OS FILMES ESTÃO LIBERADOS PARA SEREM ASSISTIDOS NO VK.COM - mas vc terá que se cadastrar na rede social russa - DIVIRTA-SE...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Diante do distracionismo e da confusão política: Debater um programa revolucionário para a ação direta do movimento de massas


Editorial da Liga Bolchevique Internacionalista

Atravessamos um momento de “esfriamento” das mobilizações populares que sacudiram o país em junho.

 Os atomizados protestos ainda em curso agora ganham um caráter de reivindicações corporativas, em uma espécie de “ressaca” das multitudinárias marchas que tomaram conta das ruas no mês passado.

Aos poucos o “gigante” vai adormecendo novamente e os noticiários na TV, que antes “cobriam” as manifestações para impor uma pauta direitista aos protestos, agora tratam das disputas interburguesas no marco do natimorto plebiscito proposto pelo governo Dilma.

Longe do clima de “rebelião popular” permanente que a esquerda revisionista sonhava, vemos o conjunto do establischment político lentamente costurando o retorno a “normalidade” da ordem burguesa.

   Para alguns há a expectativa que este quadro possa ser alterado como o “dia nacional de luta” marcado para 11 de julho.

 Desde a LBI afirmamos que se trata justamente do contrário!

 Longe de ser um ponto de ponto de apoio para retomar as manifestações a fim de aprofundar a crise do regime político burguês, o arremedo de “greve geral” convocado pela burocracia sindical de “direita” e “esquerda” (CUT, CTB e Conlutas) visa justamente descomprimir a “puteza” de suas bases e seguir no calendário “ordinário” das campanhas salariais economicistas, “ordeiras e pacíficas” e sem nenhum caráter político neste segundo semestre.

O distracionismo fomentado pela frente popular em torno da farsa do plebiscito e a própria confusão política que marcou os rumos das mobilizações, carentes de uma direção classista e um programa revolucionário, deixaram neste momento um tremendo vazio político na honesta vanguarda militante, já que a resolução das verdadeiras demandas populares presentes nos protestos obviamente estão pendentes.

Frente a esta realidade, os marxistas leninistas compreendem que é necessário debater pacientemente um programa transitório revolucionário para a ação direta do movimento de massas, já que se encontra bastante vivo entre os trabalhadores e o povo pobre o sentimento de que é possível aprofundar o esgotamento do atual regime político através de sua luta direta nas ruas, fábricas, nas escolas e no campo.

Neste sentido, como passo inicial deste processo, apresentamos alguns temas candentes que compreendemos fundamentais para esta discussão, que longe de um caráter diletante, deve estar voltada para a intervenção dos ativistas classistas, militantes revolucionários e para o conjunto do movimento de massas no próximo período.

Em primeiro lugar, o movimento operário deve dotar seu combate de classe de um caráter internacional e levantar eixo político a luta contra o imperialismo e a recolonização nacional.

O quadro de submissão do Brasil ao imperialismo está presente em todos os campos da vida nacional, na economia, política e na cultura.

 As metrópoles imperialistas, tendo a frente os EUA e a União Europeia, através de seus governos e das grandes corporações impõe a divisão internacional do trabalho, reservando ao Brasil o papel de semicolônia, exportadora de commodities agrominerais, ao mesmo tempo em que desovam seus produtos manufaturados no país, via nosso enorme mercado consumidor.

Este controle impossibilita qualquer traço de soberania nacional e independência política, já que a burguesia nativa é sócia menor do imperialismo.

Frente a esta realidade é preciso romper o verdadeiro “pacto colonial” que atrasa o desenvolvimento nacional, com os trabalhadores sendo vanguarda deste processo defendendo a expropriação das grandes empresas transnacionais sob o controle operário, o fim da remessa dos lucros para as matrizes centrais e o não pagamento da dívida interna e externa.

Ao mesmo tempo, o imperialismo tem aprofundado sua ofensiva política e militar contra países não alinhados diretamente com a Casa Branca e a UE, como vimos na agressão da OTAN à Líbia.

 O combate a esta sanha passa por estabelecer uma frente única com as nações atrasadas, governos e forças políticas atacadas pelo imperialismo e seus agentes internos e externos.

No Brasil, o governo da centro-esquerda burguesa comandado pelo PT, é completamente incapaz de enfrentar as investidas do imperialismo, como vimos recentemente com sua conduta vergonhosa frente ao "sequestro" do presidente boliviano Evo Morales ou diante do episódio da espionagem da CIA no Brasil.

Portanto, a tarefa do combate anti-imperialista esta nas mãos da classe operária e seus aliados, o campesinato pobre e a juventude plebeia, que precisa no calor da luta tiras as lições programáticas para superar a política da frente popular, refém da covarde burguesia nativa.

Como parte desta cadeia de submissão do país aos interesses dos grandes monopólios capitalistas, o capital financeiro parasita a economia nacional.
 Os rentistas sempre pressionam por taxas de juros (SELIC) para manterem suas gigantes margens de valorização do capital e a especulação nas bolsas de valores.

Neste marco, o governo da Frente Popular vem atuando como legítimo representante do capital financeiro e do agronegócio não tomando nenhuma medida efetiva no combate à especulação cambial, ao contrário, caminha na direção oposta entregando o patrimônio nacional do país nas mãos dos grandes trustes imperialistas.

A gerência do PT, pela sua própria natureza de classe, é incapaz de interromper a desnacionalização de nossa economia e adotar medidas elementares em defesa de nossa moeda, como o controle cambial e de remessa de lucros, assim como a estatização do sistema financeiro nacional, com um banco estatal único controlado pelos trabalhadores.

Somente a classe operária e suas organizações políticas revolucionárias são capazes de realizar as tarefas democrático-burguesas pendentes, em plena etapa de decadência capitalista mundial.

Os rentistas internacionais tem se aproveitado da crise política atual forçando uma sobrealta do Dólar no Brasil, atingindo o mesmo patamar alcançado na crise mundial de 2009, em pleno crash financeiro mundial.

 Vale ressaltar que a “gordura” de mais de trezentos bilhões de dólares em reservas do Tesouro é uma das principais ancoras da estabilidade econômica brasileira, o maior símbolo financeiro dos governos da Frente Popular, que permitiu a enorme expansão de crédito no país.

Atacar esta “fortaleza” do Brasil significa uma aposta dos rentistas internacionais na instabilidade política e crise econômica, gerando uma pressão inflacionária artificial às vésperas das eleições gerais de 2014 e no meio de uma conjuntura altamente explosiva.

Um país realmente soberano deve sim ter uma política de controle de divisas, estabelecendo as chamadas bandas cambiais com um piso e um teto pré-estabelecido pela autoridade do BC.

Somado a estas medidas o governo deveria confiscar todos os ativos financeiros dos agiotas do mercado que lucram fortunas “apostando” na quebra do país, através do superendividamento mobiliário.

Somente através da completa estatização da banca será possível induzir o país a uma política soberana de desenvolvimento econômico.

Mas este submisso governo do PT sequer elabora um projeto “nacional” de crescimento capitalista (como China e Rússia), seguindo a cartilha do neomonetarismo imposta por Washington.
 O resultado concreto é o atraso e reprodução das velhas estruturas semicoloniais, que no máximo permitem uma evolução anual média do PIB na ordem de 3%, “pibinho”.

Por sua vez, ao contrário do que afirma a esquerda reformista, a redução dos juros nunca foi uma bandeira da classe operária, que por sinal sempre perde na adoção das políticas de redução das taxas de remuneração financeira, seja em seu FGTS ou em sua pequena caderneta de poupança.

Outra questão completamente distinta é fazer coro em bloco com os rentistas pela elevação dos juros.

