani não vacilaram em sair em defesa da agente oficiosa da Casa Branca, junto com Caiado, Bolsonaro, Aécio e Alckmin, a fina-flor da direita no Brasil, a mesma canalha que hoje junto com a Rede Globo apoia entusiasticamente e patrocina a “jornada cívica” em curso!
 Agora, estes mesmos revisionistas estão decepcionados com a conduta dos apoiadores de seus “aliados” pró-Yoani nas manifestações!!!

A LER-QI, satélite do PTS argentino no Brasil, que vinha cobrindo as passeatas em um tom de triunfalismo, de repente, como seus irmãos revisionistas, se surpreendeu: “Um sentimento apartidário que se dirigia de maneira difusa e pouco consciente contra a política dos partidos burgueses de turno, foi instrumentalizado por setores organizados da direita. Grupos organizados de setores integralistas, neonazistas, e de ultradireita, que atacam homossexuais, negros e militantes da esquerda, que representam uma ínfima minoria dentre os que se manifestaram, se ligaram a outros setores que pediam a redução da maioridade penal, e incitaram uma ação hostil às organizações de esquerda ali presentes, buscando promover um enfrentamento físico” (site LER, 21/6). 

O que a LER não diz é que esses setores “antipartidários” se agrupam não só na direita abertamente fascistizante, mas também entre os apoiadores do “Anonymous” ou mesmos dos “Indignados”, movimentos sempre apresentados pelo PTS argentino, a LIT e a UIT como um fator progressivo nas manifestações europeias. 

Estas correntes saudaram o surgimento mundial do fenômeno dos “indignados”, um movimento de caráter pequeno-burguês avesso à ação direta e aos métodos políticos da classe operária, tanto que a UIT em manchete em seu site declara: “Brasil: Indignados contra o aumento de tarifa de Transporte!!!”. 

Agora que esses setores se somam à reação contra a “esquerda”, os revisionistas tentam encobrir tais fatos, jogando tudo na conta dos neonazistas. 

Longe da conduta antileninista da LER, PSTU e CST que saldaram o fim da URSS como uma “vitória das massas”, não fazemos nenhum fetiche do “autonomismo” e do “espontaneísmo” do movimento de massas, conhecemos o desfecho histórico de mobilizações que acabaram por servir aos interesses da contrarrevolução mundial, como os “massivos” protestos contra o Muro de Berlin, também saudados pelos revisionistas do trotskismo como um “enorme triunfo popular”. 

Se não estivessem sendo hostilizados por estes setores, os revisionistas estavam harmonicamente em aliança com o Acorda Brasil/Gigante Acordou ou mesmo Anonymous/Indganados que desejam por diversas vias derrotar o governo do PT para abrir caminho para a direita golpista ou para um quadro político que favorece a reação e o PIG. 

Longe disso, dizemos que a vanguarda classista e combativa do proletariado não pode manter a menor expectativa política no surgimento do movimento do tipo “Indignados” ou “Anonymous” no Brasil, eles não são nossos aliados “táticos” como afirma o PSTU e a LER, adaptados completamente à OTAN e suas ações criminosas contra os povos e nações oprimidas.

Desde a LBI chamamos a defender todo militante de “esquerda” ou ativista classista atacado pela reação fascista ou “anônima”, mas não reivindicamos a formação de nenhuma “frente única da esquerda” porque com seu programa pró-imperialista os membros da “família” revisionista são de fato aliados dos setores que circunstancialmente os atacam. 

Defender uma frente política significa em primeiro lugar identificar o inimigo comum.
 Este não é o caso do PSTU, CST, LER e nem mesmo do PCO, que estão na mesma barricada da OTAN e da reação imperialista na guerra da Líbia, Síria e Líbano. Estes setores tampouco identificam o “PIG” como um inimigo comum e que está por trás das ações neofascistas.

 O PSTU, também alvo dos anticomunistas, chega ao cúmulo de defender o direito “democrático” dos neofascistas portarem suas bandeiras nas manifestações, afinal de contas são aliados políticos desta escória em Cuba, Argentina, Venezuela e na Síria.

 Como se pode aferir, conformar uma unidade de ação com estes revisionistas, “amigos” da blogueira da CIA nada tem a ver com verdadeira frente única operária defendida por Trotsky, que afirmava que o fascismo deve ser enfrentado com métodos de guerra civil.

 Por esta razão, chamamos os militantes destes partidos que conformam a “família” revisionista no Brasil a tirar as duras lições programáticas das traições de classe de suas organizações políticas, que neste momento provam nas ruas do próprio “veneno” prescrito em sua política internacional!

domingo, 23 de junho de 2013

Na calada dos protestos Brasil sofre ataque especulativo e perde dez bilhões de Dólares de suas reservas cambiais

 
 
Por liga Bolchevique Internacionalista
 

Foram cinco dias que “abalaram as ruas” do país, com protestos multitudinários da juventude na maioria das grandes cidades, também foram cinco dias seguidos de disparada da moeda norte-americana, obrigando o Banco Central (BC) do Brasil a “torrar” cerca de dez bilhões de Dólares para “acalmar” o mercado. 
 
O primeiro fato narrado teve ampla repercussão na mídia “murdochiana”, ocupando integralmente a grade da programação da poderosa Rede Globo, o segundo fato mereceu algumas “notinhas” de fundo de página da imprensa burguesa e absolutamente nenhuma atenção da esquerda em suas raras publicações físicas ou virtuais na internet. 
 
