OS FILMES ESTÃO LIBERADOS PARA SEREM ASSISTIDOS NO VK.COM - mas vc terá que se cadastrar na rede social russa - DIVIRTA-SE...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O PAPEL DA “CIOLS” NA CRIAÇÃO DA CUT E DO PT


Por Carlos Alberto Bento da Silva – Jornalista – MTb 4028/SC

Caro leitor,
Este é um artigo que aparentemente não teria nada a ver, e seria algo como “coisa da China”, essas siglas “CIOLS e IADESIL” que, em outras palavras, não está no linguajar ou no entendimento da maioria da população. Mas porque tratar deste assunto “coisa da China”? A verdade é que por trás da formação de alguns partidos políticos no país, existem interesses do “além mar” (sic) e, eu me refiro aos Estados Unidos da América e potencialmente a Europa, que em nenhum momento largaram o “osso” chamado Brasil. Vale lembrarmo-nos do golpe militar que está completando 50 anos, das crises econômicas que o Brasil suportou, da atual crise moral e de gestão que estamos vivendo.

Para entendermos melhor, basta observarmos o processo continuo de dilapidação da Petrobras, do Pré-Sal, dos “elefantes brancos” (obras paradas e inacabadas), e da realização Copa inoportuna e do fracasso das políticas públicas na saúde e na educação. Para a realização deste mega-evento que beneficia poucos, é preciso levar em conta que milhares de famílias foram desalojadas de seus locais de moradia, de suas comunidades tradicionais, muitas delas ali vivendo a dezenas de anos, fatos esses, registrados em regiões do Nordeste, Sudeste, Centro Oeste e do Sul do Brasil. Para a realização desta Copa o governo de Lula/Dilma havia se comprometido em realizar grandes investimentos em infra-estrutura, que deixaria um legado invejável, o que não ocorreu.

Vejam a questão da mobilidade urbana, que em síntese até piorou em algumas cidades e, imaginem o caos que se estabelecerá durante a Copa. O que está ocorrendo de fato é uma verdadeira faxina étnica e social, ou seja, afastar dos olhares seletivos, o povo pobre. Famílias inteiras que foram sumariamente despejadas têm de viverem na rua (juntaram-se aos milhões de sem-teto existentes), por não terem recebidos indenizações ou qualquer tipo de reparação para que pudessem dar seguimento em suas vidas, procurando outro local de moradia. Além disso, outras centenas ou mesmo milhares, tem de aceitarem a ajuda de R$ 300,00 ou R$ 400,00 em dinheiro para o chamado aluguel social que não serve para nada, por conta de alugueis que custam o dobro ou até o triplo do valor oferecido, mesmo que nas proximidades dos locais onde viviam. A Aldeia Maracanã (terra indígena no RJ) foi literalmente expropriada com o uso de força bruta contra aqueles que são os povos originários deste país, e pasmem, em nome da Copa comandada por uma entidade internacional com alto grau de suspeição.

Afora as dúvidas que pudéssemos subtrair a despeito de uma traição? Ledo engano. O governo do PT tem suas origens marcadas na formação de seus quadros e, suas alianças políticas que em nenhum momento diferem-se daquelas que tanto criticaram (na oposição). E, sem pudores, qualquer seja, faz do PT governo o maior “balaio de gatos” com siglas partidárias ideologicamente antagônicas, mas econômicas e socialmente siamesas que, baseadas no fisiologismo cara de pau, não está nem ai para a moral e a ética na política, e muito menos para o povo empobrecido. Afinal, os interesses são os mesmos dos coronéis da política e das oligarquias “chupins” que sempre governaram o país.



Em particular, esta matéria irá colocar a desnudo aquilo que o ex-metalúrgio/sindicalista e também ex-presidente da República deveria ter dito. Afinal, quando qualquer cidadão se dispõe a procurar emprego ou mesmo se apresentar como candidato para algum cargo eletivo, a primeira preocupação é o seu currículo, e no caso específico de políticos, a sua trajetória e sua formação. Mas porque Lula da Silva e as lideranças sindicais que ascenderam ao poder recente no Brasil não apresentaram suas formações políticas via CIOLS e IADESIL?

Aqui eu apresento uma síntese da trajetória e uma análise sobre o surgimento do PT e da CUT, sua vinculação com o imperialismo internacional via CIOLS, e a formação de suas lideranças por esta organização. Para deixar claro que as posições defendidas pelo PT e a CUT, hoje, têm raízes históricas, ao contrário dos que acusam uma suposta “traição”. A CIOLS (Confederação Internacional das Organizações dos Sindicatos Livres), desde sua fundação em 1949, atua como um privilegiado instrumento ideológico do imperialismo internacional (EUA/Europa), intervindo no movimento sindical em todo o mundo, oferecendo recursos e treinamentos a dirigentes sindicais.

