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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

NESTE 21 DE JANEIRO 93 ANOS NOS SEPARAM DA MORTE DE LENIN E COM PLENO ÊXITO A LBI RELANÇOU NA MESMA DATA NA LIVRARIA CULTURA “O MARXISMO E A INSURREIÇÃO DE OUTUBRO”, UMA OBRA FUNDAMENTAL DE NOSSO CHEFE REVOLUCIONÁRIO!

Por Liga Bolchevique internacionalista


Ocorreu ontem, sábado (21/01), na Livraria Cultura o relançamento de uma obra fundamental do pensamento de Lenin, a brochura “O Marxismo e a Insurreição de Outubro”, cuja vigência histórica se reafirma em cada combate do proletariado mundial em uma etapa de profunda crise estrutural do modo de produção capitalista contemporâneo, elaborada por Lenin nos meses que precederam a Insurreição em 1917. O evento que foi coordenado pelos camaradas Candido Alvarez e Marco Queiroz, respectivamente Secretário-geral e Porta-voz da Liga Bolchevique Internacionalista, contou com amplo interesse de cerca de cinquenta convidados e leitores que passavam pela livraria e se interessaram em participar da arrojada atividade política em tempos de brutal ofensiva ideológica reacionária, ocorrendo um coquetel do lançamento após o evento.



A obra de Lenin reafirma a necessidade da utilização de uma ferramenta teórica para conduzir as massas operárias no sentido do triunfo da insurreição socialista, justamente o Marxismo! Sem um norte programático as lutas espontâneas ou econômicas da classe trabalhadora acabam se dissipando no reformismo vulgar e que facilmente podem ser absorvidas pelo capitalismo e suas múltiplas formas de gerenciamento político. No ano em que iremos comemorar os 100 anos da gloriosa Revolução de Outubro, muitos oportunistas estarão dispostos a “festejar” a tomada de poder pelo Partido Bolchevique na antiga Rússia, afirmando que o Leninismo está ultrapassado e precisa ser revisado, este é o caso do grupo social-democrata MAIS, uma recente ruptura do PSTU. Os Marxistas da LBI, que publicaram originalmente esta obra de Lenin em 2007, desenvolvem uma ousada campanha publicitária de resgate do pensamento Leninista, no caminho inverso das tendências "modernosas" da esquerda burguesa, que sequer registraram os 93 anos a morte de Lenin. Não dissociamos a concepção Leninista do partido da classe operária da razão histórica da vitória da revolução bolchevique, por isso mesmo celebramos conjuntamente Lenin e Outubro!



sábado, 14 de janeiro de 2017

Qualquer cidadão pode filmar ou registrar ações policiais em movimentos grevistas ou protestos sociais, incluindo ações policiais, segundo a Constituição Federal


Por Carlos Alberto - Jornalista e blogueiro

Então... Eu filmaria, documentaria e publicaria tudo aquilo que achasse ser de interesse da comunidade e da sociedade como um todo, e isso também é direito de qualquer cidadão. Não há autoridade em qualquer esfera dos poderes, que possam impedir os livres direitos de expressão e exercício profissional de nossa categoria, salvo em situações excepcionais de segurança nacional. Minha DRT é 0004028/SC. Fica aqui a nossa solidariedade ao companheiro jornalista, que não tem que se submeter aos caprichos de funcionários públicos que estejam em dia de trabalho, desde que essa ação não atrapalhe ou interrompa alguma operação policial em andamento, devidamente comprovadas. 

Como neste vídeo abaixo, é importante compreender e não se intimidar perante quem se acha acima da lei. Policial do 43º BPM Enquadrou Jornalista na saída do Hospital São Luiz Gonzaga no Jaçanã, o Local estava tenso devido desinteligência no local com pacientes, a mesma saiu e tentou intimidar o profissional pedindo documentação e fazendo algumas ameaças.


A lei e a Constituição Federal garantem o direito do cidadão e de profissionais de imprensa de filmar e registrar qualquer ação policial, se assim entenderem...

