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sábado, 2 de abril de 2016

DEPOIS DE DESTRUIR NOSSO PRESENTE, O PT QUER ROUBAR-NOS O FUTURO.

EM 26 DE AGOSTO DE 1999 A ESQUERDA QUE HOJE GEME COM O IMPEACHMENT QUERIA A SAÍDA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. O LEMA ERA: FORA JÁ! FORA JÁ DAQUI, O FHC E O FMI!!


Grande Celso, sintetizou tudo sobre a hipinose golpista dos petrolão e a farsa petista.

De fato, na era Collor de Melo o impeachment não era considerado golpe porque está previsto na constituição como uma arma letal popular, jurídica e política. Logo a seguir houve uma tentativa de provocar o impeachment de Fernando Henrique Cardoso, político este que eu havia votado em 1978 e também fui cabo eleitoral nos anos 80 durante as eleições para a prefeitura de São Paulo. Em 1999 participei da marcha dos 100 mil como militante do PSTU e tentamos derrubá-lo (injustamente) e faço aqui uma mea culpa... O impeachment não era golpe, era de fato um ferramenta importante que sintetizava a democracia, mas hoje o PT a demoniza taxando-a de Golpe. Golpe é o fiafó do capeta que peida e caga fedido e os petistas amam...

Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor
O jornalista, sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli é um dos autores independentes que a parcela autoritária da nossa esquerda (cujo vezo stalinista se mantém até hoje) sataniza e desqualifica por não ter cafife intelectual para confrontá-los no campo das ideias. 

Como faço questão de manter-me bem longe dessa mentalidade de torcidas organizadas do futebol, leio sempre a coluna do Magnoli, às vezes concordando, outras discordando. Seus piores textos, pelo menos, estimulam-me a refletir sobre tendências e acontecimentos importantes. Já do samba de uma nota só dos blogueiros chapa-branca, cujo trabalho tem caráter meramente propagandístico (apoiam o governo até mesmo quando ele adere ao neoliberalismo!), nada se aproveita.

Vou ser sempre grato ao Magnoli pela tunda de fazer dó (vide aqui) que aplicou no Mino Carta, uma das maiores farsas paparicadas pela esquerda que virou suco, o homem que bajulava Médici e ajudou Berlusconi a perseguir Battisti.

Neste sábado (2), ele nos oferece uma análise irrepreensível do porquê de o PT estar estuprando gritantemente a verdade e difundindo uma versão fantasista, digna de Goebbels, acerca do impedimento de Dilma Rousseff pelas vias constitucionais. 

Os papalvos que engolem a patranha do golpe e a ecoam nesciamente por aí, não estão sequer participando de uma última tentativa de salvar o mandato da presidente, pois este se encontra além de qualquer possibilidade de salvação.

Estão, isto sim, ajudando o PT no propósito de manter-se como força hegemônica da esquerda mesmo depois do desastre atual

Ou seja, após engendrar a pior recessão brasileira de todos os tempos, sacrificando miseravelmente os explorados, excluídos e o povo em geral, além de enlamear a imagem da esquerda como nunca dantes ela fora emporcalhada neste país, o PT ainda quer abortar o processo de crítica e autocrítica que sobrevém às grandes derrotas, para a necessária definição de novos rumos e posturas.

Já destruiu nosso presente e quer roubar-nos o futuro.

Para quem ainda ousa pensar com a própria cabeça, ao invés de seguir a manada, é um texto obrigatório.

O GOLPE DO "GOLPE"
.
Por Demétrio Magnoli
O kirchnerismo caiu numa disputa eleitoral. Derrotas nas urnas são contingências normais do jogo político. O lulopetismo encara a perspectiva de uma catástrofe: a humilhação histórica de um impeachment sustentado pela maioria esmagadora da população. É diante desse abismo que seus dirigentes formularam a narrativa do golpe

Ela não se destina a salvar o mandato agonizante de Dilma Rousseff, mas a resgatar os responsáveis pelo desastre. "Golpe" é a palavra escolhida para hipnotizar a base militante petista no pós-Dilma, congelando o debate interno e salvando a liderança política de Lula.

