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sábado, 2 de abril de 2016

DEPOIS DE DESTRUIR NOSSO PRESENTE, O PT QUER ROUBAR-NOS O FUTURO.

EM 26 DE AGOSTO DE 1999 A ESQUERDA QUE HOJE GEME COM O IMPEACHMENT QUERIA A SAÍDA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. O LEMA ERA: FORA JÁ! FORA JÁ DAQUI, O FHC E O FMI!!


Grande Celso, sintetizou tudo sobre a hipinose golpista dos petrolão e a farsa petista.

De fato, na era Collor de Melo o impeachment não era considerado golpe porque está previsto na constituição como uma arma letal popular, jurídica e política. Logo a seguir houve uma tentativa de provocar o impeachment de Fernando Henrique Cardoso, político este que eu havia votado em 1978 e também fui cabo eleitoral nos anos 80 durante as eleições para a prefeitura de São Paulo. Em 1999 participei da marcha dos 100 mil como militante do PSTU e tentamos derrubá-lo (injustamente) e faço aqui uma mea culpa... O impeachment não era golpe, era de fato um ferramenta importante que sintetizava a democracia, mas hoje o PT a demoniza taxando-a de Golpe. Golpe é o fiafó do capeta que peida e caga fedido e os petistas amam...

Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor
O jornalista, sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli é um dos autores independentes que a parcela autoritária da nossa esquerda (cujo vezo stalinista se mantém até hoje) sataniza e desqualifica por não ter cafife intelectual para confrontá-los no campo das ideias. 

Como faço questão de manter-me bem longe dessa mentalidade de torcidas organizadas do futebol, leio sempre a coluna do Magnoli, às vezes concordando, outras discordando. Seus piores textos, pelo menos, estimulam-me a refletir sobre tendências e acontecimentos importantes. Já do samba de uma nota só dos blogueiros chapa-branca, cujo trabalho tem caráter meramente propagandístico (apoiam o governo até mesmo quando ele adere ao neoliberalismo!), nada se aproveita.

Vou ser sempre grato ao Magnoli pela tunda de fazer dó (vide aqui) que aplicou no Mino Carta, uma das maiores farsas paparicadas pela esquerda que virou suco, o homem que bajulava Médici e ajudou Berlusconi a perseguir Battisti.

Neste sábado (2), ele nos oferece uma análise irrepreensível do porquê de o PT estar estuprando gritantemente a verdade e difundindo uma versão fantasista, digna de Goebbels, acerca do impedimento de Dilma Rousseff pelas vias constitucionais. 

Os papalvos que engolem a patranha do golpe e a ecoam nesciamente por aí, não estão sequer participando de uma última tentativa de salvar o mandato da presidente, pois este se encontra além de qualquer possibilidade de salvação.

Estão, isto sim, ajudando o PT no propósito de manter-se como força hegemônica da esquerda mesmo depois do desastre atual. 

Ou seja, após engendrar a pior recessão brasileira de todos os tempos, sacrificando miseravelmente os explorados, excluídos e o povo em geral, além de enlamear a imagem da esquerda como nunca dantes ela fora emporcalhada neste país, o PT ainda quer abortar o processo de crítica e autocrítica que sobrevém às grandes derrotas, para a necessária definição de novos rumos e posturas.

Já destruiu nosso presente e quer roubar-nos o futuro.

Para quem ainda ousa pensar com a própria cabeça, ao invés de seguir a manada, é um texto obrigatório.

O GOLPE DO "GOLPE"
.
Por Demétrio Magnoli
O kirchnerismo caiu numa disputa eleitoral. Derrotas nas urnas são contingências normais do jogo político. O lulopetismo encara a perspectiva de uma catástrofe: a humilhação histórica de um impeachment sustentado pela maioria esmagadora da população. É diante desse abismo que seus dirigentes formularam a narrativa do golpe. 

Ela não se destina a salvar o mandato agonizante de Dilma Rousseff, mas a resgatar os responsáveis pelo desastre. "Golpe" é a palavra escolhida para hipnotizar a base militante petista no pós-Dilma, congelando o debate interno e salvando a liderança política de Lula.

Os dirigentes petistas não são néscios. Eles não acalentam a pretensão exorbitante de persuadir a sociedade com o conto de um "golpe" que segue a Constituição e as leis, num processo definido milimetricamente pelo STF. 

Da mesma forma, sabiam que a ofensiva na imprensa internacional, por meio de entrevistas de Dilma e Lula de denúncia do "golpe", provocaria irônica perplexidade entre os correspondentes estrangeiros. Foi pior que o 7 a 1: o governo brasileiro e, por extensão, o próprio país, converteram-se em objeto de piada e escárnio. Mas isso estava na conta. É uma prestação a pagar pelo objetivo maior.

Um quarto de século atrás, combativos parlamentares do PT clamavam pelo impeachment de Collor argumentando que a legitimidade das urnas não colocava o presidente acima da ordem legal. Se houvesse hoje um golpe em curso, Dilma recorreria à Constituição para abortá-lo, invocando perante o Congresso a necessidade de decretação do estado de sítio. 