Por Caldeirão jurídico

O Direito de Imagem e a ação da polícia em movimentos grevistas e/ou protestos sociais

    Bem, talvez nunca tenha se falado tanto em direito de imagem quanto atualmente devido os protestos que estão ocorrendo Brasil a fora, as reivindicações são diversas, dentre elas: saúde, educação, segurança pública, melhorias no transporte público e redução das tarifas deste, repúdio à corrupção, melhor distribuição de renda, repúdio aos gastos excessivos com a Copa do Mundo, etc... A questão é, em meio aos manifestantes pacíficos há aqueles que se infiltram para se aproveitar da situação e cometerem delitos, como furtos e dano ao patrimônio público e particular, estes são os *vândalos, daí a ação da Polícia (enquanto instituição) ser repressiva com o intuito de manter a ordem pública, mas, ações de alguns grupos de policiais tem causado grande polêmica, pois, praticam seu dever com excesso e assim causam danos a terceiros, isto é, cidadãos que deveriam estar sob a proteção desses policiais contra o vandalismos são classificados como vândalos (em uma generalização causada pelo medo e pelo abuso) e sofrem os efeitos de bala de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

    Assim, diante das violentas agressões dos policiais, a população descobriu que sua maior arma é o registro de imagens e vídeos que comprovem os abusos cometidos por esses agentes públicos fardados, isto porque, em razão da função pública que exercem, gozam de fé pública, de modo que a palavra de um cidadão contra a de um servidor público (como no caso dos policiais) perde sua força, presumindo-se verdadeiro o que foi dito pelo servidor público, a não ser que haja prova em contrário.

    Atentos ao poder que a população tem com uma câmera filmadora em mãos, muitos policiais "confiscam" os aparelhos de filme ou foto dos manifestantes ou mesmo ordenam que os manifestantes cessem as filmagens como argumento de que não autorizaram as gravações e que tais gravações lesionam seu direito de imagem. Pois bem, eis o ponto chave da questão, os dois procedimentos estão errados e são ilegais, considerados assim abuso de autoridade e, portanto, passível de punição consoante os ditames do Código Penal Militar (CPM), bem como ainda, sendo passível o fato de apuração mediante sindicância interna junto à Corregedoria da Polícia Militar.

    Ora, "confiscar" bem alheio e não devolver é crime tipificado pelo art. 259 do CPM, sendo assim considerado dano simples pelo referido dispositivo legal, cuja pena é a detenção de até seis meses. Já no caso em que o policial "confisca" sua câmera para impedir as gravações e lhe entrega depois de terminado o protesto, ocorre nesse momento um crime contra a liberdade amoldando-se como constrangimento ilegal tipificado pelo art. 222 do CPM que assim dispõe "Constranger alguém,mediante violência ou grave ameaça,ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer ou a tolerar que se faça, o que ela não manda:" . Isto porque, consoante ainda o disposto pelo art. 5º, II da Constituição Federal da República de 1988 (CFR/88) "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" e, não há lei que impeça um cidadão de registrar as ações da polícia em um movimento grevista ou protesto social, pois, tal ato em verdade mais se parece com censura expressamente repudiada pela nossa legislação pátria.

    De outro bordo, a ordem para que os manifestantes ou grevistas cessem as filmagens, também se amolda como censura, repudiada pela CFR/88. A CFR/88 cogita da liberdade de expressão expressamente em seu art. 5º, IV ao dispor que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" e no inciso XIV do mesmo artigo " é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional", e também no art. 220, quando dispõe que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta constituição", e ainda o §1º "Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV e §2º 'É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística'".

    Ainda nesse trilhar, não há ainda que se falar em direito de imagem pelos policiais militares em tais casos, isto porque, consoante Acórdão do STF no julgamento da ADPF nº 130 que derrubou a Lei de Imprensa, dispensando assim a necessidade de diploma para que alguém seja jornalista, é preciso assegurar primeiramente a “livre” e “plena” manifestação do pensamento, da criação e da informação para, somente depois, cobrar do ofensor eventual desrespeito a direitos constitucionais alheios, “ainda que também densificadores da personalidade humana”.