Os dirigentes petistas não são néscios. Eles não acalentam a pretensão exorbitante de persuadir a sociedade com o conto de um "golpe" que segue a Constituição e as leis, num processo definido milimetricamente pelo STF. 

Da mesma forma, sabiam que a ofensiva na imprensa internacional, por meio de entrevistas de Dilma e Lula de denúncia do "golpe", provocaria irônica perplexidade entre os correspondentes estrangeiros. Foi pior que o 7 a 1: o governo brasileiro e, por extensão, o próprio país, converteram-se em objeto de piada e escárnio. Mas isso estava na conta. É uma prestação a pagar pelo objetivo maior.

Um quarto de século atrás, combativos parlamentares do PT clamavam pelo impeachment de Collor argumentando que a legitimidade das urnas não colocava o presidente acima da ordem legal. Se houvesse hoje um golpe em curso, Dilma recorreria à Constituição para abortá-lo, invocando perante o Congresso a necessidade de decretação do estado de sítio. 

Mas, como o "golpe" não é golpe, a presidente nada solicitou aos parlamentares que se preparam para apeá-la legalmente. O público-alvo da lenda do "golpe" é a área de influência do PT. Os militantes não precisam acreditar na cantiga de ninar. Basta que a assumam como benevolente autoilusão: um truque capaz de aplacar as angústias de quem acompanhou uma trajetória de degradação política e ética.

O governo foi escorraçado pela nação, experimentando o desprezo do povo, o abandono dos empresários, a traição de uma elite política que compartilhava o poder. Essa narrativa sobre o encerramento melancólico do longo ciclo de poder do PT solicitaria uma implacável revisão crítica interna. Seria preciso identificar erros de natureza política, ideológica e metodológica, para começar outra vez, sobre um mármore limpo. Como aconteceu com veneráveis partidos europeus, a refundação implicaria uma renovação na cúpula dirigente. O "golpe" nasceu para cortar essa hipótese pela raiz. É uma narrativa que serve aos interesses de Lula, mas sabota o futuro do PT.

Desde a redemocratização, quase todas as correntes de esquerda no Brasil assumiram posições à sombra do guarda-chuva de Lula. O controle lulista sobre a esquerda acentuou-se nos mandatos do ex-presidente, que lançou mão de financiamentos oficiais indiretos para subordinar os chamados "movimentos sociais" ao Palácio. 

Contudo, nos últimos anos, sob os impactos dos escândalos de corrupção e do esgotamento das políticas de estímulo ao consumo, fragmentos da esquerda (como o Psol e o MTST) adquiriram autonomia, esboçando desafios à hegemonia lulista. A segunda finalidade da farsa do "golpe", que complementa a primeira, é restabelecer uma ordem abalada.

A narrativa de um governo que fracassou politicamente depois de se associar ao alto empresariado numa vasta trama de corrupção serve como bandeira para reaglutinações da esquerda longe da sombra de Lula. Já a narrativa do "golpe das elites" contra o "governo popular" congela os movimentos de ruptura, reinserindo-os na órbita lulista. 

O golpe do "golpe" tem a função de estender o regime de servidão voluntária da esquerda para além da queda de Dilma. Nesse sentido, funciona, como se viu nos atos "contra o golpe" do 31 de março.

sexta-feira, 25 de março de 2016

"DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!" É UMA POSTURA IRRESPONSÁVEL E PERIGOSA