Mas, como o "golpe" não é golpe, a presidente nada solicitou aos parlamentares que se preparam para apeá-la legalmente. O público-alvo da lenda do "golpe" é a área de influência do PT. Os militantes não precisam acreditar na cantiga de ninar. Basta que a assumam como benevolente autoilusão: um truque capaz de aplacar as angústias de quem acompanhou uma trajetória de degradação política e ética.

O governo foi escorraçado pela nação, experimentando o desprezo do povo, o abandono dos empresários, a traição de uma elite política que compartilhava o poder. Essa narrativa sobre o encerramento melancólico do longo ciclo de poder do PT solicitaria uma implacável revisão crítica interna. Seria preciso identificar erros de natureza política, ideológica e metodológica, para começar outra vez, sobre um mármore limpo. Como aconteceu com veneráveis partidos europeus, a refundação implicaria uma renovação na cúpula dirigente. O "golpe" nasceu para cortar essa hipótese pela raiz. É uma narrativa que serve aos interesses de Lula, mas sabota o futuro do PT.

Desde a redemocratização, quase todas as correntes de esquerda no Brasil assumiram posições à sombra do guarda-chuva de Lula. O controle lulista sobre a esquerda acentuou-se nos mandatos do ex-presidente, que lançou mão de financiamentos oficiais indiretos para subordinar os chamados "movimentos sociais" ao Palácio. 

Contudo, nos últimos anos, sob os impactos dos escândalos de corrupção e do esgotamento das políticas de estímulo ao consumo, fragmentos da esquerda (como o Psol e o MTST) adquiriram autonomia, esboçando desafios à hegemonia lulista. A segunda finalidade da farsa do "golpe", que complementa a primeira, é restabelecer uma ordem abalada.

A narrativa de um governo que fracassou politicamente depois de se associar ao alto empresariado numa vasta trama de corrupção serve como bandeira para reaglutinações da esquerda longe da sombra de Lula. Já a narrativa do "golpe das elites" contra o "governo popular" congela os movimentos de ruptura, reinserindo-os na órbita lulista. 

O golpe do "golpe" tem a função de estender o regime de servidão voluntária da esquerda para além da queda de Dilma. Nesse sentido, funciona, como se viu nos atos "contra o golpe" do 31 de março.

sexta-feira, 25 de março de 2016

"DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!" É UMA POSTURA IRRESPONSÁVEL E PERIGOSA


Dando um pitaco no texto do Jornalista Celso Lungaretti

O gramscismo tanto defendido pela Teologia da Libertação, por Paulo Freire e por conseguinte o próprio PT, tem como pano de fundo a chamada revolução passiva... Mas peraí (sic), passiva? Onde? Somente nesses mesmos 13 anos de governo petista o Brasil vivencia convenientemente com a cifra genocida de mais de 600 mil assassinatos de jovens e adultos, muitos desses por motivos torpes e outros por consequência do próprio modelo de desenvolvimento social e econômico enganador que abomina a revolução direta contra as "forças armadas" (o exercito da burguesia) mas que produz praticamente o triplo de mortes produzidas nos 5 anos de guerra na Síria. Recentemente (nesta semana) o líder Sérvio foi condenado há 40 anos de prisão pelo genocídio de alguns milhares (se comparado com o governo petista) e aqui os governantes ainda lutam demagogicamente pela permanência no poder a qualquer custo, inclusive sugerindo e incentivando seus seguidores ao enfrentamento de rua, além de agredirem publicamente o pavilhão nacional (nossa querida bandeira), numa afronta covarde por estarem governo... Enfim, diferentemente do jornalista Celso Lungaretti (autor do texto abaixo), eu gostaria (sinceramente) de ver o bicho pegar para liquidar de vez essa fatura insana produzida pelos petistas que, até então estão se mostrando impatrióticos e até fascistas...

Por Celso Lungaretti

O destino fez uma piada cruel com o Partido dos Trabalhadores: 13, seu número nas eleições, será também a quantidade de anos que vai durar sua permanência na Presidência da República, pelo menos desta vez. Haverá outra(s)? É uma incógnita. 

Mas, para ter algum futuro, seus dirigentes precisam começar a agir com serenidade e discernimento. Dou de graça algumas dicas:

1. O governo de Dilma Rousseff chega melancolicamente ao fim e nada justifica, neste momento, o incentivo à violência. Chega de desafiar os outros Poderes com bravatas histéricas, como se a aposta no caos pudesse ser tábua de salvação! Chega de lançar acusações panfletárias a torto e a direito, como se a queda se devesse a ilegalidades jurídicas e conspirações midiáticas! O que fez a grande maioria dos brasileiros se voltar contra o PT foi uma gestão econômica desastrosa, que redundou na nossa pior recessão de todos os tempos; e foram os maiores escândalos de corrupção de que o povo até hoje  tomou amplo conhecimento. O resto não passou de previsível detalhe (dos inimigos só podemos esperar o aproveitamento das oportunidades que lhes oferecermos de mão beijada, temos mais é de não facilitar a tal ponto as coisas para eles!);