    A corte registra também que, em se tratando de agente público, ainda que injustamente ofendido em sua honra e imagem, "subjaz à indenização uma imperiosa cláusula de modicidade. Isto porque todo agente público está sob permanente vigília da cidadania. E quando o agente estatal não prima por todas as aparências de legalidade e legitimidade no seu atuar oficial, atrai contra si mais fortes suspeitas de um comportamento antijurídico francamente sindicável pelos cidadãos". Ou seja, para os ministros a crítica jornalística sobre esses agentes não é suscetível de censura, mas, não está livre de reparação por danos morais quando preenchidos os requisitos de caracterização deste.

    Ademais, tal ordem para cessar as filmagens é considerada censura, não podendo ainda ser exigido que o portador da câmera seja jornalista credenciado para registrar os momentos da greve ou protesto social, uma vez que qualquer cidadão portando uma câmera pode ser considerado jornalista, além do que, o mero registro da imagem do agente investido na função pública e, portanto, sob constante vigília da cidadania não é capaz de gerar dano.

    Portanto, não se deixe levar pelos atos abusivos de certos policiais que não entendem corretamente qual é o seu dever perante à sociedade. Tenha uma coisa sempre em mente, geralmente, quando o exercício de um direito chega a causar dano ao direito de outrem, é porque algo está errado, ou agente do direito o está exercendo em excesso, ou totalmente ao arrepio da lei. Digo geralmente, porque devemos observar o princípio da "Supremacia do interesse público sobre o particular", sendo no caso em tela de interesse público a informação, de modo que, não se pode justificar a censura praticada por alguns policiais sob o argumento de tal princípio.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

NOVA ESQUERDA PRETENDE MOSTRAR SUA FORÇA NESTE DOMINGO




Por Celso Lungaretti - Jornalista e Escritor

"Nós, sobreviventes da utopia revolucionária, combatentes na luta por justiça e liberdade em nosso país e dispostos a nunca mais aceitar que aqui se implante uma ditadura, com o objetivo de construir o poder popular e implantar a democracia direta, levamos ao povo brasileiro a proposta de construção da Nova Esquerda, como espaço de integração, articulação e de fortalecimento das forças progressistas e revolucionárias do Brasil."

Assim se manifesta mais um agrupamento em gestação, neste momento em que várias forças de esquerda redobram esforços para preencherem o vazio aberto pela decadência do PT, que acelerou-se com seu desempenho sofrível nas últimas eleições municipais.

A Nova Esquerda se define como um "espaço político ideologicamente supra e pluripartidário, que tem como objetivo congregar e integrar todos os setores da esquerda brasileira, dos mais diversos partidos progressistas, movimentos sociais, organizações populares, redes e coletivos, para (...) se consolidar como movimento teórico e ideológico de ampla atuação de massa no país em defesa da democracia como valor universal e na construção do socialismo como modelo de desenvolvimento".

Neste domingo (8) vai promover encontros municipais nos quais será discutida, por três horas, a conjuntura nacional e internacional após as eleições municipais. Mais informações podem ser obtidas no blogue da Nova Esquerda ou por seu email.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

HÁ QUATRO ANOS DO REFÚGIO DE JULIAN ASSANGE NA EMBAIXADA DO EQUADOR: ABAIXO A PERSEGUIÇÃO IMPERIALISTA AO FUNDADOR DO WIKILEAKS!



Por Liga Bolchevique Internacionalista

Já se completaram quatro anos desde que, em 19 de junho de 2012, o ciberativista australiano Julian Assange, se refugiou nas dependências da embaixada do Equador, em Londres. O fundador do Wikileaks encontrava-se perseguido e acuado pelo governo dos Estados Unidos e vários de seus aliados (Reino Unido e Suécia, principalmente). A justiça sueca exige que Assange apresente-se em Estocolmo para testemunhar pessoalmente sobre as acusações de agressão sexual forjada, um cortina de fumaça para calar o ativista para depois deportá-lo para as masmorras dos EUA. Desde o BLOG da LBI, que se solidarizou com o jovem soldado Bradley Manning, o real responsável por dar visibilidade mundial ao WikiLeaks e demonstrar que o verdadeiro terrorista é o imperialismo ianque através da cópia de arquivos provenientes da “diplomacia secreta” dos EUA, exige também o fim da perseguição e da farsa judicial contra Assange, como fizemos há quatro anos atrás, no artigo escrito poucos dias depois de seu refúgio forçado na embaixada do Equador, que reproduzimos novamente como parte da campanha em solidariedade ao fundador do Wikileaks!

