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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Lamarca - O Capitão da Guerrilha - VPR


O filme de Sérgio Rezende acompanha os dois últimos anos da vida do Capitão Carlos Lamarca (Paulo Betti), desde o momento em que, casado com Marina, decide fazer uma opção radical pela revolução enviando a mulher e os dois filhos para Cuba e desertando do Exército em janeiro de 1969 até a sua morte em 1971. 

Na clandestinidade, ligado à Vanguarda Popular Revolucionária, Lamarca comanda assaltos e sequestros, apaixona-se por Clara e amadurece em suas convicções políticas. Começa a sofrer, também, a perseguição sem trégua do delegado Flores, e depois do Exército, sob o comando de um major determinado a derrotar a qualquer preço o traidor da bandeira.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Justiça fulmina a nova falácia do Governo Alckmin




Infelizmente alguns artigos merecem e precisam ser lidos pelo povão.

Na verdade, são artigos muito importantes para a juventude e parcela da militância, e que às vezes são jogados de escanteio por entendimentos alienígenas a aqueles que no futuro formariam os próprios movimentos.

Quer seja pela formação adquirida ao longo do processo de construção da cidadania (termo popular muito utilizado pela Teologia da Libertação), ou mesmo através da informação correta passada pelos meios alternativos como os Blogues. Porque não?

Eu me refiro (que me perdoem) aos critérios (ou regras) criados pelo CMI (Centro de Mídia Independente) que, na verdade, às vezes passa a imagem de ser um representante oculto da chamada Teologia da Libertação (no meu entendimento, Teologia da Mentira), ao menos aqui no Brasil tem essa similaridade e metodologia...

Ora, o foco central do CMI é unicamente nas informações específicas dos movimentos, que em síntese não podem, ou raramente é tolerado, serem avaliados como uma "janela" dos acontecimentos políticos ligados as ações de partidos políticos, quer seja do governo ou fora deste. 

Qualquer matéria que mencione com mais profundidade esse contesto já entra na "guilhotina" mesmo que seja sem vínculo partidário ou mesmo de propaganda que, é na realidade a maior preocupação do Centro de Mídia Independente...

Na chamada seção de "Artigos Escondidos" existe uma infinidade de jóias preciosas do ponto de vista literário e político, como esta curta, mas objetiva matéria do Jornalista e escritor de Celso Lungaretti que coloca no campo das idéias demonstrando com muita propriedade de quem tem a idade e a vivencia do próprio período de exceção (Ditadura Militar e o  AI-5), na realidade, essa aberração tendenciosa de fascistização pelo qual vem caminhando a vários anos o governo de Geraldo Alckmin com a anuência oculta do governo Dilma Rousseff... 

Da LBI, de militantes sociais históricos, de petistas, de avulsos e de anarquistas, ali na seção “Artigos Escondidos” existe um "caminhão" (sic) de artigos de caráter político e ideológico interessantes pela suas origens revolucionárias, um adendo crucial na formação de novos quadros... 

É uma pena, como se diz popularmente, que essa literatura de conteúdo social – cientifico não chegue como deveria para aqueles que dela mais precisam...

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Por Celso Lungaretti 10/10/2013 às 21:43


"...as 'otoridade' parecem considerar brandas demais as leis realmente aplicáveis e fazem verdadeiros contorcionismos para enquadrarem nossos 'indignados' em outras que possibilitem condenações mais pesadas..."


O Governo Alckmin, que já deveria ter sido encerrado pela via do impeachment por haver cometido crimes gravíssimos na desocupação do Pinheirinho (vide aqui:  http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2012/06/confirmado-pm-matou-idoso-na-barbarie.html), tentou agora enquadrar participantes de manifestações de protesto na Lei de Segurança Nacional, um entulho autoritário retirado da lixeira da História pelo delegado titular do 3º distrito policial, Antônio Luis Tuckumantel --cuja nostalgia pelos instrumentos jurídicos dos regimes de exceção foi, aberrantemente, compartilhada pelo Ministério Público! 

As viúvas da ditadura não nascem, brotam. Como as ervas daninhas. 