A verdade é que rentistas internacionais tem se aproveitado da crise política por que passa o governo Dilma, forçando uma sobrealta do Dólar no Brasil, atingindo o mesmo patamar alcançado na crise mundial de 2009, em pleno crash financeiro mundial. 
 
O Real está sofrendo uma maxidesvalorização na calada dos protestos sem que aconteça a menor resistência por parte da equipe econômica palaciana. 
 
Ao contrário, a resposta dos tecnocratas do BC tem sido alimentar com Dólares (de nossas reservas cambiais) cada vez mais a sede dos agiotas, o que corresponde a apagar um “incêndio com gasolina”. 
 
A cotação da moeda ianque fechou a semana (21/06) na marca de 2,25 por Real, mesmo após o BC realizar consecutivos leilões de Swap cambial, desfalcando em mais de dez bilhões de dólares as reservas cambiais do Tesouro nacional. 
 
Vale ressaltar que a “gordura” de mais de trezentos bilhões de Dólares em reservas do Tesouro é uma das principais ancoras da estabilidade econômica brasileira, o maior símbolo financeiro dos governos da Frente Popular, que permitiu a enorme expansão de crédito no país. 
 
Atacar esta “fortaleza” do Brasil significa uma aposta dos rentistas internacionais na instabilidade política e crise econômica, gerando uma pressão inflacionária artificial às vésperas das eleições gerais de 2014 e no meio de uma conjuntura altamente explosiva.

Funcionários do capital financeiro, travestidos de “analistas econômicos”, têm declarado na grande mídia que a hipervalorização do Dólar é um processo internacional e que o governo brasileiro nada pode fazer... a não ser “alimentar” a sede voraz do mercado. 
 
Outros “experts” afirmam que o único “remédio” contra a desvalorização do Real é o aumento da taxa de juros, acompanhada de um duro ajuste fiscal que reduza o déficit orçamentário. 
 
Esta corja de tecnocratas mente descaradamente quando receitam a mesma e velha “dieta” neoliberal ao Brasil. 
 
É certo que a economia norte-americana apresenta leves sinais de recuperação, trazendo o debate do fim da política de expansão monetária até então praticada pelo FED. 
 
A verdade é que a “catástrofe” econômica pós-2008 não ocorreu nos EUA, a despeito das projeções da esquerda revisionista, e o Dólar volta a tomar seu lugar de “carro-chefe” (na verdade nunca perdeu seu posto) no mercado cambial do planeta. 
 
Mas isto não significa de modo algum que o Brasil tenha que perder em um único mês cerca de 10% de suas reservas, assistindo “passivo” a um ataque especulativo de tamanhas proporções.

Como já tínhamos denunciado há cerca de uma semana, a direção do BC tem atuado na alta do Dólar como verdadeira agente dos rentistas, zerando alíquotas das aplicações de curto prazo na esperança de atrair investidores do mercado internacional. 
 
As medidas de “subsídios” se mostraram nulas e a hipervalorização do Dólar continua, ameaçando quebrar a barreira histórica dos 2,30. 
 
Não são poucas as vozes dentro do governo Dilma (desgraçadamente também na esquerda “marxista”) que entendem como positiva a perda do poder de compra do Real, afirmam que o “fenômeno” pode beneficiar exportadores do agronegócio (commodities) e reduzir a importação de bens de capital, o que geraria um impacto “positivo” em nossa balança comercial. 
 
Nesta concepção de “colonizado” seria péssimo para o país possuir uma moeda nacional “forte”.

Acontece que com uma moeda subvalorizada obriga ao governo lançar mãos de instrumentos de arrocho fiscal e monetário para equilibrar sua conta em transações correntes, já conhecemos este “filme” na era FHC. 
 
Um país realmente soberano deve sim ter uma política de controle de divisas, estabelecendo as chamadas bandas cambiais com um piso e um teto pré-estabelecido pela autoridade do BC. 
 
Somado a estas medidas o governo deveria confiscar todos os ativos financeiros dos agiotas do mercado que lucram fortunas “apostando” na quebra do país, através do superendividamento mobiliário. 
 
Somente através da completa estatização da banca será possível induzir o país a uma política soberana de desenvolvimento econômico. 
 
Mas este submisso governo do PT sequer elabora um projeto “nacional” de crescimento capitalista (como China e Rússia), seguindo a cartilha do neomonetarismo imposta por Washington. 
 
O resultado concreto é o atraso e reprodução das velhas estruturas semicoloniais, que no máximo permitem uma evolução anual média do PIB na ordem de 3%, “pibinho”.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Carta de um ex-integrante do MPL aos integrantes do MPL



De minha parte, parabéns ao MPL, mas que não cometam os erros do passado...
De "aparência " não partidária, na pratica era dirigido por lideranças da UJS (PCdoB) que traiçoeiramente levaram as lutas do coletivo da juventude estudantil para apoiarem o Esperidião Amin PP camaleão, antiga ARENA (partido oficial da Ditadura Militar).

Bem, em Floripa todos sabemos que os algozes do transporte coletivo e da mobilidade urbana, que incluía o transporte marítimo, é a dinastia do careca que, contrariando a lei maior impediu a licitação publica prevista em 1999.