Os marxistas revolucionários devem manter completa independência política da burguesia industrial em sua cruzada pelos juros baixos concedido às grandes empresas.

Os trabalhadores devem sim exigir uma política estatal de juros negativos, subsidiados pelo caixa do Tesouro Nacional, para os pequenos produtores e comerciantes, conectando esta reivindicação à luta direta pela estatização do sistema financeiro, sem nenhuma indenização aos rentistas e parasitas do mercado de capitais.

Somente com esta plataforma transicional o proletariado manterá sua autonomia de classe diante do cabo de guerra entre a burguesia financeira e industrial, uma disputa patronal onde sempre sai perdendo, independente da ala capitalista vitoriosa.

Aliada dos rentistas e do poder estatal, a mídia “murdochiana” é uma peça chave para impor os interesses do capital financeiro, dos industriais e da grande burguesia.

O PIG, tendo a frente à Rede Globo, representa o “quarto poder” da República.

Na verdade, a relação promíscua entre os grandes grupos de comunicação e o Estado burguês vai bem mais além das aparências.

A mídia capitalista funciona como um verdadeiro aparelho ideológico do Estado, independente da coloração política do governo (gerente) de plantão.

Em uma etapa histórica onde a ausência de referências socialistas, que foi agravada com a destruição contrarrevolucionária da União Soviética, a formação de uma “opinião pública” alienada e banal pela mídia capitalista passou a ser sua função estratégica para sedimentar a dominação de classe.

A “informação” dada pela grande imprensa, longe de ser imparcial, não passa de um cardápio ideológico burguês, preparado segundo as “melhores” receitas da elite mais reacionária, como vimos nas coberturas da TV durante os protestos.

Não por acaso, a mídia burguesa acusou os setores mais radicalizados nas manifestações de serem “vândalos e baderneiros” aplaudindo o pacifismo domesticado que tanto lhe agrada.

Por esta razão, o movimento de massas deve levantar a bandeira do fim do monopólio capitalista dos meios de comunicação.

É impossível existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como fazem corriqueiramente a revista Veja e a Rede Globo, assim como os aliados da frente popular, a exemplo da Rede Record ou do SBT.

A defesa do marco regulatório como a via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas”, como os blogs “chapa branca”, que apoiam incondicionalmente o governo da frente popular.

Distribuindo verbas federais a seus novos aliados na mídia e ao mesmo tempo mantendo intocáveis os “velhos” grupos de comunicação, o PT pretende fazer “média” com sua base social vendendo o conto que está estimulando a “concorrência em nome da democracia”, quando na verdade apenas está investindo pesado em complexos burgueses de comunicação “alternativos” à mídia demo-tucana com o objetivo de melhor preservar seu governo de colaboração de classes para manter a estabilidade do regime da democracia dos ricos e seus esquemas de corrupção.

A campanha a favor de uma tímida regulação da grande mídia burguesa serve apenas como uma medida preventiva contra novas investidas da “Veja”, Época”, “Folha”, “Estadão” ao governo petista e seus aliados.

Esse fato demonstra que o PT e o governo da frente popular pela sua natureza de classe é completamente refém da mídia capitalista, sendo incapaz de tomar qualquer medida consequente contra esta e seus “barões”.

A única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através da grande mídia aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta.

A vanguarda classista do proletariado deve se armar de um programa revolucionário que contemple o combate radical aos monopólios capitalistas de comunicação e denunciar a manipulação das “redes sociais” pelo imperialismo, como o Facebook, controlado pela CIA.

Em momentos de crise, os capitalistas jogam sobre os ombros dos trabalhadores o ônus da crise para manter seus superlucros e a exploração patronais.

Uma das medidas mais comuns é a demissão, acompanhada com o aumento da produtividade e o ataque aos direitos trabalhistas, explorando ainda mais os trabalhadores.

 Vimos recentemente às demissões na GM e o projeto do Acordo Coletivo Específico (ACE) para retirar direitos.

O movimento operário deve aproveitar a onda de protestos em curso e as campanhas salariais do segundo semestre para desenvolver uma verdadeira campanha contra o desemprego, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e sem banco de horas.

Para barrar os ataques do governo Dilma e dos patrões a fim de flexibilizar direitos trabalhistas é necessário à construção de um plano de lutas unitário que aponte para um programa operário e anticapitalista: salário-mínimo vital, aumento geral dos salários, contra as demissões e o arrocho salarial, ocupação das empresas que demitirem em massa ou falirem, exigindo a sua estatização sob controle dos trabalhadores; pelo controle operário da produção, repartição das horas trabalhadas com os operários desempregados, através da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, utilizando a escala móvel de salários; Fim dos selvagens ritmos de produção, pela formação de comitês de fábrica que estabeleçam tetos de produtividade para absorver a mão de obra desempregada; Formar comitês de trabalhadores demitidos, sustentados financeiramente pelos sindicatos, até que possam impor a efetivação da repartição das horas de trabalho, Reposição das perdas salariais.

 Estas reivindicações servem de base para a convocação de uma verdadeira Greve Geral, que inicialmente pode paralisar a produção nacional, os bancos, serviços e o transporte por 48hs, superando assim os limites do dia nacional de "luta" marcado pela burocracia sindical para este dia 11 de julho.

No campo, onde os sem-terra, assalariados agrícolas e camponeses pobres são explorados pelos latifundiários e as agroindústrias faz-se necessário defender a Revolução Agrária, com a expropriação do latifúndio produtivo e do agronegócio, sob o controle dos trabalhadores.

É preciso apoiar vigorosamente as mobilizações e lutas dos sem-terra, mas para que sejamos realmente vitoriosos, para que conquistemos um país livre do jugo imperialista, onde os interesses do proletariado e do campesinato pobre se transformem em poder político, onde as massas tenham emprego e plenas condições de vida é necessário não “mudar o modelo econômico” de neoliberal para nacional-desenvolvimentista como prega a direção do MST, mas expropriar a burguesia e seus aliados, através do levante revolucionário das massas da cidade e do campo.

O MST propõe suspender a dívida externa e controlar o capital especulativo, barrar as privatizações das empresas estatais estratégicas, eliminar os incentivos fiscais às grandes empresas e confiscar o ganho dos especuladores para, com esses recursos, “implementar um programa de investimentos, no apoio à pequena e média empresa, na construção de casas populares, na reforma agrária, no apoio à produção agrícola familiar, na garantia de escolas e atendimento de saúde para gerar empregos e criar um mercado interno de massas” (MST – Um projeto popular para o Brasil).

Todas essas medidas são justas, mas extremamente limitadas, e acabam por patrocinar a ilusão de que é possível um país atrasado e subordinado à opressão imperialista, como o Brasil, construir uma alternativa à recolonização nos marcos de um capitalismo nacional, soberano, fortalecido com “um mercado interno de massas”.

Essa é uma utopia reacionária que já levou os trabalhadores a inúmeras derrotas na América Latina!

Um real programa operário e camponês deve defender, para tirar as massas da miséria: a reforma agrária com o confisco do latifúndio produtivo para dar terra aos camponeses pobres; todo apoio às ocupações, a nacionalização da terra; garantir terra aos sem-terra e posseiros bem como a propriedade dos pequenos produtores; desconhecimento de todos os títulos dos agiotas financeiros, com a expropriação das fábricas, terras e bancos sob o controle operário.

A resposta proletária à questão da terra é a expropriação geral e revolucionária dos latifundiários sem indenização, através de milícias camponesas, garantindo terra aos sem-terra e posseiros, bem como a propriedade dos pequenos proprietários rurais, assegurando-lhes assistência técnica, crédito subsidiado ou negativo e a comercialização da produção.