Segundo Gustavo Romano, mestre em direito pela Universidade Harvard, as 'otoridade' parecem considerar brandas demais as leis realmente aplicáveis e fazem verdadeiros contorcionismos para enquadrarem nossos 'indignados' em outras que possibilitem condenações mais pesadas. Daí a forçação de barra carioca (considerá-los membros de organizações criminosas) e a paulista (fingir que protestos corriqueiros constituiriam formidável ameaça à segurança nacional). 

Sobre a última falácia, ele argumenta: 

"Os manifestantes estão tentando mudar o regime vigente (artigo 16) ou impedir o exercício dos poderes da União ou dos Estados (artigo 18)? Vale lembrar que uma referência frequente às manifestações é a ausência de uma agenda clara. Se não está claro qual o objetivo, como dizer que atenta contra a segurança nacional? 

Mas ainda que decidamos que a LSN é aplicável, há o problema de se devemos usá-la para ajustar nosso relógio democrático. A atual LSN surgiu em 1983, na última ditadura, e é uma variação de outras leis do governo Vargas e reinventadas nos anos 1960 e 70. Todas tiveram o objetivo de suprimir movimentos que ameaçassem o ditador de plantão. 

E é essa sua linhagem histórica que nos obriga a ponderar se o uso de uma lei criada para proteger ditaduras é a melhor solução na preservação da democracia". 

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que NÃO, ao determinar nesta 4ª feira (9) a libertação do casal Luana Bernardo Lopes e Humberto Caporalli. 

Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja que pateticamente se ufana de haver tido a ideia de jerico de pedir a aplicação da LSN ("Porque eu defendo, sim, o enquadramento dos terroristas nessa lei. Na verdade, fui o primeiro a tocar no assunto, ainda no dia 14 de junho"), espumou de raiva --vide em  http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-lei-de-seguranca-nacional-e-os-vandalos-ou-uma-questao-de-vergonha-na-toga/. 

O governador Geraldo Alckmin, ao constatar a indignação com que seu balão de ensaio foi recebido pela cidadania, fingiu que não era com ele: 

"Eu não sou professor de direito, nem advogado. Mas acho que não [seja necessária aplicação da LSN]. O que acontece é baderneiro cometendo crime". 

Será que a duplicidade foi uma das orientações que ele recebeu do Opus Dei?

Texto disponível no site do Centro de Mídia Independente (na seção "Artigos escondidos" e também no Blogue Náufrago da Utopia

sábado, 29 de junho de 2013

STJ tenta novamente entregar Battisti a Itália, “Movimento de Esquerda nas Ruas” deve levantar sua defesa!



Por Liga Bolchevique Internacionalista


Somos Todos Cesare Battisti!

A decisão do ex-presidente Lula, tomada no último minuto do seu segundo governo, de conceder um indulto ao ex-ativista italiano e preso político (no Brasil) Cesare Battisti, não foi digerida pelas forças mais reacionárias do país e em particular pelo PIG “vanguarda” na campanha pela sua extradição para a Itália.

Agora a reação volta a carga contra Battisti fazendo com que o STJ decida condená-lo por falsificação de documentos do serviço de imigração brasileira.

Trata-se de uma verdadeira chicana jurídica, totalmente à revelia da jurisprudência democrática e dos direitos civis.

A decisão da permanência definitiva de Battisti coube a Lula depois de uma longa batalha judicial, na qual o governo imperialista italiano mobilizou todos os recursos possíveis no Brasil para a deportação do ex-dirigente comunista acusado injustamente de cometer “crimes de sangue” em seu país de origem.

Primeiro Battisti teve cassada pelo STF sua condição de refugiado político, concedida inicialmente pelo CONARE com o voto contrário do então ministro da justiça Tarso Genro.

Depois o próprio STF, então presidido pelo facínora Gilmar Mendes, deliberou por pequena maioria acatar o pedido de extradição de Battisti, feito pelo governo Berlusconi.

A decisão final da entrega de Battisti a Itália coube ao presidente da República, que resolveu seguir o parecer da AGU indicando que o preso poderia sofrer perseguição da justiça italiana em função do seu passado comunista.