Desta forma iniciou-se a revolta das catracas com o seu ápice no ano de 2005. Na época eu fazia o curso de Gestão Imobiliária nas Faculdades Energia (FEAN) e cheguei a participar das manifestações no dia de maior repressão.

Ocorre que mais a frente veio a decepção com os encaminhamentos nas eleições municipais que se apresentaram... 

Neste apoio de jaguaras o slogan era:
 

PCdoB e Amin, antiga ARENA 2008


PCdoB apóia Esperidião Amin do PP, antiga ARENA, no segundo turno da eleição à prefeitura de Florianópolis.

Abaixo esta registrado os enfrentamentos com a Policia Militar de Santa Catarina desde o ano 2000

Parte: 2
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Carta de um ex-integrante do MPL aos integrantes do MPL




Há 10 anos, embalados pela faisca dos movimentos contra o aumento das tarifas de transporte em Salvador (Revolta do Buzu) e em Florianópolis (Revolta da Catraca) foi fundado um movimento, composto em sua grande maioria por jovens, que vem abalando algumas cidades brasileiras e ganhando espaço no cenário internacional.

Uma dessas cidades, São Paulo, é o centro nervoso do capitalismo brasileiro e parte dela representa o que há de mais conservador, segregador e elitista na nossa sociedade.

Em 2005, no Fórum Social Mundial, foi realizado a plenária nacional que fundaria a "carta magna" do Movimento Passe Livre (MPL).

Naquela época não havia as redes sociais de hoje, mas já usufruíamos das publicações abertas na Internet do Centro de Mídia Independente assim como de blogs e home-pages: chegamos a formar núcleos em cerca de 30 cidades brasileiras, realizamos três encontros nacionais, produzimos jornais impressos, produzimos livros ("A Guerra da Tarifa", 2004), tivemos "lideranças" presas e ganhamos passe livre em cidades como Florianópolis e Rio de Janeiro.

Floripa naquela época era nossa São Paulo de hoje, e Marcelo Pomar, Matheus de Castro e Leo Vinícius a tríade que conseguia muito bem "mandar obedecendo", a máxima zapatista que vai de encontro ao principio de horizontalidade do MPL.



Hoje, quase 10 anos depois, não mais como um estudante, vivencio ao meus 28 anos um momento histórico que já está sendo denominado de "Revolta do "Vinagre" ou "da Salada", em referência ao vinagre apreendido pela polícia do Alckmin - polícia que carrega no brasão uma estrela em alusão à ditadura militar.

Posso sentir, daqui, o cheiro de gás lacrimogêneo e o barulho das balas de borrachas atiradas covardemente por essa polícia tucana carregada de ranço ditatorial. É desse cheiro de gás, de vinagre..desse incômodo perturbador que essa carta nasce.

Ela não é dirigida a vocês para ser uma espécie de "luz" entre fumaças brancas e os fogos das barricadas; é dirigida a vocês para falar de alguns erros do MPL da nossa época para que se possa "errar melhor".

Há um poeta que diz: "Tente denovo, erre de novo, erre melhor". Conversando com um amigo que foi preso e torturado na ditadura militar, ele me disse algo parecido com a frase desse poeta. Ele, que já passou 8 anos em um presídio por ser um "subversivo", me falou que não deveríamos ter medo de errar: "Alexandre, a sua geração tem o dever de tentar de novo e até errar.

Mas agora não podem e não devem repetir os mesmos erros", me confessou.

Hoje sou psicólogo, continuo no ativismo, mas sinto-me um pouco, como ex-membro do Movimento Passe Livre, numa posição parecida com essa do meu amigo ao ver integrantes do MPL, de 19 anos, dando entrevistas, furando o cerco midiático tão difícil pra gente naquela época e realizando um grande movimento histórico. É de se orgulhar ver, em meio ao nervosismo da voz desses companheiros, a contundência de suas decisões e a firmeza de seus posicionamentos.

Pois bem, estou um pouco por fora da conjuntura do MPL nesse exato momento e nem quero fazer análises que surgem aos montes nesse momento...queria mesmo dizer para não repetirem alguns erros nossos que possibilitaram a dissolução do nosso núcleo daqui. A primeira coisa é: saibam diferenciar os oportunistas e os discursos conservadores que tentam se apropriar do povo na rua.

Desconfiem de quem aparece, de uma hora pra outra, com novas bandeiras como o generalizado "combate à corrupção", de "ódio aos políticos e a política" e coisas do gênero. Tirando os jovens que estão iniciando suas militâncias agora, desconfiem de nacionalismo exacerbado e das figuras que não tem e nunca tiveram próximos de movimentos sociais.

Em tempos de primaveras árabes até a Revista Veja já estampou em sua capa a imagem do "V de Vingança" trazendo implicitamente um discurso conservador e golpista. É contra o conservadorismo e pela revogação do aumento da tarifa que o MPL deve lutar.

Como comentou o colega Marcelo Pomar, agora no seu post na rede social, a pauta é clara:

Por um Transporte Público, Gratuito e de Qualidade; Contra o Estatuto do Nascituro e Redução da maioridade Penal; Pelo direito à Memória, Verdade e Justiça contra os crimes da Ditadura Militar; pela Reforma Agrária e Urbana; pela igualdade ampla e irrestrita entre homens e mulheres; pela livre orientação sexual; e pelos Direitos Humanos contra a barbárie da repressão na cidade, no campo, e contra os indígenas.