Esse programa somente poderá ser aplicado rompendo com a democracia capitalista e suas instituições (parlamento, justiça), levando a cabo essas medidas através de organismos de poder e organização dos trabalhadores da cidade e do campo, em uma autêntica democracia de conselhos de operários e camponeses.

Por outro lado, para defender-se das chacinas da PM e dos ataques dos jagunços e do braço armado do latifúndio é necessário construir comitês de autodefesa.

A reivindicação histórica de reforma agrária defendida para garantir terra aos sem-terra é uma reivindicação justa, porque consagra o acesso à propriedade aos trabalhadores, historicamente excluídos pela burguesia e pelo latifúndio de terem um pedaço de terra para manter suas famílias e garantir suas mais elementares condições de vida.

Apesar da classe operária se colocar pela abolição completa da propriedade privada, ela apoia integralmente a reivindicação dos camponeses pobres por terra contra a classe capitalista latifundiária, que também é sua inimiga histórica, estimulando a sua associação em cooperativas ou a incorporação em fazendas coletivas estatais.

 No Brasil, além da reforma agrária radical com expropriação do latifúndio está colocada na ordem do dia a tarefa da revolução agrária no campo.

Isto porque as terras que antes eram pertencentes tanto aos latifundiários como aos camponeses pobres foi passando para as mãos da burguesia financeira, dos bancos, dos industriais, dos grandes comerciantes e da burguesia agrária, apesar da maior parte do território nacional ainda estar nas mãos do latifúndio.

Onde há o desenvolvimento capitalista da agricultura no campo, a tarefa revolucionária dos camponeses pobres e do proletariado rural é expropriar as grandes empresas agroindustriais, sem indenização, convertendo-as em propriedade coletiva sob a direção dos trabalhadores e não repartindo as terras em pequenas propriedades, o que acabaria com sua alta produtividade.

Já nas grandes cidades, a ausência de moradia popular e a alta dos aluguéis são questões explosivas e que afligem a ampla maioria do povo.

 O programa “Minha Casa-Minha Vida”, que subsidia o financiamento de imóveis fomentando a construção por empresários do ramo da construção civil, acabou por provocar o aumento do preço dos imóveis e alugueis na medida em que houve uma drástica especulação imobiliária em torno dos valores dos terrenos.

Frente a isso, temos vistos inúmeros despejos de favelas em áreas que os capitalistas consideram valorizadas assim como em ocupações históricas, como o Pinheirinho.

 Não por acaso, milhares de sem-teto tomaram as ruas durante as mobilizações, bloquearam estradas e exigiram condições dignas de moradia.

Frente a esta realidade dramática é necessário uma profunda Reforma Urbana com a expropriação dos prédios ociosos e dos condomínios de luxo para contemplar a moradia popular gratuita, exigido o fim da especulação imobiliária e um programa de construção e financiamento de casas populares com juros negativos subsidiados pelo governo.

Outras demandas populares, como o direito a Saúde, Educação e Transporte ganharam muito relevo entre as manifestações.

Para conquistá-las faz-se necessário unificar estas reivindicações em torno da luta direta dos trabalhadores e da juventude explorada em um combate unitário pela estatização destes setores, o que significa lutar pela sua completa estatização, pela reversão das privatizações já realizadas e o desmantelamento das máfias capitalistas que os controlam, como um passo fundamental para garantir que estes serviços sejam públicos, gratuitos e de qualidade.

O programa transitório de luta que apresentamos como um esboço inicial a ser discutido nas assembleias de base e nos fóruns do movimento de massas não pode deixar de enfrentar uma questão que ficou evidente durante as manifestações: o combate à repressão estatal aos protestos.

 Durante as manifestações as PMs estaduais e a Força Nacional de Segurança do governo Dilma atacaram violentamente as marchas, infiltraram policiais à paisana e chegaram a fazer ações coordenadas com grupos fascistas.

Por sua vez, a PM reprimiu as comunidades e favelas que se mobilizaram durante as passeatas, como vimos no complexo da Maré no Rio de Janeiro.

 No campo ocorre o mesmo, assim como na repressão aos trabalhadores sem-teto que bloquearam as estradas.

 Muitos setores do movimento de massas discutem como derrotar a repressão estatal, mas esbarram no pacifismo pequeno-burguês imposto pelas direções sindicais e apoiado pela mídia sob o eixo de “Não Violência”.

 A tarefa de derrotar a PM assassina e a Força Nacional de Segurança está mãos da classe trabalhadora e do povo pobre.

Este não pode continuar indefeso contra a violência organizada do Estado capitalista e seus bandos mafiosos.
 Precisa dar um basta a estas chacinas, organizar comitês de autodefesa pela expulsão do aparato repressivo das favelas, contra a repressão as ocupações de terra e aos protestos populares.

 Devemos ter claro que a PM é um destacamento especial de homens cujos instrumentos de trabalho são as armas para defender a burguesia e a propriedade privada.

Nesse sentido o movimento operário deve ser contra o apoio às reacionárias greves policiais, defendemos um programa de reivindicações transitórias destinadas aos soldados e cabos, a fim de que rompam com a hierarquia militar subordinando-se a uma clara estratégia de destruição revolucionária do aparato repressivo do Estado burguês (difusão de imprensa política nos quartéis, direito a sindicalização, formação de sindicatos vermelhos, etc.).

Devemos nos postar pela destruição das polícias como parte de um programa revolucionário que, através da unidade com os trabalhadores da cidade e do campo, exproprie a burguesia para que sobre os escombros desse Estado burguês corrupto e assassino se construa um poder de novo tipo, capaz de erguer um modo de produção social que garanta condições dignas de vida para o conjunto dos que trabalham e não que sirva para acumular capital a fim de engordar os bolsos de um punhado de parasitas mafiosos.

O combate de classe por um genuíno Governo Operário e Camponês (Ditadura do Proletariado) como parte da defesa da Revolução Socialista deve ser o objetivo estratégico de nossa luta.

Este eixo central mantém toda sua vigência programática, apesar da pressão ideológica para que os trabalhadores se levantem apenas por reformas no interior do capitalismo.

A defesa da revolução e da ditadura do proletariado na verdade sintetiza em poucas palavras a única saída progressista estratégica para as mobilizações em curso no país.

Para ser consequente na luta contra os ataques do governo Dilma aos trabalhadores e a juventude faz-se necessário lançar mão de uma plataforma classista que oriente a luta direta das massas rumo ao socialismo, com a expropriação da burguesia, o fim do latifúndio e estabelecimento de um autêntico poder operário e popular.

Neste combate é necessário que a classe operária ocupe a cena nacional e levante suas demandas imediatas e históricas, forjando no calor do combate a construção de um autêntico Partido Revolucionário Leninista.

 Na medida em que o proletariado saia à luta acaudilhando as demandas populares, os setores de direita nas manifestações serão derrotados nas ruas e seu eixo de falsa moralização do regime político burguês relegado a marginalidade!

Somente a defesa clara da revolução e da ditadura proletária será capaz de dar um claro corte de classe as manifestações, preparando pacientemente para o próximo período uma saída operária e socialista para o esgotamento do regime político burguês.

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org/

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sequestro de Evo: Governos da “centro-esquerda”, como França e Brasil, mostraram completa submissão ao grande amo do norte


Por Liga Bolchevique Internacionalista

Do Blogueiro:
Durante todo o dia eu fiquei procurando esta noticia que havia lido mais cedo no Blogue da LBI e, incrivelmente, esta noticia não foi divulgada pelas redes de TVs abertas do Brasil, ao menos nos canais que procurei, já que neste momento não disponho de antena parabólica e minha internet 3G não me permite assistir vídeos ou TV via WEB, exceto ter recebido mais adiante esta informação pelas listas que assino... 