2. Ao preferir a demagogia delirante ao humilde reconhecimento dos erros cometidos, o PT está sendo extremamente nocivo aos trabalhadores que deveria priorizar acima de tudo e ingrato com o povo que o levou ao poder. A postura de depois de mim, o dilúvio! pode, de um lado, redundar em novo golpe militar, caso haja convulsão social e esta ameace sair do controle das autoridades; do outro, inviabilizar o governo que vier a estabelecer-se, com a óbvia consequência de prolongar e até fazer aumentar o sofrimento dos explorados e excluídos, cada vez mais vergastados pela penúria e o desemprego;

3. Ao queimar seus últimos cartuchos na tentativa (visivelmente fadada ao fracasso) de evitar o afastamento de Dilma, o PT está optando por legar aos brasileiros apenas uma contundente derrota. Caso parasse de enganar a si próprio e aos que nele ainda acreditam, poderia usar a influência que lhe resta para favorecer a hipótese mais digna de saída da crise atual --a realização de nova eleição presidencial. Mas, parece nem sequer cogitar a possibilidade de erguer a única bandeira capaz de unificar o povo neste momento de desespero e desencanto. É mais um exemplo da estreiteza de visão e falta de grandeza que o conduziram à derrocada atual. 

Finalmente, à esquerda lembro que batalhas decisivas só devemos travar quando o que está em jogo é o destino de uma revolução. Não sendo este, nem de longe, o quadro com que hoje nos defrontamos, devemos evitar o emocionalismo e manter a clareza de raciocínio. 

Ficarmos identificados com um governo que está caindo de podre só dificultará o reagrupamento das nossas forças e o resgate da nossa credibilidade (as difíceis tarefas que nos aguardam adiante).

Se a pedra rolou do topo da montanha, temos de entender por que isto aconteceu, cuidando de não voltarmos a cometer os mesmos erros. 

E tentarmos outra vez. Tantas quantas forem necessários para darmos um fim à exploração do homem pelo homem!

sábado, 12 de março de 2016

DILMA: NÃO DEIXE A MONTANHA PARIR UM TEMER, OU SEU FRACASSO SERÁ TOTAL!

Texto extraído do Blogue Náufrago da Utopia


Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor



Os ratos da política, assim como os de esgoto, sabem muito bem qual é a hora de procurar comida e quando importa mais garantirem sua sobrevivência. 

Assim, após fartarem-se com o queijo que havia a bordo do Titanic, agora se preparam para abandonar o navio que está afundando a olhos vistos.

É o que se depreende da reaproximação das bancadas de PMDB e PSDB no Senado, selada num jantar que reuniu, na última 4ª feira (09/03), nove caciques dos dois partidos, dentre eles Aécio Neves, José Serra, Renan Calheiros e Tasso Jereissati.

Segundo a imprensa ficou sabendo (e era mais do que previsível), a única discrepância se dá quanto à forma como a presidente Dilma Rousseff será defenestrada: o PSDB prefere a impugnação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral, que leva à convocação de nova eleição, e o PMDB lucra mais com o impeachment, para que a presidência da República caia no colo do amigo da onçaMichel Temer.

Parece que ainda não resolveram esta questão, mas teriam se despedido dispostos a trabalhar juntos para desatar o nó. O principal já está decidido: partilharão o queijo... quer dizer, o poder.

Se Lênin estivesse vivo e Dilma fosse perguntar-lhe o que fazer?, creio que ficaria com as mãos abanando. Não há mais nada a fazer, pelo menos para salvar o mandato dela.

Sei lá se o Vladimir Illitch teria a humildade de informá-la disto ou sairia pela tangente, com um calaboca do tipo "vá perguntar pro Eduard Bernstein (*), já que agora você joga no time dele!".

Como sou um homem generoso, vou dar à presidente uma dica de como ela ainda pode poupar-se de transpor a porta do fundo como cão escorraçado, mas, pelo contrário, sair atirando, não só para deixar uma última marca no bastião inimigo, como também, e principalmente, para prestar um serviço inestimável ao povo brasileiro, comparável ao suicídio e carta com que Vargas evitou que seu governo fosse herdado pelos ratos da época: 

Dilma, convoque a imprensa para um pronunciamento decisivo e comunique ao País e ao mundo que você está disposta a abrir mão do seu mandato para o bem da Nação, desde que o Michel Temer faça o mesmo.

Argumente que a crise política, econômica e moral é tão profunda que os governantes atuais se deslegitimaram e é hora do poder voltar à fonte do qual emana, o povo.

Que o Brasil precisa novamente ser passado a limpo.

Que os brasileiros devem escolher livremente aquele(a) a quem querem delegar a difícil missão de tirá-los do fundo do poço, ao invés de serem obrigados a engolir um político que, por ação ou omissão, é co-responsável por tudo que tem sido feito de errado e desastroso pelo Governo federal desde 2011.