Nunca, nunca esqueçam isso...

Não se prendam e se desgastem em disputas internas: agora há pouco vi uma matéria pontuando que o "serviço secreto da PM" havia dito que tal partido recrutava alguns militantes. Uma matéria boba e banal com o único objetivo de partir a unidade que vocês tem conseguido. As disputas são normais e até saudáveis em um movimento, mas não devem ser o foco.

E ninguém mais que vocês mesmos para saberem quais seus reais objetivos. Atentem-se, obviamente para seus princípios, mas não deixem que virem dogmas ou fundamentalismos. Apartidarismo não quer dizer anti-partidarismo: companheiros de partidos são importantes também na luta e na hora que o bicho pega, quando menos se espera, estão ao seu do lado.

Outra coisa: não se apaixonem por si mesmos. A história está sendo redesenhada. Mas acreditem: o difícil é manter a luta depois que a "fumaça baixar"...é ai que reside o verdadeiro desafio da luta revolucionária e dos movimentos sociais.

Por fim, nesse exato momento estou me dirigindo às ruas, daqui de Fortaleza-CE, para participar de uma manifestação em apoio ao ato de vocês e contra a repressão da polícia militar de São Paulo e do Rio de Janeiro. Estamos em solidariedade incondicional ao movimento e, talvez, iniciando uma mobilização de proporções não vistas há muito tempo...Mas essa mobilização deve ser abaixo e à esquerda, deve saber olhar pra trás, não repetir os mesmos erros do passado e sempre pensar: amanhã vai ser maior!

Estamos vencendo!

Fortaleza, 17 de junho de 2013

Alexandre de Albuquerque Mourão (alexzapa) - (Centro de Midia Independente, Coletivo Aparecidos Políticos)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Milícia anticomunista agride e expulsa militante do PCR do ato na Sé. A resposta do movimento deve ser a adoção de um programa socialista diante do esgotamento do regime burguês!



Por Liga Bolchevique Internacionalista

Nesta tarde de 18/06 em mais um ato na Praça da Sé no centro de São Paulo contra o aumento das tarifas de transporte público, um militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) foi agredido e expulso da manifestação por estar erguendo a bandeira vermelha do seu partido. 

A ação de caráter anticomunista partiu de milicianos neofascistas que agora passaram a integrar, em conjunto com policiais infiltrados e provocadores de direita, os protestos nas principais cidades do país.

 Portando bandeiras do Brasil e cartazes contra a presença de organizações de esquerda nas mobilizações, estes milicianos anticomunistas contam com o apoio político do “PIG” que os considera como a ala “pacífica e patriótica” do movimento nacional dos manifestantes. 

A mídia “murdochiana” especialista em fraudar a realidade, não para de tecer elogios ao que já considera a maioria “democrática” das mobilizações, ou seja os neofascistas da classe média que destilam seu ódio de classe a tudo que lhes pareça de esquerda. 

Não por coincidência, o novo garoto propaganda da Globo, o ex-LIBELU Demétrio Magnoli, vociferou nesta mesma noite contra o que considera de “filhotes Chavistas” encastelados nas estruturas de “poder” do Estado brasileiro e em apoio ao antipartidarismo das manifestações que tomaram conta do país.



Diante das provocações da direita golpista, que tenta hegemonizar o movimento, algumas correntes revisionistas, como o PCO, vem defendendo o estabelecimento de uma frente única da esquerda. 

A “proposta” revela antes de mais nada uma grotesca caricatura do que foi a defesa feita por Trotsky da frente única operária contra o fascismo. 

Defender uma frente política significa em primeiro lugar identificar o mesmo inimigo comum, e este não é o caso do PSOL, PSTU e nem mesmo do PCO, que estão na mesma barricada da OTAN e da reação imperialista na guerra da Líbia, Síria e Líbano. 

Estes setores tampouco identificam o “PIG” como um inimigo comum e que está por trás das ações neofascistas. 

O PSTU, também alvo dos anticomunistas, chega ao cúmulo de defender o direito “democrático” dos neofascistas portarem suas bandeiras nas manifestações, afinal de contas são aliados políticos desta escória em Cuba, Venezuela e na Síria. 

Como se pode aferir, conformar uma unidade de ação com estes revisionistas, “amigos” de blogueiras da CIA é de uma completa inutilidade política e nada tem a ver com verdadeira frente única operária defendida por Trotsky, que afirmava que o fascismo deve se enfrentado com métodos de guerra civil.



A alternativa que se coloca para derrotar a direita e as milícias anticomunistas que estão se formando, é a adoção de uma plataforma revolucionária e socialista para o movimento, neste sentido deve ser construída urgentemente uma direção classista, com os melhores ativistas iniciais do Movimento do Passe Livre. 

Dotar este movimento nacional de massas, que se diz “horizontal” de uma direção centralizada é o único caminho para a vitória e o consequente atendimento das reivindicações. 

A via mais curta para a derrota é reproduzir no Brasil as “experiências” dos “Indignados” do estado Espanhol ou do “Occupy” em New York, onde a tônica do apartidarismo foi a via de entrada da direita no movimento.