Mas enfim, fico abismado de ver que este tipo de ação ainda existe e aconteceu aos olhos da comunidade internacional, e nenhuma nação da chamada Comunidade Européia tomou partido, ou mesmo tenha divulgado alguma nota condenando essa agressão inexplicável a um governo eleito democraticamente por seu povo, neste caso, se fosse de outra forma, como já conhecemos, os nazi fascistas ianques agiriam num pressuposto "direito" de prender um governante ditador etc... Temos que condenar e denunciar veementemente este crime internacional que ocorreu contra a soberania da República Boliviana...



 Desde a II Guerra Mundial não se presenciava a tentativa de um governo nacional tentar interceptar um avião presidencial de outro país, como foi o caso quando Hitler tentou sequestrar um voo que Churchill fazia para visitar as tropas inglesas na África.
O novo “führer” do imperialismo ianque, Barack Obama, tentou fazer o mesmo com o presidente Evo Morales da Bolívia, ainda que ao contrário do exemplo da II Guerra os dois países não estejam formalmente em guerra.
Quando voltava de uma reunião de cúpula sobre a produção mundial de gás em Moscou, o avião do presidente Evo foi impedido de sobrevoar os países da Europa ocidental. França, Itália, Espanha e Portugal não autorizaram que o jato que levava a bordo o presidente de um país que mantém relações diplomáticas recíprocas, sobrevoasse seus territórios.
 O fato assume maior gravidade ainda porque o avião presidencial da Bolívia estava prestes a iniciar a grande travessia sobre o oceano Atlântico e necessitava de reabastecimento.
A única alternativa encontrada foi a de se submeter à humilhação oferecida pela Áustria, que sob escolta aérea autorizou a aterrissagem de Evo.
Em solo austríaco, o avião presidencial foi revistado por policiais que estariam a procura do ex-agente da CIA, Edward Snowden.
A suspeita de que a Bolívia teria concedido asilo político a Snowden, que ainda se encontra na Rússia, levou aos terroristas encastelados na Casa Branca a ordenar o sequestro do presidente de uma nação soberana, equivalente nos meios diplomáticos internacionais a uma verdadeira declaração de guerra contra o povo da Bolívia.

O governo Obama vem sendo desmoralizado internamente (pela esquerda e direita) neste novo episódio que revelou o óbvio para qualquer cidadão minimamente esclarecido, a internet e suas “redes sociais” estão sob controle mundial direto da CIA.
O suposto “técnico” da inteligência ianque, Snowden, hoje perseguido pela própria CIA, vem denunciando o que os marxistas revolucionários já afirmavam há muito, a manutenção da hegemonia planetária norte-americana passa necessariamente pelo controle absoluto da transmissão de dados e informações pela rede mundial de computadores.
Ainda é cedo para aferirmos as reais intenções de Snowden ao fugir dos EUA para a China e passar a denunciar de espionagem o governo que um pouco antes servira.
Mas independente das ligações “secretas” de Snowden, sua captura é hoje uma questão de honra para o império, fazendo com que Obama subordine a autonomia de nações inteiras aos seus interesses de “segurança nacional”.
Que os governos lacaios da direita conservadora europeia batam continência a Obama, nenhuma surpresa, mas a postura servil do Partido Socialista francês e do presidente François Hollande gerou repugnância a todas as forças democráticas que combatem o nazifascismo mundial, hoje disfarçado de imperialismo “republicano”.

Hollande não passa de um gerente neoliberal de “segunda” do capital financeiro europeu, servindo à Casa Branca para transformar a França em base aérea colonial norte-americana.

A ameaça realizada por Hollande contra a vida do presidente Evo Morales, corresponde historicamente à humilhação imposta pela Alemanha a França, quando invadiu seu território e obrigou a fuga do então presidente Charles de Gaulle.

Caso Evo resolvesse desobedecer as ordens do governo “socialista” francês, seguindo normalmente sua viagem, caças Rafale já estavam prontos e autorizados para abater o avião da Bolívia, o que só não aconteceu por um recuo tático em função da permissão que a Áustria concedeu ao pouso “vigiado” da comitiva presidencial de Evo.

Mas se a França sob a gerência “socialista” mostrou-se como um entreposto militar dos EUA, o governo petista no Brasil também revelou sua subordinação política ao amo imperial.

Primeiro o Itamaraty negou o pedido de asilo feito por Snowden, contrariando a tradição da própria diplomacia brasileira que já abrigou até assassinos confessos como o general Alfredo Stroessner. Quando Evo estava sequestrado na Áustria, sob escolta da OTAN, nem o chanceler Patriota nem a própria presidenta Dilma foram encontrados para se pronunciarem, em contraste com seus colegas do Mercosul, Argentina, Uruguai, Venezuela e Equador.

Depois da liberação da Áustria, onde finalmente foi reabastecido após a constatação de que Snowden não se encontrava ali, o avião de Evo seguiu para uma escala no Brasil, onde desembarcou no aeroporto de Fortaleza.

Esperava-se que no mínimo depois da brutal agressão sofrida, o presidente Evo fosse recebido no Brasil por Dilma ou no mínimo por um de seus ministros, como um ato simbólico de desagravo latino-americano contra o governo Obama e sua corja europeia.

Mas o que se viu em Fortaleza foi o presidente de um país amigo ser recepcionado por um funcionário de “quinta” no staff do Ministério das Relações Internacionais.

Diante da agressão à soberania da Bolívia, considerada como um ataque à autonomia de todas as nações latino-americanas, a UNASUL convocou uma reunião de emergência para deliberar sobre a questão, mais uma vez o governo neoliberal do PT se acovardou e não enviou nenhum ministro ao encontro, em contraste com a presença de quase todos os presidentes membros da entidade.

Finalmente, e para não passar em branco, somente quando Evo chegou a La Paz, Dilma emitiu um tímido comunicado oficial em solidariedade ao governo boliviano.

Para os que ainda defendem o suposto caráter anti-imperialista do governo da Frente Popular fica a lição deste episódio de seqüestro internacional de um presidente latino-americano, onde Dilma ficando bem atrás do próprio nacionalismo burguês de nossa região, demonstra sua subordinação visceral com o imperialismo ianque.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Plebiscito, vitória da seleção e jornada de “lutas” da CUT só no dia 11, três ingredientes de uma receita para “esfriar” as mobilizações populares

   
  Por Liga Bolchevique Internacionalista

A presidente Dilma acaba de enviar ao Congresso Nacional sua proposta de um plebiscito para debater temas da reforma política.
 A iniciativa do governo anunciada um pouco depois da retirada da fracassada “sugestão” de uma constituinte específica, ocorre no clima de “euforia nacional” após a “consistente” vitória da seleção brasileira na Copa das Confederações e no marco do refluxo dos multitudinários protestos de rua, cujo “ápice” seria a convocação de uma greve geral, “traficada” pela burocracia sindical na forma de um dia nacional de “lutas”, somente marcado para o próximo dia 11 de julho (quase um mês depois do inicio das mobilizações nacionais).
Por seu turno, o PIG também se inclinou a pactuar com o governo uma “trégua” em suas convocatórias midiáticas para as passeatas, na medida em que não conseguiu centralizar o movimento com seu eixo “Fora Dilma”.
Até mesmo a tal “greve geral facebookiana” do dia 01/07 (muito temida pelos reformistas) foi esquecida totalmente, completando assim o quadro de certo esgotamento de um movimento de massas que não sabe que rumo político seguir.