ABAIXO A AMEAÇA IMPERIALISTA À SOBERANIA DO EQUADOR! LIBERDADE IMEDIATA PARA BRADLEY MANNING, A VERDADEIRA FONTE DO “WIKILEAKS”! ABAIXO A FARSA JUDICIAL CONTRA JULIAN ASSANGE!
BLOG DA LBI 16/08/2012

Julien Assange, fundador do “Wikileaks”, encontra-se refugiado na embaixada equatoriana em Londres desde o dia 19 de junho por que a qualquer momento pode ser extraditado para a Suécia onde responde por suposto “delito sexual” em um processo eivado de falsificações por agentes da inteligência ianque e britânica. Seria quase que de imediato entregue aos EUA onde será julgado, a mando do Departamento de Estado ianque, em tribunais especiais e militares correndo o risco de ser condenado à prisão perpétua ou até mesmo à morte. Porém, apenas hoje, 16/8, o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, confirmou o asilo político, o suficiente para o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, o mesmo que defende a intervenção militar na Síria, vociferar: “Nós não iremos permitir a passagem segura do senhor Assange para fora do Reino Unido, nem há nenhuma base legal para que façamos isso... O Reino Unido não reconhece o princípio do asilo diplomático” (G-1, 16/8), não descartando a possibilidade de uma invasão da embaixada. O “Wikileaks” passou a ser conhecido no mundo inteiro quando divulgou milhares de documentos secretos do Pentágono em 2008, disponibilizados pelo soldado Manning, a verdadeira “fonte” dos “vazamentos”, condição até hoje pouco divulgada pelo próprio Assange. Enquanto isto, fora dos holofotes da mídia, Bradley Manning, após divulgar milhares de documentos secretos do Pentágono, está há mais de dois anos preso e sofrendo toda forma de tortura (física e psicológica) hoje na prisão de Fort Leavenworth: confinado à solitária, sem ascesso aos autos do processo, é mantido nu sob condições climáticas extremas. Esta é a forma que o imperialismo adota para quem ousa se confrontar com seus interesses e denuncia seus crimes: perseguição, prisão e tortura. Manning é utilizado pelo Departamento de Estado americano como “exemplo” de castigo a que estão sujeitos possíveis oponentes do regime.

terça-feira, 28 de junho de 2016

“ACORDO DE PAZ” FARC-SANTOS: VITÓRIA DA “REAÇÃO DEMOCRÁTICA” BURGUESA CONTRA A LUTA REVOLUCIONÁRIA NA COLÔMBIA... OS MARXISTAS-LENINISTAS NÃO TEM NADA A COMEMORAR!