Exorte publicamente o Michel Temer a agir com o mesmo desapego pelo poder e a mesma disposição de colocar os interesses do povo sofrido acima dos cálculos mesquinhos da política e até das frustrações pessoais, por piores que elas sejam. Bote-o numa saia justa: ele merece!

Parafraseando uma afirmação que tanto nos empolgou lá no comecinho da nossa trajetória, a esta altura do campeonato você não tem mais nada a perder, Dilma, e um passado glorioso a honrar.

O último ato de sua presidência deveria ser coerente com a opção que você fez lá atrás, de arriscar a vida para livrar o Brasil dos exploradores e seus serviçais, fardados ou não.

Então, Dilma, não deixe a montanha parir um Temer, ou seu fracasso será total.
.
(*) primeiro grande revisionista da teoria marxista. Segundo Bernstein, a melhora constante das condições de vida dos trabalhadores sob o capitalismo tornaria a revolução desnecessária.

segunda-feira, 7 de março de 2016

DOMINGO PODERÃO SER ABERTAS AS PORTAS DO INFERNO

Eu tenho a convicção de que esta chamada ou divulgação deste evento do MTST que diz pretender realizar manifestações no mesmo dia 13 de março e no mesmo local (Av Paulista em SP) dos grupos sociais organizados não passa de "ação de efeito psicológico" com o objetivo de esvaziar as manifestações pró impeachment de Dilma Roussef, programadas com a antecedência de meses e amplamente divulgadas e comunicadas as autoridades pertinentes. Bem,  ainda que estejam injuriados com o depoimento coercitivo de Lula junto a Polícia Federal essa ação que conta com o apoio oculto da CUT, do MST e dos dirigentes megalomaníacos petistas envoltos no esquema petrolão, tudo não passa de um grito desesperado daqueles que estarão saindo pelas portas dos fundos dos poderes da nação... Se quiserem vir para as ruas pra criarem enfrentamentos é preciso que pensem muito bem antes desta burrada histórica. Ações seletivas poderão ser desencadeadas por grupos descontentes com essas ameaças e que fazem parte de um arsenal de vídeos amplamente divulgado pelas redes sociais. Enfim, o bom senso é melhor do que bravatas ou aventuras beligerantes sem bala na agulha (popularmente falando)...

Por Celso Lungaretti - jornalista e escritor 

De um lado, a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, informa que insensatos estão tramando batalhas campais capazes de acender o pavio que mandaria pelos ares o paiol da democracia brasileira:
"Movimentos sociais estudam convocar para o dia 13 de março uma manifestação pró-Lula na avenida Paulista. 
O evento seria no mesmo dia e hora em que movimentos contra o governo (...) marcaram protestos contra o ex-presidente e a favor do impeachment de Dilma Rousseff. 
O partido [PT] vê risco e já decidiu não se envolver na organização nem na divulgação dela. 
'Essa ideia está muito forte', diz João Paulo, dirigente do MST. 'Em alguns estados já está praticamente decidido, como Brasília e Rio Grande do Sul', afirma".
Depois de amanhã (4ª feira, 9) os movimentos sociais decidirão se vão manter a data originalmente fixada para sua saída às ruas (18/03) ou antecipá-la em cinco dias.

Do outro lado, Vinícius Mota, também colunista da Folha de S. Paulo, desdenha do alarmismo que a rede chapa branca dissemina na internet: 
"A Presidência Dilma Rousseff está irremediavelmente destruída. O PT definha em praça pública. Lula vai dedicar os próximos meses, assim como tem feito nos anteriores, exclusivamente a salvar a própria pele e a de seus familiares. 
As expectativas de ressurgimento do velho Lula e do PT -com sua base movida a fundos públicos a atemorizar incautos com pesadelos de conflagração- são ilusões aprisionadas no simulacro das redes sociais. 
No país real não há nenhum estímulo para defender o status quo encarnado por Dilma, Lula e o PT. O desemprego se espalha, a inflação corrói o salário e a política federal só produz horrores. Se uma nova maioria ainda não surgiu, da velha não se espere nada além de apodrecimento".
Para deixar ainda mais confuso o quadro, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto lançará nesta 2ª feira (07/03) um manifesto de ruptura com o Governo Dilma, argumentando que não a presidente tem encampado as "reivindicações da elite" a ponto de não existir mais a expectativa de uma guinada à esquerda. Eis alguns trechos do documento: 
"Iniciativas como a reforma da Previdência, a reforma fiscal, o acordo com o PSDB em relação ao pré-sal e a lei antiterrorismo são expressões de um governo que parece não ter mais limites na entrega de direitos sociais". 
"Por causa dessa guinada [à direita] o governo viu evaporar a sua base social. Ficou com o ônus e não recebeu o bônus. Perdeu a base, o rumo político e ainda assim ficou sem a dita governabilidade". 
"As pautas da direita serão enfrentadas nas ruas, sem tréguas e com radicalidade".
Resta saber se Dilma vai ficar mesmo sob ataque simultâneo da direita e da esquerda. Vale lembrar que o MTST é responsável pela execução em São Paulo de uma das modalidades do Minha Casa, Minha Vida e não se conforma com o corte de investimentos na faixa 1, voltada para as famílias mais pobres. Más línguas insinuam que os sem-teto estariam pedindo muito para conseguirem o pouco que os afeta diretamente. 