Apoiando- se no artifício legal que Battisti não possui mais a condição permanente de refugiado político no Brasil e sim de indultado pela gestão anterior da presidência, o STJ finalizou um outro processo de extradição (agora por falsificação de documentos públicos) que deverá desembocar novamente no STF.

A manobra da reação consiste em reabrir na mídia burguesa o “caso” Battisti, tratado pelo PIG como um perigoso terrorista vivendo em território brasileiro.

Como a condenação de Battisti deve seguir para o STF, agora presidido pelo “herói” nacional Barbosa, o PIG espera que seus “funcionários” da alta corte decidam mais uma vez entregar o “símbolo do terrorismo comunista” para ser penalizado com a prisão perpétua na Itália.

Seguindo a estratégia da reação a “batata quente” cairia no colo de Dilma para outra “decisão final”, que acossada pelo PIG neste momento delicado por que passa o pais, decidiria por consumar a deliberação do STF.

A postura vacilante do governo da Frente Popular em relação a liberdade de Battisti, primeiro com a posição contrária de Tarso e depois com a decisão de Lula tomada covardemente no último minuto do seu mandato, alimentou em muito as expectativas da direita recalcitrante em reverter a permanência de Battisti no Brasil.

A tendência do PIG é explorar a questão no período eleitoral de 2014, exigindo da candidata Dilma uma “posição firme” pela expulsão de Battisti.

Mas para chegar até a presidência o “caso Battisti” passará pelo STF, onde o atual presidente da corte votou anteriormente em favor de Battisti.

O PIG espera-se agora que Barbosa retribua os “favores recebidos”, e que também na condição de potencial candidato à presidência da república ceda as chantagens da mídia votando pela condenação de Battisti.

Nós da LBI fomos uma das organizações de esquerda que lideramos em 2010 a campanha pela concessão do asilo definitivo a Battisti.

Desgraçadamente, a totalidade do arco revisionista ausentou-se da campanha em defesa do ex-dirigente comunista do PAC, chegando ao ponto de corroborar com a versão “murdochiana” de que Battisti era realmente um “assassino” e portanto deveria ser julgado pelo justiça do imperialismo europeu.

Esta foi a vergonhosa posição do PSTU, que “honrando” suas “tradições” antileninistas defende a entrega de militantes de outras correntes oponentes para os braços da repressão do Estado capitalista.

Diante das ameaças a tarefa da defesa de Battisti coloca-se novamente vigente, exigindo da esquerda revolucionária uma firme posição diante do movimento de massas, em particular as mobilizações de rua que devem levantar a bandeira internacionalista do fim da perseguição política ao conjunto de militantes comunistas em todo mundo! 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

EXÉRCITO FAZ A COMISSÃO DA VERDADE DE GATO E SAPATO





 Por Celso Lungaretti -Jornalista e escritor

Logo que surgiram as primeiras especulações sobre quem integraria a Comissão Nacional da Verdade, dando como favas contadas que a presidente Dilma Rousseff honraria a INCONCEBÍVEL, INACEITÁVEL eDESONROSA promessa feita à bancada evangélica no Congresso,de não indicar nenhuma vítima direta da --militante torturado(a) pela-- ditadura de 1964/85, lancei minha anticandidatura, primeiramente como forma de protesto. 

NUNCA ADMITIMOS SER IGUALADOS AOS NOSSOS ALGOZES, que tentam justificar suas atrocidades com a  desconversa de que os dois lados cometeram excessos. E o veto tanto aos criminosos da ditadura quanto aos antigos resistentes significava exatamente isto, a presunção de que ambos seriam identicamente inconfiáveis.     

Pensei também numa remota hipótese de mexer com os brios da esquerda, fazendo com que ela saísse de sua tradicional posição majoritária de atrelamento incondicional ao governo petista (enquanto a minoritária é de apenas negar tudo que o governo do PT faz e ficar de fora criticando). Sonhava vê-la levantando a bandeira da não capitulação diante dos parlamentares reacionários.

A presença de pelo menos um membro aguerrido seria fundamental para dificultar a previsível acomodação diante da resistência da caserna à revelação da verdade. 