Dando um pitaco no texto do Jornalista Celso Lungaretti

O gramscismo tanto defendido pela Teologia da Libertação, por Paulo Freire e por conseguinte o próprio PT, tem como pano de fundo a chamada revolução passiva... Mas peraí (sic), passiva? Onde? Somente nesses mesmos 13 anos de governo petista o Brasil vivencia convenientemente com a cifra genocida de mais de 600 mil assassinatos de jovens e adultos, muitos desses por motivos torpes e outros por consequência do próprio modelo de desenvolvimento social e econômico enganador que abomina a revolução direta contra as "forças armadas" (o exercito da burguesia) mas que produz praticamente o triplo de mortes produzidas nos 5 anos de guerra na Síria. Recentemente (nesta semana) o líder Sérvio foi condenado há 40 anos de prisão pelo genocídio de alguns milhares (se comparado com o governo petista) e aqui os governantes ainda lutam demagogicamente pela permanência no poder a qualquer custo, inclusive sugerindo e incentivando seus seguidores ao enfrentamento de rua, além de agredirem publicamente o pavilhão nacional (nossa querida bandeira), numa afronta covarde por estarem governo... Enfim, diferentemente do jornalista Celso Lungaretti (autor do texto abaixo), eu gostaria (sinceramente) de ver o bicho pegar para liquidar de vez essa fatura insana produzida pelos petistas que, até então estão se mostrando impatrióticos e até fascistas...

Por Celso Lungaretti

O destino fez uma piada cruel com o Partido dos Trabalhadores: 13, seu número nas eleições, será também a quantidade de anos que vai durar sua permanência na Presidência da República, pelo menos desta vez. Haverá outra(s)? É uma incógnita. 

Mas, para ter algum futuro, seus dirigentes precisam começar a agir com serenidade e discernimento. Dou de graça algumas dicas:

1. O governo de Dilma Rousseff chega melancolicamente ao fim e nada justifica, neste momento, o incentivo à violência. Chega de desafiar os outros Poderes com bravatas histéricas, como se a aposta no caos pudesse ser tábua de salvação! Chega de lançar acusações panfletárias a torto e a direito, como se a queda se devesse a ilegalidades jurídicas e conspirações midiáticas! O que fez a grande maioria dos brasileiros se voltar contra o PT foi uma gestão econômica desastrosa, que redundou na nossa pior recessão de todos os tempos; e foram os maiores escândalos de corrupção de que o povo até hoje  tomou amplo conhecimento. O resto não passou de previsível detalhe (dos inimigos só podemos esperar o aproveitamento das oportunidades que lhes oferecermos de mão beijada, temos mais é de não facilitar a tal ponto as coisas para eles!);

2. Ao preferir a demagogia delirante ao humilde reconhecimento dos erros cometidos, o PT está sendo extremamente nocivo aos trabalhadores que deveria priorizar acima de tudo e ingrato com o povo que o levou ao poder. A postura de depois de mim, o dilúvio! pode, de um lado, redundar em novo golpe militar, caso haja convulsão social e esta ameace sair do controle das autoridades; do outro, inviabilizar o governo que vier a estabelecer-se, com a óbvia consequência de prolongar e até fazer aumentar o sofrimento dos explorados e excluídos, cada vez mais vergastados pela penúria e o desemprego;

3. Ao queimar seus últimos cartuchos na tentativa (visivelmente fadada ao fracasso) de evitar o afastamento de Dilma, o PT está optando por legar aos brasileiros apenas uma contundente derrota. Caso parasse de enganar a si próprio e aos que nele ainda acreditam, poderia usar a influência que lhe resta para favorecer a hipótese mais digna de saída da crise atual --a realização de nova eleição presidencial. Mas, parece nem sequer cogitar a possibilidade de erguer a única bandeira capaz de unificar o povo neste momento de desespero e desencanto. É mais um exemplo da estreiteza de visão e falta de grandeza que o conduziram à derrocada atual. 

Finalmente, à esquerda lembro que batalhas decisivas só devemos travar quando o que está em jogo é o destino de uma revolução. Não sendo este, nem de longe, o quadro com que hoje nos defrontamos, devemos evitar o emocionalismo e manter a clareza de raciocínio. 

Ficarmos identificados com um governo que está caindo de podre só dificultará o reagrupamento das nossas forças e o resgate da nossa credibilidade (as difíceis tarefas que nos aguardam adiante).

Se a pedra rolou do topo da montanha, temos de entender por que isto aconteceu, cuidando de não voltarmos a cometer os mesmos erros. 

E tentarmos outra vez. Tantas quantas forem necessários para darmos um fim à exploração do homem pelo homem!