Mas, algo assim desmoralizaria irremediavelmente o movimento. Torço para que não seja outro afeto que se encerra, pois já sofremos decepções demais nos últimos tempos.
ROTA DE COLISÃO

Isto é tudo que a militância de esquerda não deve ser. Jamais!
O certo é que há, sim, motivos para recearmos derramamento de sangue e um desfecho autoritário da crise de ingovernabilidade.

Vinícius Mota está certo quanto aos arranhões que a mística do PT e de Lula sofreram, mas parece não levar em conta que se trata de um partido bem diferente daquele que a esquerda idealizou no final da década de 1970. 

Já nos anos 80, com o expurgo das tendências e a desideologização decorrente do inchaço (ingresso indiscriminado de ambiciosos e carreiristas), a qualidade da militância começou a mudar para pior. 

O processo atingiu o auge de 2002 para cá, quando brotaram boquinhas como cogumelos. Fala-se que, só nas tetas do governo federal, haveria mais de 40 mil petistas pendurados (não direi profissionalizados, pois nunca gostei de eufemismos...).

E o que dizer das tribunas virtuais que sobrevivem principalmente em função de anúncios de empresas vinculadas à União?!

Então, quando começou aquela virulenta campanha de satanização da Marina Silva na última campanha presidencial, fiquei chocado com o abandono da tradição esquerdista de tratarmos cordialmente, como adversárias, as forças pertencentes ao nosso campo; e agressivamente, como inimigos, apenas os representantes do capital e os liberticidas.

Eu percebia que o PT estava exaurido, a ponto de não ter mais esperanças a oferecer, optando por uma campanha eminentemente negativa. E não tinha dúvidas de que, para um partido dito dos trabalhadores, estar à frente do governo entre 2015 e 2018 seria a maior roubada, já que a economia brasileira começava a fazer água e o grande capital exigia um impopular ajuste recessivo.
Isto é tudo de que não precisamos neste momento

Por que, então, não competir lealmente com Marina Silva, filha pródiga do petismo e que a ele agregara preocupações ecológicas importantíssimas em nosso tempo? Sua vitória não seria nenhum fim do mundo e deixaria intacta a possibilidade de Lula voltar triunfalmente em 2018.

No entanto, o PT lançou contra ela uma verdadeira guerra de extermínio. Ocorreu-me que, como politicamente isto beirava a irracionalidade, deveria estar pesando muito nesta decisão o desespero daqueles que haviam transformado a militância em profissão e modo de vida.

E é aí que mora o perigo. O desespero dessa gente deve ser maior ainda agora, a ponto de já haver registros de enfrentamentos nas ruas com contingentes pró-impeachment. A intimidação talvez se constitua na sua derradeira cartada. E eu temo que domingo sejam abertas as portas do inferno.

Exorto a esquerda movida pelos ideais (e não por interesses) a ficar fora dessa temerária aventura.  

A refletir sobre se vale a pena irmos tão longe para tentarmos salvar um governo desacreditado e que abandonou pelo caminho suas bandeiras de transformação da sociedade, hoje nada mais significando em termos revolucionários.

E se, num momento em que nossas forças são nitidamente inferiores, compensa travarmos batalhas que poderão pôr a pique uma democracia que, embora imperfeita, sempre será melhor do que outra ditadura. Da última vez, perdemos muito dos melhores cidadãos que este país já produziu e penamos 21 anos para nos livrarmos do arbítrio. Não podemos repetir os mesmos erros!

Quem tem verdadeiro compromisso com a causa dos explorados deve pressionar para que não sejam marcadas manifestações em rota de colisão com as da direita, nem buscados confrontos que alimentarão uma espiral de violência cujo resultado previsível é a saída dos quartéis dos efetivos mais treinados e melhor equipados para exercer a violência.

sábado, 21 de novembro de 2015

"Jogo da direita" e "linha auxiliar": duas faces do mesmo discurso...


Babá, membro da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) e vereador pelo PSOL-RJ
  
Por Jorge Nogueira*


Vou começar tratando o tema da impopularidade recorde do governo do PT e de algumas figuras tais como Bolsonaro, Danilo Gentili, Rachel Sheherazade, Silas Malafaia, Marcos Feliciano, Alexandre Frota, Wanderlei Silva e outras figuras deploráveis que tentam ganhar audiência em cima disso.

É fato que o povo brasileiro não aguenta mais o governo do PT. Contudo, a indignação popular nada tem a ver com o que propagam estas "personalidades". A população está insatisfeita com o governo porque os salários estão defasados diante da inflação; estão mais caros os alimentos, as contas de luz e as tarifas de transporte; as verbas da saúde e educação sofrem cortes brutais; direitos trabalhistas históricos foram retirados e restringidos; as empreiteiras faturam com a corrupção e os bancos faturam ainda mais com ajuste fiscal.