Apesar de nossas profundas divergências com a trajetória oportunista do PCR, desde a LBI prestamos nossa solidariedade ativa com seus militantes, que devem ser defendidos da sanha fascista, por todos os ativistas da vanguarda classista. 

Este mesmo método de classe deve ser adotado diante de qualquer organização ou coletivo de militantes de esquerda perseguidos pelo Estado burguês ou grupos nazifascistas, sem que esta ação signifique a formação de qualquer bloco ou frente reformista com estes setores.


Passe livre ja!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos nacionais da juventude sem um eixo programático e uma direção classista podem ser canalizados pelo “PIG” para um viés reacionário

 
Por Liga Bolchevique Internacionalista

Como um rastilho de pólvora os protestos da juventude contra o aumento das tarifas dos transportes em São Paulo tomaram conta do país e agora extrapolam em muito a reivindicação da revogação dos "vinte centavos". 

Nesta segunda-feira (17/06) assistimos mobilizações multitudinárias nas principais capitais do Brasil, ainda que sem a mesma "uniformidade" política das "Diretas Já" ou do "Fora Collor", mas sem dúvida foram um canal social onde se desrepresou a camisa de força imposta ao movimento de massas pelas direções burocráticas. 

Como uma reação uníssona as primeiras mobilizações "horizontais" e semi-espontâneas do Movimento Passe-Livre (MPL), formou-se uma ampla frente única, que integrava desde o governo Tucano de Alckmin, passando pelo prefeito Haddad e o PT nacional até chegar ao "PIG" (Partido da Imprensa Golpista) como o "padrinho" deste esdrúxulo bloco, que "batizou" o movimento juvenil das ruas contra o aumento das tarifas como sendo uma expressão de "vândalos e baderneiros". Afinal, o aumento das tarifas de transporte em SP foi decretado em comum acordo entre os governos Petista e Tucano, nada mais "natural" que estivessem "solidários" na repressão violenta aos "baderneiros" apresentados pelo "PIG"como uma "ameaça ao patrimônio público". 

No rastro da frente única reacionária contra o MPL também se perfilaram inicialmente o PCdoB (a prefeitura de SP estava sob o comando de Nádia Campeão no segundo grande ato, em função da viagem de Haddad a Europa) e a chamada "esquerda" petista na figura do ministro da "justiça" Eduardo Cardoso, que ofereceu a ajuda da Policia Federal para a repressão mais "fina" do movimento. 

Mas a potencialidade dos massivos protestos de rua, que assumiram um caráter nacional, produziram no "PIG" o mesmo "fenômeno" ocorrido na campanha pelas diretas em 1984, ou seja "repentinamente" passaram a apoiar os "ex-vândalos", considerados agora como uma "corajosa" juventude que "vai as ruas lutar por seus direitos". 

De uma forma muito similar ao que aconteceu em 84, de repente os atores "globais" passaram a realizar campanhas publicitárias para denunciar a violência da PM, e não mais "desqualificar" os jovens como "baderneiros", a Rede Globo obrigou até mesmo o asqueroso Jabor a fazer "autocrítica" e elogiar os jovens que antes não "valiam nem 0,20 centavos". 

Estava desta maneira rompida, por iniciativa do PIG, a frente única contra os protestos, e o que se viu a partir do dia 17/06 foi um verdadeiro "tsumami" de "rasgados" elogios às mobilizações, desde o governo Dilma (incluindo todo o PT e PCdoB), e até mesmo o fascista Alckmin e seu sinistro secretário de segurança passaram a defender a garantia da "integridade" dos manifestantes. 

No bojo das mobilizações, desde o Facebook (manipulado pela CIA), rapidamente surgiu o movimento "Acorda Brasil", que na "carona" da rebeldia juvenil passou a incluir na "pauta" das reivindicações a "prisão dos mensaleiros e a oposição a PEC 37", bandeiras empunhadas pelos procuradores liderados por Roberto Gurgel.

 Ontem em Brasília a tônica das manifestações esteve focada no Congresso, com muitas bandeiras "verde e amarelas" exigindo uma "faxina geral", o que animou em muito ao "PIG" em declarar que se tratava de um grande movimento "contra a corrupção do governo Dilma", já decretando uma vitoria antecipada da oposição Demo-Tucana nas eleições de 2014.

Desde a LBI fomos a primeira organização marxista a apoiar vigorosamente as mobilizações do MPL em SP, elaborando diante da repressão sofrida a corajosa declaração "Todo apoio aos 'vândalos e baderneiros' do MPL". 

Mas também somos bastante conscientes das limitações e deformações de um movimento que faz apologia do "horizontalismo" e rechaça frontalmente a concepção teórica Leninista. 

É bem verdade que as marchas urbanas contra o aumento das passagens abarcava um universo bem mais amplo do que a própria área social de influência do MPL, catalizavam assim todo um sentimento de ódio contra a opressão da juventude pelo regime burguês. 

Mesmo sem nenhum "carimbo" de "propriedade" ficava evidente que os protestos rejeitavam a presença de partidos em geral, incluindo com mais ênfase os de esquerda, com a justificativa de que nenhuma organização os "representava". 

Não era um bom signo político desde sua gênese, a falta de uma perspectiva revolucionária e socialista para nortear a luta contra a decadência do regime burguês. 