Como primeira tentativa de dar alguma resposta as “ruas”, Dilma sugere uma constituinte específica para deliberar acerca da reforma política, tema de vital importância para o PT em função de sua “dependência” das oligarquias partidárias no Congresso Nacional.
Apesar do fiasco da proposta, rechaçada pela elite política do país temerosa de uma maior abrangência constitucional dos temas que poderiam vir à tona pela força da ebulição do momento, a idéia de uma manobra distracionista foi bem colocada pelo governo da Frente Popular, faltava “afinar” a pontaria conjuntamente com a “base aliada”.
Logicamente não poderia haver uma constituinte “limitada”, já que superada as barreiras impostas por um alto quórum no parlamento e aprovada sua convocatória, a constituinte é soberana para deliberar sobre todo o reordenamento jurídico e político do país.
Logo se observou um inusitado coro do arco da reação jurando lealdade máxima à constituição “progressista” de 88.
Como a anturragem de Dilma (incluindo sua equipe de marketeiros) não pretende dar nenhuma vazão minimamente democrática à crise, retirou a proposta da constituinte da mesa e lançou a caricatura de um plebiscito manipulado, com cinco pontos para a deliberação popular: 1) Financiamento das campanhas eleitorais, 2) Definição do sistema eleitoral, 3) Continuidade ou não da suplência no Senado federal 4) Manutenção ou não das coligações partidárias, 5) Voto secreto ou não dos parlamentares no Congresso Nacional. 
Este plebiscito pode representar uma das maiores farsas políticas da recente história republicana do país, só comparada ao colégio eleitoral de 84 e a eleição fraudada de Collor de Mello em 89.

Em nada “responde” às demandas populares vocalizadas nos protestos, e no sentido contrário representa um “arranjo” constitucional entre as frações políticas dominantes.

O PT seria beneficiado com o financiamento estatal das campanhas eleitorais, já o Tucanato tem muito a ganhar com o sistema do voto distrital, ficando o fim das coligações proporcionais como uma área de interseção comum entre os grandes partidos burgueses.

 Obviamente, não se perguntará ao povo se ele deseja continuar pagando 450 bilhões por ano aos rentistas (por conta dos juros da divida interna), tampouco à população será indagada acerca das desonerações fiscais que o governo promove para as grandes empresas transnacionais e por último “nem pensar” em questionar se os trabalhadores estão satisfeitos “ou não” com os “salários mínimos” que percebem todo mês.

Na sequência do engodo Dilma “convoca” a sociedade civil para ser “auscultada”, equivocadamente logo comparem no Planalto o MPL, as centrais sindicais “chapa branca” (incluindo a CONLUTAS) e até o vacilante PSOL.

Para o PT é a hora de sair “das cordas” e passar à ofensiva nas manobras, exatamente no momento em que a direita e seus apêndices disfarçados ameaçavam tomar o controle das manifestações.

A CUT resolve convocar um arremedo de greve geral (dia nacional de luta), evitando que a iniciativa parta de outra vertente, de direita ou esquerda.

Na dispersão programática das mobilizações, ganha corpo o sentimento conservador “patrioteiro” e a justa radicalidade inicial do movimento da juventude contra a repressão descamba para ações isoladas, muitas vezes permeadas por infiltração de bandos lúmpens treinados pela própria polícia.

Um cenário ideal para o PIG passar a enaltecer o “sentimento cívico” (leia-se inofensivo) dos protestos e condenar os “atos de terrorismo” que supostamente seriam cometidos por grupos radicais de esquerda.

Para se contrapor a vertiginosa queda na pesquisa de intenção de voto, realizada pelo “insuspeito” instituto DATAFOLHA, Dilma pega carona no prestigio do “padrão Felipão”, anunciando que também receberá a seleção brasileira campeã da faraônica Copa das Confederações.

A mídia “murdochiana” parece ter conseguido com a nova conjuntura ao menos um objetivo parcial, ou seja “sangrar” a presidenta petista e garantir pelo menos um segundo turno em 2014.

O PIG se regozija do “dever cumprido” e faz a leitura que é hora de suspender a cobertura em tempo real das mobilizações de rua, para apostar suas fichas na produção eletrônica de seu candidatíssimo Joaquim Barbosa.

No campo da oposição Demo-Tucana também se encontram “vítimas”, e a primeira da lista foi a candidatura do senador Aécio Neves, considerado um “tradicionalista” diante dos “inovadores” JB e Marina Silva mais “antenados” com os novos tempos... e expectativas da classe média massivamente presente nos últimos protestos.

Como Marxistas Leninistas não fazemos nenhum tipo de fetiche teórico da espontaneidade das massas, ainda mais na ausência de norte programático e inexistência de uma direção classista e revolucionária.

Não custa lembrar aos que consideram como “revolução” toda mobilização popular, que o nazismo impulsionou as massas alemãs em torno de suas justas reivindicações por emprego e renda, contra a profunda deterioração social em razão da profunda crise econômica atravessada pelo país após a derrota na primeira guerra mundial.

As demandas populares manifestadas nos protestos nacionais são um inequívoco resultado da incapacidade do regime capitalista em satisfazer minimamente os anseios sociais dos trabalhadores, mas sem o protagonismo histórico do proletariado o movimento das massas pode facilmente girar a direita e convergir com interesses reacionários das classes dominantes.

Uma mobilização revolucionária pressupõe organismos de poder das massas (com o método de assembléias democráticas permanentes) agrupadas por um eixo socialista e influenciadas majoritariamente por um partido comunista.

 Estamos muito distantes desta situação e somente os charlatães revisionistas afirmam que a burguesia nacional visualiza a perda de seu poder de estado com esta dinâmica política expressa nas mobilizações populares.

O criminoso “aborto” de uma verdadeira greve geral foi um elemento decisivo no “esfriamento” da situação política, mantendo o movimento das massas nos estreitos limites da institucionalidade do regime da democracia dos ricos.

As "jornadas de luta" do próximo dia 11, lideradas pela burocracia sindical, apontam no sentido de um lobby voltado a mais uma sequência de “factoides” demagógicos do governo da Frente Popular.

A tarefa política da vanguarda classista consiste em permanecer mobilizando as massas pela esquerda, sem nenhuma trégua, imprimindo um conteúdo programático socialista em transição com as demandas mais elementares do proletariado.

Neste sentido permanece na ordem do dia a necessidade da preparação de uma greve geral “pra valer” (organizada pela base em cada local de trabalho), paralisando a produção do país inicialmente por 48 horas.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Quem é você?



Um cara me perguntou  através de um e-mail privado, logo após ter acessado e lido vários textos em um de meus Blogues e, prefiro manter a autoria no anonimato:

Mas afinal, quem é você mesmo?

Ora, retruquei respondendo assim que li o referido email:

Sou um dos mais de seis bilhões dos filhos de D´us que estão entre os mais de 20 bilhões de seres humanos que já passaram pelo planeta terra. 

Sou na verdade um dos filhos do nada que nasceram aqui na terra. Abandonado por pai e mãe e entregue a sorte da sobrevivência, vivi entre algumas famílias, tendo sido adotado e abandonado em internatos...

Menino de rua por um período eu considero-me vencedor, independente de fatores financeiros ou sociais. Militar aos 16 anos, eu desertei por questões políticas cerca de quatro anos após ter incorporado, ainda nos anos 70.

Marxista leninista com formação ao trotskismo ao longo de minha juventude, eu fui artesão/hippie, um seguidor ocasional de Bakunin, corretor de imóveis por impulso e necessidade, e funcionário público por acaso, além de ter sido líder comunitário e, um militante político polêmico e decidido durante muitos anos nos movimentos sociais de massa...

Sou um judeu convertido há uns seis anos, mesmo sabendo do anti-semitismo existente contra o meu povo (porque não?) pertencente ao judaísmo reformista.


Injustiçado ao longo da vida, confundido como marginal por muitas vezes, sou ficha limpa em todos os sentidos jurídicos e moral no mais amplo entendimento da palavra e, eu soube lutar como um bravo desde cedo.