Alguém precisava pagar para ver quando os militares blefassem, como blefaram no célebre episódio do ultimatum do alto comando do Exército ao Governo Lula, em 2007 (vide aqui).  

Sabendo que meu nome não uniria a esquerda, várias vezes citei o companheiro Ivan Seixas, o grande responsável pelo resgate das ossadas de Perus, como segunda possibilidade. Se houvesse alguma mobilização para apoiá-lo, eu seria o primeiro a aderir, abdicando da minha anticandidatura.

Clamei no deserto. Os petistas e os caudatários do petismo se comportaram como tais e não como sobreviventes de uma carnificina na qual foram imolados alguns dos melhores cidadãos que este país já produziu. E os derrotistas deram a batalha por perdida sem sequer travá-la, como sempre.

Empossada há nove meses, o que essa domesticada comissão da verdade realmente produziu, afora a correção de um atestado de óbito famoso, retumbantes divulgações acerca do que todos estávamos carecas de saber e miudezas em geral? Valeu a pena a esquerda ter trocado a exigência de cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de punição dos carrascos do Araguaia, por prêmio de consolação tão ínfimo?

Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito do verdadeiro papel dessa CNV, a entrevista que o escritor Marcelo Paiva deu à Folha de S. Paulo neste sábado (09) é suficiente para as desfazer, ao revelar que, sob seu nariz, os militares sequestraram o arquivo confidencial do coronel Júlio Miguel Molinas, ex-chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro: 
"...um dia depois da morte dele [1º/11], houve uma operação do Exército que cercou a casa e levou caixas e caixas de documentos. A CNV é que deveria ter chutado a porta do cara com um grupo de investigadores de alto nível, porque afinal é uma comissão oficial do governo brasileiro. Devia ter pegado essas caixas".
Adiante, o Exército entregou à CNV apenas e tão somente os textos referentes ao assassinato de Rubens Paiva e ao atentado do Rio Centro. O que mais haveria? 

Nunca saberemos, pois, mesmo que a Comissão exija agora o acervo total, não haverá como determinar-se se foram subtraídos os documentos mais melindrosos. O Exército tem uma longa tradição de os incinerar, como até o Fantástico contatou, no episódio da base aérea de Salvador (vide aqui). 

Isto para não falar da grande queima de arquivos do segundo semestre de 1981, quando quase 20 mil documentos secretos foram reduzidos a cinzas (vide aqui).



LUTA TOTAL: Diante dos comentários do Jornalista Celso Lungaretti autor desta postagem, eu reforço com uma publicação que fiz no Jornal A Noticia, dias após os acontecimentos da Base Aérea de Salvador, veiculado pelo programa "Fantástico" da Rede Globo.



 Veja nesta matéria abaixo que segue no link com o título de: 


Queima de Arquivos na caserna

Carlos Alberto Bento da Silva
"Fico abismado e indignado ao ver documentos de importância vital para a história do Brasil serem queimados e jogados no lixo, ao arrepio da lei"


E


m 1970, aos 15 anos de idade, me alistei no serviço militar obrigatório e em 1971 já estava servindo no Exército. 

Entrei para o Pelotar do 22º Grupo de Artilharia de Campanha, em Uruguaiana/RS. 

O comandante daquela unidade militar, era o ten cel Dickson Melges Grael, um paraquedista. Em 1972, dei baixa do 22º GAC.

 Em janeiro de 1973 fui reincluído no Exército e designado a servir no 18º B.I.Mtz. 

Era integrante da 2ª Cia Op (Companhia de Operações Especiais), unidade especializada em contra-guerrilha e de assalto. 

A unidade era formada por vários paraquedistas e comandos de sobrevivência e guerra na selva. Da 2a Cia de Operações Especiais, alguns militares participariam da Guerrilha do Araguaia, mas não sei precisar o número. 

O treinamento era forte, faziam parte de uma coluna descaracterizada (a paisana, em atividades civis diversas). 

O que me deixava intrigado era o fluxo de presos civis no quartel. Era comum o translado de presos políticos de uma unidade militar para outra.