Mas agora a abrangência do movimento extrapolou em muito as próprias "limitações" iniciais do MPL, ganhando uma dinâmica política multiforme em várias cidades do país.

Não faltaram as comparações ufanistas do "Acorda Brasil" com o movimento das "Diretas Já", perto de completar seus trinta anos. 

Mais além dos números( a campanha das diretas chegava a reunir um milhão de pessoas em cada atividade) a realidade da conjuntura era totalmente distinta, a começar pelo papel protagonista das correntes comunistas em cada ato das " Diretas já", onde cada organização de esquerda (sem descriminação das minoritárias como AJS e OQI) era saudada entusiasticamente pelos manifestantes, ao contrário do que ocorre hoje onde até o ultra oportunista PSTU é enxovalhado nas mobilizações (ver link da passeata em Curitiba). 

Como "defesa" dos ataques sofridos nas ruas, o PSTU nos "brinda" com seu manual de democratismo burguês, em um artigo escrito por Eduardo Almeida, onde afirma que é legitimo a todos, inclusive aos "anarquistas e neofascistas", levantar suas "bandeiras", para quem andou defendendo até uma agente da CIA contra o "autoritarismo" de Cuba, deve ser "café pequeno" proteger os "Nazi-mauricinhos" da oposição Tucana presentes em grande número nas passeatas do último dia 17/06. 

A verdade é que o descontentamento da juventude e da população trabalhadora com a democracia dos ricos, expresso soberanamente nas ruas de todo o país, sem a construção de uma direção política classista e de esquerda, pode ser capitalizado facilmente pela direita golpista que já busca arregimentar a classe média reacionária (a mesma que destila ódio de classe contra a esquerda) para hegemonizar os protestos nacionais. 

Seria total ingenuidade de nossa parte esquecer que estamos em pleno ano pré-eleitoral, já com debates bastantes aquecidos sobre a possibilidade de um quarto mandato presidencial para o PT.

Por parte do governo Dilma há uma "surpresa geral" com as manifestações nacionais, oriundas de um setor que recebe pouco "subsídio estatal" se comparado a outros "programas sociais" em pleno curso. 

A juventude proletária (a que realmente utiliza o transporte público) não é majoritária nos protestos, embora marque sua presença em meio a uma mitigação social de jovens de classe média universitária ao lado de desempregados "excluídos" do mercado de consumo tradicional. 

Como sabe que o "estopim" dos protestos teve o seu DNA gerado na prefeitura paulista, a ordem geral do governo agora é "defender a legitimidade das manifestações" e "torcer" para o arrefecimento do movimento. 

O PT está diante de um fenômeno que não enfrentou em seus dez anos de gestão capitalista e, portanto, simplesmente não pode resolver "gerando crédito em bancos estatais" como operou recentemente com o "alvoroço" do Bolsa Família. 

Não existe uma direção centralizada das manifestações que possa ser corrompida como fez com as lideranças do movimento sindical. Também os pelegos "chapa branca" da UNE não podem auxiliar o governo nesta questão, pelo simples fato de estarem "queimados" até a medula com este setor mais "radicalizado" da juventude. 

Sem a existência de interlocutores que possam estabelecer o "diálogo" com os "difusos" manifestantes, só restou ao PT orientar seu prefeito Haddad a recuar temporariamente no aumento da tarifa de ônibus, e esperar com muita cautela que a "abrangência" do movimento nacional não caia nas mãos do "PIG" ou suas colaterais políticas como o "Acorda Brasil" e o "Gigante Despertou".

O movimento operário esteve completamente ausente nestas manifestações contra o aumento das passagens, desde a primeira passeata em São Paulo onde inclusive o sindicato dos metroviários ( dirigido pela CONLUTAS ) "amarelou" ao aceitar um acordo salarial rebaixado às vésperas do primeiro confronto com a PM. 

Com a campanha repressiva (midiática e policial) contra o MPL os sindicatos (CUT, CONLUTAS e CTB) se abstiveram ainda mais da tarefa de estabelecer a necessária solidariedade ativa com o movimento. Ao contrário do que ocorre na Turquia onde foi convocada uma greve geral em apoio aos manifestantes da "Praça Taksim" em oposição à brutal repressão desferida pelo governo Erdogan, no Brasil nenhum sindicato ou central mobilizou suas bases para denunciar a dupla de governadores fascistas Alckmin&Cabral responsáveis por ferir e prender centenas de ativistas. 

O resultado foi que o próprio "PIG" resolveu posar midiaticamente de protetor dos jornalistas "baleados e encarcerados", lavando a cara dos que tinham antes difundido a versão contra os "bárbaros depredadores do patrimônio público".

 Os Trotsquistas não fazemos nenhum fetiche do "autonomismo e do espontaneismo" do movimento de massas, conhecemos o desfecho histórico de mobilizações que acabaram por servir aos interesses da contrarrevolução mundial, como os "massivos" protestos contra o muro de Berlin. 

Com a chamada "primavera árabe" a burguesia mundial ganhou um"Know-how" adicional em desviar grandes protestos populares para o campo político do imperialismo, no Brasil não seria muito difícil manobrarem da mesma maneira, contando com o elemento político da ausência de uma direção revolucionária. 