Não tolero mentiras, enganações, falcatruas e promessas não cumpridas.

Conheci e acompanhei o crescimento de várias lideranças atuais da política nacional, tendo militado conjuntamente com estes, por longos períodos, desde quando não eram quase nada...

Sou um animal político combativo que ao longo das lutas percebi o quanto as massas são manipuladas pelos fatores econômicos, pelo fisiologismo barato, por interesses mesquinhos, e até religiosos de fachada, pela desesperança frente às dificuldades que passam, pela fome e misérias que vivem, pelo analfabetismo político no amplo sentido ideológico, pelas teologias mentirosas a serviço da eternização de seus dogmas perversos e criminosos, autênticos caçadores de hereges, e defensores disfarçados do capitalismo, do nacional desenvolvimentismo, que combate o internacionalismo e as etnias indígenas, ao induzirem-nas ao modo cristão da civilização branca, ao lhe roubarem o seu modo de vida primitivo, seu habitat virgem e inexplorado, ao se apropriarem das descobertas da biodiversidade, dos segredos da fauna e da flora, da natureza e dos rios, do sub-solo e, ao exercerem sem nenhuma contestação governamental, a monstruosa e lesa-pátria, biopirataria a serviço das potencias internacionais...

Somos presas fáceis diante dos gigantes letrados e ideologicamente formados, “representantes maiores da ideologia dominante”, que diante da formação medíocre (pela visão que nos têm), somos engolidos pelos supostos humanistas e pseudos socialistas, (na verdade, defensores ocultos da ideologia dos ricos) que, com suas bandeiras vermelhas (símbolo de sangue e luta), infiltradas nos movimentos sociais de fato, manipulam-nos ao seu bel prazer para nos conduzir aos seus banquetes eternos... 

Mas eu cansei, e não me acovardei, estou lutando e denunciando as injustiças sofridas, incluindo aí os atentados e as manipulações que sofri, e creio, por terem subestimado minha origem, meu caráter, minha honra e minha classe social...

Por desconhecimento de causa propriamente dito, por terem feito uma incursão despreparada nos movimentos sociais, por interesses escusos previamente definidos e, assim, cometeram crimes históricos por suas origens ideológicas...


Quem sou eu? Ora, eu sou o Carlão e meu nome de origem é Carlos Alfredo, assim queriam os meus progenitores, e assim quis esta sociedade corrupta e injusta ao trocarem o meu nome com 14 anos de idade para me chamarem de Carlos Alberto...



O HISTORIADOR VACILÃO E O XIS DA QUESTÃO


De vez em quando o Elio Gaspari toma emprestado o chapéu do Reinaldo Azevedo ...
Por Celso Lungaretti
Jornalista e escritor


Elio Gaspari, napolitano radicado no Brasil há quase sete décadas, é um homem de esquerda que, em 1968 e anos seguintes, abominava os movimentos contestatórios que sacudiam o mundo. 

Assim como o genovês Mino Carta, mantinha-se devoto do comunismo desvirtuado e burocratizado que  se desmanchava no ar, esfarelando-se sob o impacto das duas grandes primaveras, a de Paris e a de Praga. Virou as costas à juventude mais combativa que o Brasil já produziu e está resmungando até hoje contra quem verdadeiramente lutou, enquanto seus camaradas se omitiam e até sabotavam a resistência heroica que uns poucos Davis opúnhamos à legião de Golias da ditadura militar.

Nunca esquecerei o desgosto que nos causava receber notícias de morte ou torturas de companheiros queridos, simultaneamente com relatos dos esforços mesquinhos da direção do PCB para convencer seus militantes a não nos apoiarem em nenhuma circunstância, a não nos darem abrigo, a dificultarem o acesso a jornalistas de esquerda que poderiam fornecer-nos informações vitais, a não nos disponibilizarem médicos nas emergências, etc.

Chegou até a fazer publicar no principal jornal do partido (Voz Operária, se bem me lembro) a calúnia de que o comandante Carlos Lamarca seria instrumento da CIA. Sentíamo-nos esfaqueados nas costas pelos velhos stalinistas --que, como os leopardos, não perdiam as pintas, hostilizando os adversários pertencentes ao seu próprio campo com virulência muito maior do que a dedicada aos inimigos de classe.

Do ponto de vista moral, nosso martírio significou, para os Minos e os Gasparis, uma fragorosa e contundente derrota, com a qual não se conformam até hoje.  Por mais que eles nos tentem diminuir, somos muito respeitados pelas novas gerações, como os filhos do Brasil que não fugiram à luta.

Eu acrescentaria: salvando a honra do nosso país como os resistentes franceses salvaram a da nação deles. Nem uns nem outros fomos realmente vitoriosos, mas Jean Moulin e seus valorosos companheiros evitaram que a França ficasse para sempre identificada com o colaboracionismo do Marechal Pétain; e nós, que o Brasil ficasse identificado com os especuladores favorecidos pelo  milagre  econômico, tão escandalosamente eufóricos com sua prosperidade repentina quanto indiferentes ao festival de horrores que transcorria sob seus narizes.

Uma dor de cotovelo que atravessou as décadas explica a rancorosa cruzada movida em passado recente pelo Mino contra o perseguido político Cesare Battisti, sem nunca haver tido a dignidade de reconhecer que sua motivação real eram as antigas desavenças entre o (por ele) tão estimado Partido Comunista Italiano e os agrupamentos mais à esquerda.
A perseguição desmedida a Battisti só serviu para desmoralizar Mino 

No fundo, Mino continua até hoje furibundo com os revolucionários que confrontavam verdadeiramente a burguesia, enquanto o PCI traía suas bandeiras históricas, firmando um compromisso podre com a Democracia Cristã e ajudando a salvar o capitalismo.

Battisti era, para ele, um símbolo daquele repúdio generalizado ao aburguesamento do PCI. Incapaz de autocrítica, Mino não admite até hoje que o fracasso e decadência do  partidão  de lá se deveram exatamente aos conluios com os inimigos de classe, não à atuação dos  autênticos  que acertadamente repudiavam tais conluios (mas, levados ao desespero, acabaram incorrendo em excessos nefastos como o assassinato de Aldo Moro).

Gaspari, por sua vez, continua (tanto tempo depois!) furibundo com os  autênticos  de cá, por não nos termos resignado à impotência enquanto o PCB tentava  civilizar  a ditadura. 

Longe demais das ruas e próximo demais dos gabinetes palacianos, o  partidão  brasileiro sonhava com os militares abdicando do poder em benefício de lideranças paisanas como o governador de São Paulo, Abreu Sodré.

Daí ter convencido Sodré a comparecer e até a discursar nas festividades do 1º de maio de 1968, quando acabou sendo escorraçado do palanque a pedradas pelos trabalhadores do ABC e Osasco, com o apoio do movimento estudantil.

O historiador  vacilão  não nos perdoa por termos atrapalhado os planos conciliatórios do PCB, na verdade quiméricos; naquele tempestuoso 1968, a  linha dura militar acabaria prevalecendo de qualquer maneira sobre a turma do deixa disso!, nem que tivesse de forjar outras farsas como os atentados terroristas do guru maluco Aladino Felix (por ela controlado -- vide aqui).

Vale lembrarmos, p. ex., que o principal pretexto para a imposição do AI-5 adveio de um discurso sem a mínima importância que Márcio Moreira Alves proferiu, apenas para constar nos anais, numa sessão da Câmara Federal transcorrida às moscas. Sua diatribe inócua passaria totalmente despercebida se um jornalista de direita não a tivesse divulgado. E foi pra lá de exagerado o empenho da ditadura em cassar seu mandato. Tudo não passou de uma crise fabricada, enfim. 