Por Liga Bolchevique Internacionalista

Está sendo comemorado como “histórico” pela mídia mundial e os governos de todos os matizes políticos o acordo celebrado entre o governo de Manoel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Seus representantes assinaram no final desta semana em Cuba o “acordo de cessar-fogo bilateral e definitivo” após mais de meio século de conflitos no país. O acordo oficializado em Havana (sede dos chamados “diálogos de paz” entre as duas partes) inclui cessar fogo, entrega de armas e garantia de segurança para os guerrilheiros que passariam a civis. As FARC se comprometeram a depor suas armas em até 180 dias à ONU, que as destruirá e utilizará o material na construção de três monumentos. “Hoje é um dia histórico para a Colômbia”, disse Santos. Além dele, compareceram à cerimônia o comandante das FARC, Timoleón Jiménez, e o presidente de Cuba, Raúl Castro, que atuou como um dos mediadores do processo. Serão estabelecidas 22 áreas de transição temporárias e 8 campos para os guerrilheiros das Farc, que devem existir por seis meses, onde os militantes entregarão suas armas e voltarão à vida civil. Os que tiverem que responder por crimes terão penas reduzidas, em alguns casos podendo ser convertidas para prestação de serviços. A negociação entre o governo de Santos e as FARC envolveram seis pontos. Quatro deles já estavam definidos: a participação política dos guerrilheiros, as drogas ilegais, o programa agrário e a justiça e vítimas. Na quarta-feira desta semana, chegou-se ao acordo sobre o quinto ponto, que é o desarmamento da guerrilha e depois sobre o sexto, que é a convocação de um referendo para aprovação popular do acordo. Acertada a entrega das armas pelas FARC e o plano de sua transformação em partido político subordinado as regras da democracia burguesa, o imperialismo ianque felicitou o governo colombiano por ter chegado a um acordo de cessar-fogo definitivo com a guerrilha: “Apesar de persistirem os desafios no momento em que as duas partes continuam negociando um acordo de paz definitivo, o anúncio de hoje representa um importante avanço para por fim ao conflito", declarou Susan Rice, assessora para segurança nacional do presidente Barack Obama. Durante seu discurso na cerimônia formal de assinatura do pacto em Havana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o cessar-fogo “fortalecerá o caminho” rumo à paz definitiva na Colômbia: “Na ONU estamos fazendo todo o possível para que este processo de negociação se transforme em uma implementação da paz. Trabalhemos juntos para que a promessa da paz que se sela hoje em Havana se torne realidade”. Também participaram do ato na capital os presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e da Venezuela, Nicolás Maduro, para demonstrar o aval dos governos da centro-esquerda burguesa. Para entrar em vigor, o acordo de paz precisará passar por um referendo popular, a ser convocado pelo governo Santos. A Corte Constitucional ainda não se pronunciou sobre a legalidade do referendo, que caso seja convocado se tornará objeto de disputa entre Santos e o ex-presidente Álvaro Uribe. Santos, comandando um governo de “centro-direita” foi ministro da Defesa de Uribe e ordenou o assassinato do comandante Afonso Cano, mas agora é acusado de ser um “traidor” pelo seu antigo chefe. Para nós, revolucionários trotskistas, não há nada a comemorar! As “negociações de paz” com Santos e o conjunto das medidas anunciadas pelas FARC foram sendo tomadas desde 2012 no marco de uma enorme pressão “democrática” de seus “aliados”, particularmente do governo venezuelano e os irmãos Castro, comandantes da burocracia cubana, elas não fortalecem a luta revolucionária na Colômbia e no mundo, na verdade a sabotam . A ofensiva militar imperialista na Líbia e na Síria, apoiando-se na onda de “reação democrática” que varre o Oriente Médio, é a prova do que afirmamos. Frente a essa conjuntura dramática, os revolucionários bolcheviques criticam publicamente as decisões tomadas pela direção das FARC porque estas medidas desgraçadamente levam paulatinamente à sua rendição política e não “só” militar. Através de concessões crescentes se aposta na via da conciliação de classes e na política de integração ao regime títere como prega Piedad Córdoba e seu movimento “Colombianos pela Paz”. Na Colômbia, mais que em qualquer outra parte do mundo, hoje a simples luta sindical contra os patrões e as multinacionais exige a ruptura do proletariado com os limites da legalidade burguesa e a construção de milícias operárias armadas para desarmar os exércitos paramilitares e as escaramuças do aparato repressivo. Não é por acaso, que os mesmos moralistas pequeno-burgueses de “esquerda” se mostram tão preocupados com os danos que os métodos da guerrilha causam à consciência e à organização dos trabalhadores, sejam incapazes de conclamar a organização de milícias operárias para combater o assassinato sistemático de trabalhadores pelos bandos armados burgueses. Isso acontece porque tal tarefa deve ser encabeçada por um genuíno partido trotskista completamente independente da opinião pública burguesa e de sua moral, armado de um programa revolucionário capaz de preparar pacientemente a insurreição das massas colombianas. É vital para o movimento de massas colombiano organizar milícias operárias tão fortes que sejam capazes de acaudilhar atrás de si as organizações guerrilheiras, submetendo-as militarmente à democracia das assembleias proletárias para desarmar o aparato repressivo oficial e paramilitar assassino.