O desgaste do governo da Dilma não tem qualquer relação com implantação do comunismo, da revolução bolivariana, com haitianos vivendo no país, com Cuba ou Bolívia. Isso tudo é bobagem desqualificada de quinta categoria para tentar ludibriar a população, como tentam fazer crer estas "celebridades" efêmeras, algumas delas decadentes tentando reaparecer a todo custo.

O governo da Dilma tem um ministro da Economia ultra-liberal, agente direto do sistema financeiro, uma ministra da Agricultura representante do agronegócio (não gente, não é um sem-terra que é ministro), velhos corruptos e filhotes da ditadura, como Maluf e Collor, na base aliada.

As pesquisas mostram que a impopularidade do governo é bastante uniforme, independente de faixa de renda, idade, região e escolaridade. Ou seja, a insatisfação com o governo não é algo restrito a setores ditos abastados, como sugerem os petistas. As mesmas pesquisas mostram que as pessoas de baixa renda, mais jovens e da classe trabalhadora não se identificam com as manifestações pelo impeachment convocadas pela velha direita. E certamente, não é porque elas gostem do governo. Simplesmente, essas pessoas não veem suas pautas representadas nessas manifestações e desconfiam das alternativas de poder propostas nestes atos.

Não por acaso, as pesquisas também mostram que milhões de pessoas não votariam em Lula para presidente, assim como não votariam em Aécio, Marina e José Serra, por exemplo. Os que defendem a volta do regime militar (a tal da intervenção militar constitucional, prevista em lugar nenhum), promovem atos que reúnem meia dúzia de gatos pingados, em geral lunáticos raivosos, histéricos e desinformados que compartilham diariamente toneladas de informações falsas sem qualquer credibilidade. As pesquisas dizem que mesmo nas manifestações convocadas pela direita por impeachment, a esmagadora maioria não defende retorno ao regime militar e quer serviços públicos, gratuitos e de qualidade (nada de "Estado Mínimo", antes que os liberais se animem).

Essa gente, que fala em volta dos militares ao poder, faz o jogo do governo inclusive. Eles facilitam a vida para o governismo se dizer perseguido pelas "elites", falar em ameaça de "golpe" e tentar posar de esquerda, mesmo governando com medidas reacionárias, umas após outras, e não havendo qualquer setor importante das elites tentando derrubar o governo. A política econômica ultra-conservadora de Dilma e Levy tem apoio da Globo, da FIESP, da FIRJAN, do sistema financeiro e do agronegócio, com todos estes agentes já havendo se manifestado pela governabilidade.

Trata-se aqui de um caso de "inimigos" que se ajudam, que complementam o falso discurso um do outro. Os caricatos representantes do extremo conservadorismo, ao levantar, por exemplo, a bandeira da "intervenção militar" e outras consignas ultra-reacionárias, ajudam o governismo a propagar o medo de uma suposta "onda conservadora" e da instalação de um regime ditatorial fascista de direita. Por outro lado, o apoio ao governo das velhas burocracias da UNE, da CUT e de outros movimentos sociais, adotando de forma oportunista esse discurso do medo, da defesa da democracia e da legalidade (burguesas e que não estão sob qualquer ameaça real), cria o ambiente simbólico (o chamado "verniz de esquerda") para os reacionários propagarem que se trata de um governo "comunista", com velhos chavões do tipo "vai pra Cuba".

Por um lado, os governistas acusam qualquer pessoa que lhes critique de "fazer o jogo da direita". Por outro, a velha direita diz que quem não marcha com eles é "linha auxiliar" do PT. Basicamente, "jogo da direita" e "linha auxiliar" são dois mantras repetidos a exaustão para impedir que surja qualquer outra alternativa aos mesmos de sempre, ainda mais com tanta rejeição a todos os tradicionais atores da política brasileira.

Pois bem, existem inúmeros motivos para a Dilma cair. Há insatisfação popular generalizada e as medidas do governo são um estelionato eleitoral. Dilma aplica tudo aquilo que acusava Aécio e Marina de pretenderem fazer. Dilma dizia que Marina governaria para os banqueiros, que agora somam lucros recordes, em plena recessão. E acusava que Aécio iria privatizar e o governo petista anuncia pacotes e mais pacotes de privatizações.

Os motivos reais para a queda de Dilma não são pauta de qualquer destas manifestações pelo impeachment, seja nas ruas, seja nas redes sociais. É irônico ver estes setores reacionários manifestarem indignação, plausível, com a corrupção do governo petista, mas defenderem com unhas e dentes o corrupto Eduardo Cunha, por óbvia afinidade ideológica e na ilusão de que ele encaminhará o impeachment de Dilma. Na (in)coerência deles, para derrubar um governo corrupto vale se aliar a um corrupto que ganhou dinheiro nos mesmos esquemas de corrupção do governo que eles querem derrubar. Vai entender.