 As mais utilizadas eram a 1ª Cia de Guardas e o 3º BPE, além do QG do 3º Exército. O objetivo, era dificultar a sua localização. 

O fato de uma tropa de elite manter sob sua guarda prisioneiros políticos e civis já é motivo suficiente para se exigir a entrega de todos os documentos referentes a este período.

 A censura era uma constante até mesmo entre militares. Naquele momento e em várias partes do Brasil, as dependências do DOI-CODI (Departamentos de Operações Interna - Centro de Operações de Defesa Interna) e várias unidades do Exército estavam lotadas de pseudo subversivos. 

Muitos morreriam torturados, enquanto outros desapareceriam. Contrariado com tudo que presenciei e, passei a entender, decidi desertar. Saí de licença por uns dias e nunca mais retornei. 

A partir daí, minha vida mudou por completo. Em 1975 e após ter fugido para a Argentina, retornei ao Brasil e perambulei por vários Estados, levando uma vida esguia e anônima.

 No ano de 1981, em Porto Alegre, entrei numa lanchonete, deparei com o cabo Dias (armeiro da 2ª CIA OP), que avisou-me que eu estava sendo procurado. 

Para o Exército, naquele período, deserção é traição. No meu caso, a lei de anistia de 1979 teria validade? Assustado, em outubro de 1982 tentei asilo na embaixada da França, foi uma decepção.

 Hoje fico abismado e indignado de ver documentos de importância vital para a história do Brasil, ser queimados e jogados no lixo e, o que é pior, ao arrepio da lei e do estado de direito. 

Aos generais detentores de comandos importantíssimo e da segurança nacional, ficará o débito da cumplicidade e da autoria deste crime de lesa-pátria, que é a queima da memória e da história política recente. 

Ao presidente Lula fica patenteado sua incompetência e fragilidade frente a uma questão moral e jurídica que assola o País. 

Existem alguns generais que ainda se comportam como no tempo da ditadura e da lei do mais forte. Recentemente, o general brasileiro das tropas invasoras do Haiti dirigiu-se aos governantes brasileiros com arrogância.

 Toda vez que autoridades do governo Lula comentam alguma coisa sobre o período da ditadura militar, são prontamente rotulados de revanchistas. 

Da mesma forma acontece o recuo destas autoridades, que vacilam e temem alguma reação da parte de setores militares, que em nenhum momento acataram ou cumpriram a lei de anistia engendrada por eles próprios. 

A maior comprovação está na reação, no monitoramento e no fichamento de lideranças políticas e militantes dos movimentos populares em todo o Brasil. 

Recentemente, lideranças populares de São Paulo denunciaram este tipo de ação patrocinada pelo governo Alckmin. 

Ao presidente Lula, caberá demitir e afastar todo e qualquer funcionário público envolvido nestas ações criminosas, incluindo aí os militares, que são pagos com o dinheiro dos impostos recolhidos da população.

Carlos Alberto Bento da Silva, militante do PSTU em Florianópolis





quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

EX-RESISTENTES DEVEM FICAR FORA DA COMISSÃO DA VERDADE?

Texto de: Celso Lungaretti*

No meu artigo Comissão da Verdade: por que parou, parou por quê?, afirmei que "mais do que a mim mesmo, gostaria de ver na Comissão o companheiro Ivan Seixas, por sua atuação incansável contra os carrascos da ditadura e pelo magnífico papel que desempenhou no episódio das ossadas de Perus".






A companheira Tânia Veiga, participante destacada de fóruns de discussão da internet como o Portal Luis Nassif, levantou, nos comentários, uma objeção que deu ensejo à troca de idéias abaixo sobre a participação de ex-resistentes e figuras ligadas à ditadura na Comissão Nacional da Verdade.

Acredito que, no mínimo, sirva para lançar algumas luzes sobre o assunto --o que já justifica sua reprodução.





TÂNIA: IVAN SEIXAS NÃO

PODE, POR SER ATINGIDO





Ivan Seixas não pode, por ser atingido. Mas há muitos outros nomes interessantes.