Os “acordos de paz” celebrados hoje são fruto de um processo de iniciou sobre a pressão direta de Hugo Chávez já em 2008. Não esqueçamos que dias após os guerrilheiros das FARC terem sido massacrados pelo governo Uribe, cujo ministro da defesa era Manoel Santos, em uma operação militar conjunta com o imperialismo ianque no Equador, Hugo Chávez defendeu que as FARC entreguem as armas: “Que (as Farc) entreguem as armas, que formem um partido político, mas que não lhes matem” (Folha On Line, 07/02/2008). Agora seu “pedido” começa a tornar-se realidade. Tal declaração tratou-se de um chamado à completa rendição militar das FARC pela via de um acordo para esta se integrar ao simulacro da democracia burguesa colombiana. A proposta tem como consequência direta e prática não só o enfraquecimento político da guerrilha, mas a sua completa exterminação física, tendo em vista a experiência das próprias FARC, que na década de 80 deslocou parte de seus quadros para a constituição da Unidade Patriótica e impulsionou um partido político legal, tendo como resultado o assassinato de cerca 5 mil dirigentes pelas forças de repressão do Estado, pilar-mestre da democracia bastarda colombiana. Essa tragédia teve como base as mesmas ilusões reformistas hoje patrocinadas. Ao narcotraficante regime burguês colombiano não interessa sequer a conversão da guerrilha em partido político desarmado, apenas sua extinção. Ainda que consideremos justo que as FARC tomem medidas de autopreservação neste momento delicado do combate, pois a guerrilha tem todo direito de negociar a liberdade de seus presos políticos através da troca de reféns, definitivamente não é anunciando o desarmamento total e sua integração ao bastardo regime democrático o melhor caminho para se defender dos ataques do genocida regime colombiano, muito menos tendo ilusões de que este possa chegar a algum acordo com a guerrilha que não seja baseado na sua liquidação enquanto força política e militar.

Somando-se ao coro reacionário daqueles que responsabilizam os “métodos” das FARC pela ofensiva militar do governo Colombiano, ou seja, o uso da luta armada e da captura de prisioneiros de guerra, na época Chávez instigou as FARC a “que humanizem a guerra, que não utilizem o sequestro como uma arma” (Idem). Fidel também aconselhou a guerrilha a libertar incondicionalmente os que continuavam retidos: “Critiquei com energia e franqueza os métodos objetivamente cruéis do sequestro e a retenção de prisioneiros nas condições da selva. Mas não estou sugerindo a ninguém que deponha as armas, se nos últimos 50 anos os que o fizeram não sobreviveram à paz. Se algo me atrevo a sugerir aos guerrilheiros das FARC é simplesmente que declarem por qualquer meio a Cruz Vermelha Internacional a disposição de pôr em liberdade os sequestrados e prisioneiros que ainda estejam em seu poder, sem condição alguma” (Cubadebate, 05/07/08). Em 2012 o conselho de Fidel começou a ser “atendido” e agora virou a base do acordo, no lastro do próprio pacto celebrado recentemente entre a burocracia castrista e Obama que vai acelerar a restauração capitalista.

Diante do cerco crescente neste momento de maior fragilidade das FARC, os marxistas revolucionários sempre declararam seu apoio incondicional à guerrilha diante de qualquer ataque militar do imperialismo e do aparato repressivo de Santos. Simultaneamente, apontamos como alternativa a superação programática da estratégia reformista da direção das FARC baseada na reconciliação nacional com a oposição burguesa e a unificação da luta armada com o movimento operário urbano sob a estratégia da revolução socialista para liquidar o regime facistóide e organizar a tomada do poder pelos explorados colombianos. Defendemos que uma política justa para o confronto entre a guerrilha e o Estado burguês passa por aplicar a unidade de ação contra Santos, com a mais absoluta independência política em relação ao programa reformista das FARC. Ao lado dos heróicos guerrilheiros das FARC e honrando o sangue derramado pelos comandantes Afonso Cano, Manuel Marulanda e Mono Jojoy, que morreram em combate, apontamos como alternativa programática a defesa da estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado, sem patrocinar nenhuma ilusão na possibilidade de construir uma “Nova Colômbia” sem liquidar o capitalismo e seus títeres, como hoje desgraçadamente defende o atual comandante das FARC, Timoleón Jiménez.