Há razões para Dilma cair, mas isso não tem serventia se em seu lugar retomarem o poder os tucanos e o PMDB, que quando governam praticam a mesma política econômica conservadora e a mesma corrupção (inclusive com as mesmas empreiteiras e os mesmos sistemas de compra de votos). Mais ridícula e anacrônica ainda é a ideia de volta da ditadura militar, mas essa não tem qualquer sustentação na realidade, a não ser na mente de lunáticos (e também de governistas que tentam se aproveitar da surreal situação para fingir que estão sob iminente ameaça do fascismo).

Qualquer saída para a crise está em mobilizar a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre contra o governo, para defender as demandas reais da população. Longe tanto do governismo, que tenta se apropriar da simbologia de esquerda para defender um governo de direita, quanto do velho conservadorismo, que tenta usurpar a insatisfação popular em prol de suas pautas mesquinhas, reacionárias e preconceituosas, incapazes de produzir qualquer melhoria na vida do povo (ao contrário, só servem ao retrocesso). A saída é pela esquerda, com a construção nas ruas, nas lutas e nas greves, de uma alternativa dos trabalhadores para governar o país.


Extraído do Facebook do referido vereador:
https://www.facebook.com/babapsol/posts/867020910034349

(*) Professor da rede pública. Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

NÃO PODEMOS APOIAR AQUELES QUE ANESTESIAM A NOSSA GERAÇÃO!!!



Eu não iria comentar, mas após re ler a matéria da Liga Bolchevique Internacionalista, sim, eu li duas vezes para ter um melhor entendimento e opinião. Sou radicalmente contra os ataques que estão sendo efetuados diariamente contra o líder do PCB, o professor Mauro Iasi, e não por ter sido militante do PCB nos momentos mais difíceis do partido que deixei em 1998, mas como cidadão que entendo que o indivíduo tem o direito de opinião, de expressão, ainda que se tratando apenas em recitar um poema que para muitos possam gerar desconforto. Bem, de pouca adianta chorar leite derramado. 

De fato o líder do PCB havia apenas recitado um poema e este foi utilizado do jeito que o diabo gosta. Mas porque não chorar o leite derramado como citei anteriormente? É simples: Se antes de todo este evento, aqueles que se dizem de esquerda tivessem prontamente se posicionado contra as roubalheira (e não adianta justificarem os roubos da direita ou de quem quer que seja), o conjunto da esquerda, hoje, estaria melhor na foto. Cada centavo do erário, cada desvio, propina ou roubo é a grana que falta na educação, na saúde, na moradia e em tantas outras áreas e demandas sociais, inclusive quebrando a economia por conta da fuga de capitais, num país como o Brasil, sem comando e sem regras claras, tanto na democracia como própria economia. Até mesmo uma lei antiterror os petistas aprovaram... 

O assalto ocorrido na Petrobrás foi o ponta pé inicial, ainda que o mensalão tenha deixado muitos eleitores descontentes. Mas ocorre que torna-se mais fácil para os linguarudos, traíras e reacionários, sim reacionários da esquerda amarela, ou alguém tem um entendimento diferenciado das atitudes do PT e de seus apoiadores que insistem em defender o indefensável? 

O PT age como se todo o povo fosse ideologicamente formado no espectro da esquerda, para assim ter um entendimento, independente dos roubos e da corrupção, e que nesta visão asquerosa, o certo seria apoiar as forças progressistas, ainda que envolvida em falcatruas. Mas, isto não vinga e não convence a horda dos alienados e nem mesmo o povo mais esclarecido que tanto servem para serem usados contra a direita como também contra a própria esquerda, que de quebra cultua e se alvora em ser o papai ou mamãe de todos os oprimidos. Na verdade com a queda da popularidade do modo petista de governar, fica visível que o povo apóia apenas aqueles que lhes dão frutos econômicos e bem estar , e não meramente discursos e desilusões... 

O PT com sua política de governabilidade afundaram semelhante ao Titanic. A esquerda brasileira precisa aprender, ainda que tenha os melhores pensadores do país, de que um partido político é e sempre terá de ser maior do que o homem. Os homens se vão e os partidos ficam, e sendo assim, caberia defenderem os programas partidários ao invés de defenderem a corja de vagabundos. E assim o fazem, erroneamente, o conjunto da esquerda. 

O preço desta atitude reflete no crescimento do fascismo e da reação em ambos os lados. O que me deixa abismado é assistir professores universitários, estudantes e tralhadores, defenderem o governo petista, mesmo esses sendo representantes de suas categorias, prejudicadas pelo governo, e sabedores da bancarrota em que estão mergulhando cada vez mais, as universidades, as escolas, os empregos, a seguridade social. O governo petista quer o modelo FMI de previdência social, e não adianta culparem a oposição, porque são governo, e seria hilário. 