Com absoluta certeza estamos muito distantes de atravessar no país uma genuína "rebelião de massas", como tentam passar os revisionistas mais afoitos, as atuais mobilizações nacionais sequer superam politicamente o caráter democrático burguês da campanha das "Diretas Já" (para os revisionistas teria sido uma "revolução"). 

O "jogo" ainda está aberto e a dinâmica política dos atuais protestos ainda não está definida. Cabe à vanguarda proletária intervir no processo com um eixo programático bem definido, ou seja lutamos ao lado da juventude oprimida contra este regime bastardo, mas somente na perspectiva do socialismo revolucionário, sem fazer a mínima concessão a supostas alternativas "democráticas" de direita. 

Não devemos estabelecer o menor apoio político a campanhas do tipo de "ética na política" ou "faxina geral", slogans que servem como luva aos barões PIG e seus representantes da "oposição" Demo-Tucana.

 

sábado, 15 de junho de 2013

Todo apoio aos “vândalos e baderneiros” do MPL! Solidariedade aos presos políticos dos governos Alckmin/Haddad!



Por Liga Bolchevique Internacionalista


Nos últimos dias a capital paulista está sendo palco de massivos protestos populares contra o aumento da passagem de ônibus. 

À frente das marchas estão em sua maioria estudantes e ativistas ligados ao Movimento pelo Passe Livre (MPL). A PM do governador Alckmin e a Guarda Municipal do prefeito Haddad estão reprimindo duramente as manifestações, que já contabilizam mais de vinte presos políticos.

 A justiça burguesa impôs uma fiança de 20 mil reais para uma parte dos companheiros detidos por se manifestar contra mais este ataque às condições de vida dos trabalhadores e do povo pobre, outros dez companheiros sequer tem este “direito”!

 Em uníssono, a burguesia, seus meios de alienação de massa tendo como ponta de lança a Rede Globo e os governos burgueses do PT e PSDB, vem acusando os manifestantes de “vândalos e baderneiros” porque para se defenderem dos ataques do aparato de repressão (que disparam centenas de bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, além de dar bordoadas com cassetetes) fazem barricadas com lixo, fecham ruas e reagem como podem à repressão policial! 

Desde a LBI e da Juventude Bolchevique publicamente prestamos todo nosso apoio incondicional aos “vândalos e baderneiros” do MPL e afirmamos claramente que a luta contra o aumento das passagens no transporte coletivo deve se radicalizar ainda mais e se unificar nacionalmente com os companheiros do Rio de Janeiro, Goiânia e Natal para vencer os empresários e seus governos de “direita” e “esquerda”. 

Neste momento, o conjunto do movimento popular, sindical e estudantil que não está cooptado pelas verbas estatais deve se unificar em solidariedade aos presos políticos dos governos Alckmin/Haddad acusados de danos ao patrimônio e formação de quadrilha, organizando um ato nacional em defesa dos companheiros encarcerados e pelo passe livre já!

A cada dia que as manifestações crescem, ganhando a simpatia da população extorquida com o aumento, a mídia venal e os governos burgueses atacam os lutadores, para isolá-los e derrotá-los.

 O fascitoide Alckmin (PSDB), membro da Opus Dei e que vai galgando rapidamente o posto de homem forte da direita nacional no Brasil, declarou ser “intolerável a ação dos baderneiros e vândalos destruindo o patrimônio público, eles devem pagar por isso” (G1, 12/06). 

Mas não só o tucanalha destilou seu ódio de classe contra os manifestantes. O prefeito Haddad (PT) logo reforçou sua cantilena reacionária dizendo: “Eu disse e repito que não vou dialogar em uma situação de violência, falei várias vezes. 

A renúncia à violência é pressuposto ao diálogo” (Idem). As declarações foram dadas após a apresentação em Paris, na França, da candidatura de São Paulo para sediar a Expo 2020, onde ambos estão unidos para “vender” o país para as transnacionais imperialistas e aprofundar as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPPs).

 Em São Paulo, a prefeita em exercício da capital, Nádia Campeão, do PCdoB, mesmo partido que dirige a UNE e a UBES também atacou os estudantes que protestam contra o aumento: “Acho que, depois dos acontecimentos nessas três manifestações, a vontade dos manifestantes não é dialogar. 

Os métodos utilizados afastam o diálogo, não aproximam. Não podemos aceitar que o objetivo seja criar transtorno. 

O diálogo nessas condições não é possível” (Ibdem). Como se vê, todo espectro político burguês se unificou contra as manifestações justamente porque defendem os interesses dos empresários dos transportes, suas campanhas eleitorais milionárias no circo da democracia dos ricos foram bancadas pelos consórcios capitalistas. 

Agora, Alckmin, Haddad e Nádia, não fazem mais de devolver o “investimento” destes tubarões, que auferem lucros astronômicos enquanto o povo pobre se locomove em ônibus lotados e sucateados, além de impor arrocho salarial a motoristas e cobradores!

O que estamos vendo nas ruas de São Paulo e em outras capitais do país é a luta direta contra os ataques às condições de vida do povo pobre e da juventude explorada. 

Por isto, as barricadas, queimas de ônibus, pichações e ateamento de fogo no lixo nas ruas para impedir o avanço policial é um método legítimo de autodefesa dos oprimidos e lutadores. A lenga-lenga sobre a “destruição do patrimônio público” vindo da boca dos governos do PSDB e PT só pode ser uma piada de mau gosto. 