As “negociações de paz” com Santos e o conjunto das medidas anunciadas pelas FARC são apoiadas pelo conjunto da esquerda mundial e os governos “progressistas” da América Latina. Elas estão sendo tomadas no marco de uma enorme pressão “democrática” dos “aliados” da guerrilha. A centro-esquerda burguesa na Colômbia apoiou as “negociações de paz”. Omer Calderón, presidente do partido colombiano União Patriótica (UP) junto com o Polo Democrático chancelaram as iniciativas de Santos em torno do tema. Calderón destacou que a expectativa do povo colombiano é que as negociações de paz avancem para que prevaleça a democracia no país e que o fim das agressões a militantes populares. Lembremos que por conta desta mesma política suicida a União Patriótica, surgida em 1985 teve dois candidatos presidenciais seus mortos (a candidata atual, Aida, também sofreu atentado recente do qual escapou). 5 mil militantes da UP foram assassinados incluindo oito congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos. As “negociações de paz” entre as FARC e o governo Manuel Santos, saudadas pela esquerda reformista nacional e internacional como um grande avanço, mostraram sua real face macabra desde que começaram: mais de 200 guerrilheiros mortos desde 2012 até agora. Não esqueçamos que em meio aos “diálogos” o governo anunciou novos investimentos no combate às FARC e a aproximação com a OTAN, tanto que a proposta de formalizar um cessar-fogo durante as “negociações” foi rechaçada pelo presidente colombiano várias vezes até a celebração final. Como observamos, trata-se de uma farsa montada justamente para eliminar fisicamente a guerrilha, como a LBI já denunciava quase isoladamente na “esquerda” quando se anunciou o acordo costurado por Chávez e Fidel entre a guerrilha e o governo capacho do imperialismo ianque. Na verdade está em curso uma ofensiva geral contra a guerrilha pela via da “reação democrática” no lastro do recrudescimento global da ação do imperialismo contra os povos, nações e forças políticas que são obstáculos a seus ditames, como as FARC, a Síria e o Irã, alvos imediatos da sanha imperialista.

Fica cada vez mais claro que a única “paz” que sairá destas negociações é a dos cemitérios, já que desgraçadamente as vidas dos heroicos combatentes das FARC foram sacrificadas em nome de uma política que em nada serve para a luta revolucionária e, muito menos, para libertar a Colômbia do domínio da burguesia e do imperialismo. Não resta dúvida que Santos e Uribe são dois lados da mesma moeda na política de eliminação física e política da FARC patrocinada pelo imperialismo ianque, sendo o atual presidente partidário de uma orientação que está sendo bem mais sucedida que a do chacal Uribe, de quem foi ministro da defesa, já que vem neutralizando tanto a guerrilha como a própria “esquerda” colombiana. A direção da guerrilha nos últimos anos veio cada vez mais apostando em uma ilusória solução negociada para o enfrentamento que já dura várias décadas. Tanto que as FARC anunciaram que pretendem formar um partido político submetido as regras da democracia burguesa. A história está prestes a se repetir na Colômbia, desta vez como uma segunda tragédia, posto que as FARC parece ter esquecido o desastre do passado quando se “converteu” em partido institucional, em nome da “paz” e teve a maioria de seus quadros dirigentes assassinados pelo regime burguês. Por esta razão, denunciamos este acordo e o consideramos parte da estratégia de Obama de deixar como seu legado não só a reaproximação com Cuba, mas a aniquilação das FARC pela via da "reação democrática".