Mas Gaspari quer porque quer culpar-nos pela radicalização do regime, nem que tenha de fazer eco às mais imundas falácias das viúvas da ditadura. Os velhos rancores o desnorteiam.

O EPISÓDIO 'ALGOZ E VÍTIMA'
Gaspari teve de indenizar Dulce Maia por falsa acusação 

Foi assim que, em 2008, Gaspari assumiu as mágoas da vítima casual de um atentado contra o consulado estadunidense em São Paulo, ocorrido quatro décadas antes: Orlando Lovecchio Filho teve o azar de estar estacionando seu carro no Conjunto Nacional, em plena madrugada, quando explodiu um petardo lá deixado.  

Indignado com a reparação que a Comissão de Anistia acabava de conceder a um suposto partícipe do atentado, Gaspari escreveu um folhetim lacrimoso sobre a diferença entre o montante a ele outorgado e o valor (inferior) recebido por sua suposta vítima. 

A polêmica provocada por Gaspari terminou miseravelmente para ele (veja mais detalhes aqui):
  • ficou esclarecido que o dito algoz  (Diógenes Carvalho) não era algoz, pois acusado falsamente;
  • Dulce Maia, também inocente da acusação que Gaspari lhe fez, processou-o e obteve vitória exemplar na Justiça;
  • constatou-se que, além de errar a identidade de dois dos quatro autores do atentado, Gaspari também o imputara à organização errada (tinha sido uma ação da ALN, e não da VPR); e
  • o único dos quatro ainda vivo lembrou haver sido processado por Lovecchio, vencendo a batalha jurídica por ter provado documentalmente que a perna do dito cujo não fora amputada em função do ferimento em si, mas sim porque a repressão ditatorial interrompera seu tratamento de emergência para interrogá-lo, só o devolvendo aos médicos quando a gangrena se estabelecera irreversivelmente.
Gaspari tinha duas opções:
  • desqualificar resistentes que, em extrema inferioridade de forças, confrontavam uma ditadura atroz e, no caso específico, não pretenderam atingir ninguém, tanto que programaram o atentado para horário inóspito; ou
  • soltar os cachorros contra um regime que arrancava um cidadão gravemente ferido de uma UTI  por mera suspeita de que fossem um militante atingido pela própria bomba. 
Ter escolhido o primeiro alvo diz muito sobre seu caráter.

Pior: omitiu a informação jornalisticamente mais importante de todo o episódio, aquela que comprovava a negação de socorro por parte de agentes do Estado. A responsabilidade das autoridades é sempre maior que a de particulares.

AGORA, UM DESCALABRO HISTÓRICO
Foi deplorável contrapor à passeata dos 100 mil um episódio tão menor  

O tiro pela culatra de 2008 não lhe bastou como lição: neste domingo (30), Gaspari voltou à carga, recriminando o esquecimento de um episódio menor (talvez por já ter saturado a todos, de tanto que foi explorado pela rede de propaganda ultradireitista) e contrapondo-o a outro infinitamente maior:
"No dia 26 de junho de 1968 aconteceram duas coisas. Às 4h30, de madrugada, o soldado Mario Kozel Filho, de 18 anos, estava na guarita de sentinela do QG do 2º Exército, no parque do Ibirapuera, e viu uma caminhonete C-14 vindo em direção ao portão do quartel. Desgovernada, ela parou num muro. O soldado foi ver o que era, e a C-14, com 50 quilos de dinamite, explodiu e matou-o. Horas depois, numa bela tarde do Rio, a passeata [dos 100 mil] saiu pela avenida.
Seis meses depois o governo baixou o AI-5, ninguém foi para a rua, e o Brasil entrou no seu pior período ditatorial. Não foi a passeata que levou a isso. Ela era o fim de um ciclo. A bomba e o interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época foram o início de outro.
...Festejando-se a memória da passeata, varreu-se para baixo do tapete a lembrança de um erro catastrófico. Passaram-se 45 anos e centenas de pessoas que participaram de atos terroristas se maquiaram como combatentes da causa democrática. Lutavam contra uma ditadura, em busca de outra, delas".
Esta ação, sim, foi da VPR. E no Congresso de Mongaguá, em abril/1969, a organização decidiu nunca mais reagir de forma tão pueril às provocações do inimigo (um comandante militar, em declarações à imprensa, qualificara os resistentes de  covardes, desafiando-os a irem enfrentá-lo  como homens  no seu quartel). 

Tais demonstrações de força foram, dali em diante, vetadas, tanto que a VPR se negou a fornecer a um grupo menor a dinamite por ele solicitada para mandar pelos ares a estátua do Duque de Caxias no Dia do Soldado de 1969.

A morte de Kozel constituiu-se mesmo num  erro catastrófico, até porque o recruta incidentalmente atingido não passava de um pobre coitado. Mas, nem de longe teve a importância que Gaspari lhe atribui, praticamente colocando-a no mesmo plano da maior e mais emblemática manifestação de protesto contra a ditadura dos generais.

Quando os cidadãos pegam em armas para confrontar tiranias, invariavelmente ocorrem incidentes deste tipo. A Resistência Francesa, p. ex., errou muito mais do que a brasileira, sem que a ninguém ocorra jogar-lhe isto na cara. Os franceses são gratos a quem correu riscos e se martirizou por eles.
Outro pretexto para o AI-5

Quanto à  presunção de que a ditadura  entrou no seu pior período  por causa de uns poucos atentados que passavam quase batidos quando as massas contestavam o arbítrio nas ruas, trata-se de uma falácia que Gaspari tomou emprestada das  viúvas da ditadura, sempre à procura de atenuantes para os massacres e atrocidades do regime militar.

A ordem, na verdade, foi inversa: a partir do  interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época, foram pinçados, aqui e ali, pretextos para submeter o país ao totalitarismo absoluto. Tudo serviu: os atentados realmente cometidos pela esquerda, os que a própria ditadura forjou, o discurso incauto de Márcio Moreira Alves e a recusa do Congresso em entregar sua cabeça, uma reportagem de capa famosa da revista Veja denunciando as torturas, etc.

E, com o Brasil praticamente sob estado de sítio, só restou aos resistentes o caminho da luta armada, cujas fileiras, até então numericamente insignificantes, foram em muito ampliadas, recebendo centenas de militantes antes dedicados ao trabalho de massas. Consequentemente, o que era secundário, quase irrelevante, em 1968, passou para o primeiro plano em 1969.

Outra falácia que Gaspari tomou emprestada dos Ternumas da vida  é a de que os resistentes lutávamos por outra ditadura. Historiador relapso, ele  esquece  que havia de tudo entre nós, inclusive católicos indignados com os  pecados  da repressão e dignos defensores da legalidade constitucional, passando por um sem-número de tendências da esquerda. O único ponto em comum era o repúdio à ditadura. 

Nós, da VPR, acreditávamos que, no  day after, seria criado um parlamento com a participação de todos os agrupamentos que haviam combatido o regime militar, para a definição das politicas a serem adotadas. Tínhamos clara consciência de que, inexistindo uma força dominante, as decisões deveriam ser consensuais,  jamais impostas, para não haver risco de cedermos a tentações autoritárias.

Finalmente, as perguntas que não querem calar:
  • por que Gaspari nos execra tanto por supostas e não concretizadas intenções, havendo uma infinidade de crimes efetivamente cometidos e provados, um número tão elevado de ações genocidas e hediondas da ditadura para ele deplorar?
  • por que Gaspari se escandalizou tanto com dois episódios infelizes que para nós representaram exceções, se as torturas foram sempre  regra  para a ditadura e as execuções de prisioneiros indefesos também viraram  regra, a partir de 1971? Uma ou outra situação que fugiu do controle deve ser mais recriminada do que massacres sistemáticos, levados a cabo como uma política de Estado?
Guiado por suas frustrações, Mino Carta fez patética figura durante o Caso Battisti; e Elio Gaspari se desmoraliza cada vez que lança suas catilinárias contra os resistentes que pegaram em armas, invariavelmente acabando por ecoar, como papagaio, a mais rançosa retórica da extrema-direita. 