Enfim, qual é a moral dos professores universitários (que são líderes de greves) e que sempre apoiaram e apoiam o PT? Pretendem convencer o conjunto da sociedade de que não tem culpa no cartório, e, por conseguinte deixariam de ser os responsáveis indiretos pela destruição das federais? 

É este o panorama que existe no Brasil. Funcionários públicos estatuários ou celetistas, sindicalistas e apoiadores petrolão culpando os outros por aquilo que defenderam e ainda defendem... As pessoas passam, mas os partidos permanecem... O relógio do tempo não anda para trás, e nós vamos ficar defendendo aqueles que anestesiam os sonhos de nossa geração? Pense nisso...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Óh Supremo! Livrai-nos do mal, Amém!


Impressionante é assistir a Presidente do Brasil, o Presidente do Senado, o Presidente do Congresso e dos Tribunais de Justiça discutirem abertamente como um proteger o outro desses absurdos escândalos de roubo e corrupção em que todos estão envolvidos com o agravante de assistir a tudo com a cumplicidade da imprensa que considera esses acordos a solução para essa crise que afundou o Brasil, sufoca a economia, e penaliza os cidadãos.



A cada dia que passa fico mais indignado ao ver amigos e conhecidos defenderem esse bandidos que diuturnamente, saqueiam, roubam, de todos nós brasileiros como se o governo e os seus partidos não fizessem parte de uma mesma facção criminosa!

Óh Supremo! Livrai-nos do mal, Amém!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

NÃO ADIANTA TENTAR VENCER NO FRONT DA COMUNICAÇÃO UMA GUERRA QUE ESTÁ SENDO PERDIDA NO FRONT ECONÔMICO

Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor

Meu artigo deste sábado (01/08), previsivelmente, foi mal recebido em espaços petistas, pois não entrou no espírito da autêntica tempestade em copo d'água que eles estão fazendo a partir de um episódio menor --principalmente se comparado ao terrorismo que já grassou por aqui.



Nos anos de chumbo, a direita executou atos de terrorismo duros, que chegaram a causar danos de monta e a ferir/assassinar pessoas. Houve sequestros e torturas praticados por paramilitares, houve invasão de teatro para espancar atores, houve envio de cartas-bombas para instituições e figuras notórias de esquerda (uma delas matou Lyda Monteiro da Silva, senhora de 59 anos, funcionária da OAB/RJ), houve incêndios de bancas de jornais em plena luz do dia, etc. O pior de todos, se não malograsse, teria sido o do Riocentro, cujas vítimas provavelmente seriam milhares.

Partiram de gente organizada. Na década de 1960, principalmente do CCC, cujos quadros não integravam oficialmente o esquema de repressão, mas tinham suas atividades toleradas e até estimuladas pela ditadura. Na de 1970, dos agentes do DOI-Codi que, por baixo do pano, queriam sabotar a abertura política do déspota esclarecido Ernesto Geisel.


Já os atentados ao Instituto Lula e ao Sintusp não provieram necessariamente de profissionais; o contrário é mais plausível.


Bombas caseiras, até as torcidas organizadas de futebol sabem fabricar. E os que invadiram o Sintusp podem haver sido meros fascistinhas da USP à cata de documentos comprometedores, que na saída teriam aberto as torneiras do gás sem se darem conta dos riscos inerentes.

Nunca devemos magnificar episódios desse tipo sem termos certeza de que sejam parte de uma verdadeira escalada terrorista e não ações isoladas de aloprados de direita. Lembremo-nos da fábula do menino que gritava lobo!...

O chocante é que o atentado ao Instituto Lula esteja sendo tão superdimensionado (inclusive pela Dilma) e o do Sintusp haja sido totalmente ignorado (inclusive pela Dilma). Ambos se equivalem quanto aos resultados (poucos danos, ninguém ferido), mas no da USP o prédio poderia ter ido pelos ares exatamente quando os funcionários estivessem entrando para mais um dia de trabalho.


Se os petistas houvessem praticado a solidariedade para com os outros agrupamentos de esquerda (um valor arraigado entre nós nos bons tempos que ficaram para trás...), estariam recebendo mais solidariedade agora. A empáfia é péssima conselheira.

De resto, torno a repetir, chegou a hora de os governistas desistirem de tentar romper o isolamento político tirando da cartola os mesmos coelhos de sempre: encontros engana-trouxas com governadores, alarmismo para poderem posar novamente de mal menor, retórica fantasiosa de prometer o começo da recuperação econômica já para este ano quando até as pedras sabem que a coisa vai piorar muito antes de melhorar, etc.

O que está afundando cada vez mais o Governo Dilma é o empobrecimento dos brasileiros. E não será a partir de uma posição de absoluta fragilidade que ele conseguirá implantar pra valer o arrocho fiscal --que, aliás, não tem dado certo ultimamente em lugar nenhum do mundo, mas sim destruído as nações que caem nessa esparrela.

A contagem regressiva está em curso e a única forma de Dilma conservar o mandato é descartando Joaquim Levy e seu receituário neoliberal. Se a teimosia e a arrogância a continuarem cegando, morrerá abraçado com ele.