CELSO: UM GOVERNANTE PRECISA

MOSTRAR CORAGEM POLÍTICA





Eu discordo totalmente do critério de que vítimas não possam participar. Carrascos, sim, têm de ser impedidos.

É uma daquelas ocasiões em que um governante precisa mostrar coragem política --como o Lula, quando não se vergou às pressões italianas no Caso Battisti.

E eram pressões bem maiores do que as de parlamentares reacionários.





 TÂNIA: DEVEMOS ENTENDER AS
REGRAS DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO


Justiça de Transição é uma área do direito recente, mas muito bem sedimentada, nascida no Tribunal de Nuremberg.


Se queremos que a Comissão da Verdade seja respeitada por que podemos vetar a participação dos carrascos e podemos aceitar a participação das vítimas? Essas devem relatar suas histórias e não participar das decisões. Isso que se deve entender! Como podemos pedir isenção se um dos participantes for atingido?





Se queremos que toda a sociedade aceite e respeite as decisões da Comissão devemos entender essas regras da Justiça de Transição!



CELSO: JAMAIS SERÍAMOS CAPAZES

DE LINCHAR MORALMENTE ALGUÉM



Não se pode igualar carrascos e vítimas, nem dar aos primeiros os direitos de réus.





Por um motivo óbvio: não se trata de um julgamento, mas sim de uma investigação histórica, para produzir um veredicto oficial sobre o período de exceção.





E não há hipótese nenhuma de que as autoridades e os agentes da ditadura sejam inocentes: são, de antemão, culpados. Conspiraram e derrubaram um governo legítimo, governaram sob terrorismo de estado e cometeram atrocidades de todo tipo.


A própria instituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos já implicou o reconhecimento de que houve arbítrio, houve vítimas do arbítrio e, consequentemente, culpados do arbítrio.


O que está agora em pauta é definir-se exatamente o que foi cometido e por quem, com finalidades históricas e não punitivas.


Neste sentido, cabe, sim, a participação de antigos resistentes, insuspeitos de tendenciosidade ou ânimo linchador.


P. ex., existe qualquer dúvida quanto à imparcialidade e espírito de justiça de Jacob Gorender, ex-dirigente do PCBR?


Você colocaria em dúvida minha imparcialidade e espírito de justiça?


Evidentemente, nós dois condenaremos esses carrascos, EM BLOCO, até o dia da nossa morte.


Mas, quanto às responsabilidades individuais, jamais seríamos capazes de linchar moralmente alguém. Talvez até lhes concedêssemos mais o benefício da dúvida do que quem não foi resistente.




E por que nós poderíamos participar da Comissão e não eles?


Pelo mesmo motivo que os nazistas foram julgados por seus inimigos em Nuremberg: em razão da monstruosidade dos crimes que cometeram.





Sendo que, lá, produziram-se condenações à morte.

Aqui se produzirá apenas um relatório.


Por tudo isto, eu repudio enfaticamente a falácia de parlamentares direitistas, viúvas da ditadura ou corvos que ela criou --pois foram eles que primeiramente impugnaram a participação de antigos resistentes na Comissão.

Faz sentido na lógica deles, de considerarem que os dois lados cometeram crimes.


Não faz sentido na lógica da civilização, que condena os crimes dos déspotas, mas reconhece o direito dos cidadãos de resistirem à tirania, inclusive pela via armada.


Então, faço um veemente apelo à presidente Dilma, que num dia longínquo de 1969 conheci como companheira Vanda: não cooneste tal falácia dos inimigos de ontem, de hoje e de sempre.


Sabendo que as práticas ditatoriais são indefensáveis numa democracia, já desistiram de eximir-se de suas culpas.


Tentam, isto sim, igualar-nos a eles, puxar-nos para baixo, para seu esgoto moral e para a lixeira da História.

É hora de dar-lhes a resposta digna e altaneira que merecem.

(*) Jornalista e escritor

Disponível em: http://ousarlutar.blogspot.com/2012/01/ex-resistentes-devem-ficar-fora-da.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FvhpL+%28Ousar+Lutar%21%21%21+Ousar+Vencer%21%21%21%29