Ambos deveriam procurar catarse no divã do analista, não no teclado.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Manifestação no Rio: Os verdadeiros comunistas não temem levantar as bandeiras do marxismo revolucionário


Por Liga Bolchevique Internacionalista

Neste domingo, 30 de junho, dia da final da Copa das Confederações, ocorreram no Rio de Janeiro novas manifestações no lastro da onda de protestos que sacodem o país. 

 Mais de 5 mil pessoas se concentraram desde as 10 horas na Praça Seans Penã na Tijuca e, logo depois, seguiram para as proximidades do Estádio do Maracanã, quando foram impedidos de continuar por diversas barreiras do Batalhão de Choque da PM.

Os manifestantes não só protestaram contra a farra bilionária do governo da frente popular com a construção dos estádios e a privatização do próprio Maracanã, mas levantaram uma série de reivindicações populares (tarifa zero, contra a repressão policial, em defesa do povo indígena e solidariedade a comunidade da Maré).

Traiçoeiramente, PSOL, PSTU, PCB e PCR trataram de organizar uma manifestação “ordeira e pacífica” pela manhã que acabou bem antes do jogo da seleção brasileira, justamente para conter a radicalidade do protesto.

Apesar disso, a onda patrioteira “verde-amarelo” insuflada pela mídia “murdochiana” tendo a frente à Rede Globo e a direita marcou presença na manifestação, a ponto de grupos nacionalistas de direita e fascistizantes hostilizarem a presença da coluna da LBI.

Em meio à polarização política no interior da marcha, a militância da LBI soube manter firme sua faixa em defesa da revolução e da ditadura proletária (Ver Fotos), fazendo uma clara delimitação ideológica com os setores de classe média reacionária presentes no protesto, que destilavam seu ódio de classe contra o comunismo.

Ao mesmo tempo, ao reafirmar a defesa de um programa marxista revolucionário na manifestação no Rio, a LBI se diferenciou claramente da “família” revisionista que busca estabelecer uma aproximação com estes setores políticos de direita visando desgastar eleitoralmente o governo Dilma, como se fosse progressivo a frente popular ser acossada pela reação burguesa!

No período da tarde (15 horas) houve nova concentração na Praça Seans Penã com a presença de outras correntes políticas de “esquerda” além da LBI, como Liga Operária-MEPR e FIST, além de grupos anarquistas e ativistas “Black Bloc”. Novamente estavam presentes grupos nacionalistas reacionários.

Apesar do boicote imposto pelo PSTU-PSOL-PCB-PCR, esta manifestação concentrou mais de 15 mil pessoas e chegou bem perto do Maracanã, sendo brutalmente reprimida pela PM e a Força Nacional de Segurança, que usou blindados, gás lacrimogêneo, sray de pimenta e balas de borracha, rompendo com o pacifismo pequeno-burguês imposto pelo revisionismo.

A LBI esteve na coluna de frente do protesto da tarde e nas duas atividades, nossa militância distribuiu milhares de panfletos denunciando a farsa em torno do “dia nacional de luta” convocado pela CUT, CTB e a CSP-Conlutas para o dia 11 de julho.

Longe de ser uma autêntica mobilização operária independente, o “protesto” que será organizado pela burocracia sindical de “direita” e “esquerda” é uma medida distracionista que não levanta sequer o aumento geral dos salários e o reajuste imediato para as categorias em campanha salarial neste segundo semestre, demandas que poderiam significar o primeiro passo para os trabalhadores aproveitarem as manifestações em curso no país para impor suas reivindicações ao governo Dilma e aos patrões.

Desgraçadamente, as centrais “chapa branca” farão um dia de mobilização apenas para distencionar a pressão de suas bases e para demonstrar que apóiam o governo e os supostos “avanços sociais”, declarando em palavras que “desejam mais” da gerentona petista e por isto são favoráveis ao impotente plebiscito proposto pelo Palácio do Planalto.

A CSP-Conlutas uniu-se à CUT e à CTB neste conluio justamente porque apesar de toda verborragia “em defesa das lutas” é contrária a radicalização dos protestos, desejando apenas desgastar o governo para que a sonhada “frente de esquerda” possa capitalizar os efeitos da onda de protesto no campo eleitoral, construindo o tal “terceiro campo” que pode até incluir Marina Silva!

De nossa parte, declaramos que os protestos devem seguir e uma verdadeira greve geral de 48hs já deveria ter sido convocada justamente para que o proletariado pudesse estar à cabeça das manifestações, impedindo que as marchas girem a direita, como desejam o PIG e a tucanalha.



A defesa da revolução e da ditadura do proletariado levantada pela faixa da LBI na verdade sintetiza em poucas palavras a única saída progressista estratégica para as mobilizações em curso no país.

Para ser conseqüente na luta contra os ataques do governo Dilma aos trabalhadores e a juventude faz-se necessário lançar mão de uma plataforma classista que oriente a luta direta das massas rumo ao socialismo, com a expropriação da burguesia, o fim do latifúndio e estabelecimento de um autêntico poder operário e popular.

Neste combate é necessário que a classe operária ocupe a cena nacional e levante suas demandas imediatas e históricas, exigindo aumento geral dos salários e o fim dos ataques as suas conquistas, o que concretamente significa construir uma verdadeira greve geral no país.

 Na medida em que o proletariado saia à luta acaudilhando as demandas populares, os setores de direita nas manifestações serão derrotados nas ruas e seu eixo de falsa moralização do regime político burguês relegado a marginalidade!

Porém, nesta luta política, os verdadeiros comunistas precisam combater não só os fascistas, neonazistas e a “nova direita” como o grupo “Anonymous” adeptos do “antipartidarismo”, mas os revisionistas que teimam em prostituir a bandeira do socialismo.

Nesse sentido, os que defendem a “Primavera verde-amarela”, como o PSTU e a CST, não fazem mais que tentar reproduzir no Brasil a vergonhosa política que defendem na Líbia e na Síria, de unidade com os “rebeldes” da OTAN em nome de combater governos que tem fricções com a Casa Branca.

No Brasil, o flerte que esses revisionistas fazem com a direita raivosa que defende nas manifestações “Fora PT” não representa nada de progressivo, porque não se baseia na construção de uma alternativa revolucionária dos trabalhadores, ao contrário, a direita que empunha esta bandeira é a mesma que acusa a esquerda revolucionária de ser parte da “canalha comunista”!

Por isto, somente a defesa clara da revolução e da ditadura proletária pode separar o joio do trigo, ou seja, levantar um programa que dê um claro corte de classe as manifestações, preparando pacientemente uma saída operária e socialista para o esgotamento do regime político burguês.

Desde a histórica manifestação ocorrida hoje à tarde no Rio de Janeiro, temos orgulho de dentro de nossas modestas forças ter dado o combate em defesa da revolução, da ditadura do proletariado e do socialismo revolucionário, sem temer levantar as nossas bandeiras vermelhas, com a foice e o martelo que simbolizam o comunismo, tendo inclusive enfrentado a repressão para mantê-las erguida!

Na viva trincheira da luta de classes, defendemos a construção do partido leninista e demos o combate ideológico para que a juventude e os trabalhadores tomem em suas mãos as tarefas políticas pendentes, não deixando que a reação burguesa, valendo-se da profunda confusão ideológica mundial que vivemos desde a queda da URSS e do Muro de Berlim, ganhe terreno em meio ao esgotamento do regime político burguês.