Seus gerentes no município, estado e em nível federal são responsáveis de entregar várias estatais e empresas públicas (Vale, Telebrás, CSN...), estradas, portos, aeroportos e o petróleo para as transacionais e os grupos privados a preço de banana ou ainda com o subsídio de bancos públicos como a Nossa Caixa (hoje “Agência Desenvolve SP”), BB e BNDES.

 O que está em jogo é luta pela sobrevivência dos trabalhadores e do povo pobre! Nesse sentido, os lutadores devem usar os métodos mais radicalizados possíveis para que possam de defender da repressão e avançar no combate nas ruas, já que historicamente são as barricadas e o uso da violência revolucionária que impõem a vitória dos explorados sobre o poder burguês, que usa sua “democracia” dos cassetetes e balas de borracha para impor a “ordem”... tão bem zelada pelos seus gerentes de plantão.

É preciso em particular denunciar firmemente o PT e o PCdoB que nas eleições se dizem contra o “avanço da direita”, mas que ao assumirem os governos não fazem mais do que aplicar seus planos “neoliberais”. 

A UNE e a UBES, controlada por estes partidos e que cinicamente acaba de publicar uma nota em que “condena aumento das passagens em SP e violência contra manifestantes”, não diz uma palavra sobre o papel abertamente patronal de seus dirigentes partidários a frente da prefeitura de São Paulo. 

Por isto, no fundo, criticam os “exageros” das manifestações e acaba por indiretamente se somar ao discurso reacionário contra os “vândalos e baderneiros” proferido por Alckmin, este sim o chefe da quadrilha tucana encastelada no Palácio dos Bandeirantes! 

Lembremos que os manifestantes são acusados dos crimes de dano ao patrimônio e formação de quadrilha, “delitos” que superam os quatro anos de pena! 

Dos vinte manifestantes presos na noite desta terça-feira, dez companheiros vão responder por dano ao patrimônio e formação de quadrilha, que não prevê sequer fiança, enquanto a justiça arbitrou o valor astronômico de 20 mil reais para os demais ativistas. 

Eles devem ser transferidos nesta manhã do 78º Distrito Policial, nos Jardins, para o 2º DP, no Bom Retiro, onde aguardarão transferência para um Centro de Detenção Provisória (CDP). 

O Ministério Público de São Paulo, controlado pelo PSDB, o mesmo que pediu a prisão dos estudantes que ocuparam a reitoria da USP, informou que “irá instaurar inquérito civil público contra os responsáveis pelo quebra-quebra na capital durante os protestos.

 A Promotoria pretende identificar e responsabilizar legalmente os manifestantes que depredaram patrimônios públicos e privados e causaram congestionamentos” em mais um ataque aberto aos lutadores.

O MPL já programou um novo protesto para esta quinta-feira, 13 de junho, com concentração em frente ao Teatro Municipal na Praça Ramos. Desde a LBI e a Juventude Bolchevique chamamos o conjunto dos sindicatos classistas, o MST, MTST e as entidades populares comprometidas com a luta dos trabalhadores e do povo pobre a se somarem ao protesto, tomando as ruas da capital paulista.

 Prestamos publicamente todo nosso apoio incondicional aos “vândalos e baderneiros” do MPL e defendemos claramente que a luta contra o aumento das passagens no transporte coletivo deve se radicalizar ainda mais e se unificar nacionalmente com os companheiros do Rio de Janeiro, Goiânia e Natal para vencer os empresários e seus governos de “direita” e “esquerda”.

 Neste momento, o conjunto do movimento popular, sindical e estudantil que não está cooptado pelas generosas verbas estatais deve se unificar em solidariedade aos presos políticos dos governos Alckmin/Haddad acusados cinicamente de danos ao patrimônio e formação de quadrilha, organizando um ato nacional em defesa dos companheiros e pelo passe livre já, como um passo concreto para realizar um encontro nacional dos lutadores contra o aumento das passagens em ônibus, trem, metrôs e vans, para organizar e centralizar o combate aos governos estaduais, municipais e os grandes tubarões do transporte privado. 

Caso contrário, por falta de perspectivas, a combatividade latente das massas pode dispersar-se e perder o ímpeto. 

Defendemos, portanto, que se fortaleça a luta contra o aumento, já em vigor, impulsionando novas mobilizações com um eixo claro de combate: redução das tarifas, passe-livre já e estatização de todo o sistema de transporte coletivo sob controle dos trabalhadores.

 Só assim as lutas dos explorados não serão em vão, na medida em que tomem em suas mãos o gerenciamento e organização dos transportes. 

O passe-livre e um transporte público de qualidade para o povo trabalhador só será conquistado através da sua luta tenaz com o objetivo de estatizar sob seu controle direto todo o sistema de transporte, assim como os serviços públicos, para extinguir sua tarifa e tornar melhor suas condições de uso. 

Enquanto suas concessões estiverem reservadas a empresários em conluio com agentes da administração estatal, o caos e os péssimos serviços nos transportes tenderão a se agravar. 

É preciso impor a imediata redução da tarifa, até a conquista do passe-livre, assim como exigir a imediata libertação de todos os presos políticos lutadores contra o aumento das passagens, o que coloca na ordem do dia a paralisação das escolas e universidades, o fortalecimento das marchas nos centro das grandes cidades e nas periferias.