Pelos cursos do IADESL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre) passaram inúmeros dirigentes sindicais brasileiros que geriram o sindicalismo estatal em nosso país, mais conhecido como sindicalismo de resultados. Lula da Silva foi um deles. Ele entrou para o movimento sindical em 1969, durante o gerenciamento militar, fez inúmeras viagens aos USA, Europa e Japão, mantendo estreitos contatos com a CIOLS e com as centrais a ela ligadas. Ora, eu me lembro muito bem (quando eu ainda participava de plenárias sindicais e partidárias nos anos de 1990 juntamente com vários professores da UFSC), das manobras efetuadas pela CUT que, ao perder em votação interna o intento de filiar-se diretamente a CIOLS, orientou diversos sindicatos filiados a sua organização para fazerem-no de forma individual, e, conseguiu...

Lula da Silva assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo em 1975 e um segundo mandato em 1978. Neste mesmo ano junta-se a outros dirigentes sindicais (Jacó Bittar e Wagner Benevides, petroleiros; Olívio Dutra, bancário; João Paulo Pires, Henos Amorina e José Cicote, metalúrgicos; entre outros), que como ele, também freqüentaram os cursos da CIOLS, para discutir a criação de um novo partido político.

Em 1º de maio de 1979, em São Bernardo, é lançado o manifesto de fundação do PT. Naquele período estava em curso o processo de transição do gerenciamento militar impulsionado pelos norte-americanos. A suspensão do AI-5, o pluripartidarismo e a lei da anistia, aprovados em 1979, marcavam um novo pacto social. Os dirigentes sindicais fundadores do PT, notoriamente anticomunistas, ganhavam projeção pelos monopólios de comunicação com a onda de greves operárias que sacudiam o Brasil, tendo o seu ponto mais forte naquelas realizadas com uma imensidão de trabalhadores da região do ABC.

Enquanto isso, no plano internacional, surge novos ingredientes na disputa entre as potências imperialistas, que deixarão marcas na conformação do PT. No ano de 1978, o clérigo polonês Karol Wojtyla assume o papado, sob a denominação de João Paulo II, e irá cumprir importante papel na ofensiva ideológica do imperialismo. Por outro lado, a transição do socialismo para a economia de mercado na China estava em andamento e, o imperialismo tirava proveito das manifestações de descontentamento que ocorriam nos países submetidos ao domínio do social-imperialismo russo.

Na Polônia, surgia uma onda de greves que levou em 1980 à fundação do sindicato Solidariedade, organização clerical dirigida por Lech Walesa, íntimo de Karol Wojtyla. Com sua pregação anticomunista e por ter conseguido atrair relativo apoio de massas, e diante disso, o Solidariedade transforma-se em uma coqueluche mundial para o qual convergem todas as correntes reacionárias. Esta mesma aliança da Igreja Católica (todas suas alas), com as diversas correntes, os renegados e ex-guerrilheiros arrependidos, que começavam a voltar ao país, conformam o PT. O discurso de defesa do socialismo pequeno-burguês e radicalismo anti-patronal, são empregados para angariar prestígio junto às massas. Os revisionistas, que se opuseram inicialmente ao petismo, logo irão se incorporar à frente popular eleitoreira de Lula presidente. Derrotado nas primeiras disputas presidenciais, o PT assume descaradamente suas posições à direita, com sucessivos rachas internos.

A trajetória da CUT é semelhante, e é parte do mesmo processo. Assim como a CIOLS, seu surgimento em agosto de 1983, já traz a marca de sindicalismo amarelo. Divisionistas, os sindicalistas petistas rompem com um processo que estava em curso desde o início dos anos 80, e que se apoiava na onda de greves do período, para a construção de uma única central sindical no país. O papel da CUT é impulsionar a construção do PT. E, assim como ele, a CUT adotou no início um discurso ultra-radical, anti-peleguista e anti-getulista. Pouco a pouco, esse discurso e sua prática foram transitando do radicalismo liberal para a colaboração de classes como doutrina. Hoje, tanto o partido quanto a central está sob domínio absoluto da corrente conhecida como “Campo Majoritário”, antiga “Articulação”, oriunda da CIOLS e dirigida por Lula da Silva.

Com as “mágicas” e os malabarismos desde o governo Lula ao de Dilma Rousseff, o Brasil perdeu e ainda perderá bilhões de reais pelo ralo da corrupção, do fisiologismo, da inoperância e na má gestão da coisa pública.  A impunidade e os descalabros assombram o país, tal qual paradoxalmente, a prisão “exemplar” de um trabalhador que apenas surrupiou um galo e uma galinha e, mesmo tendo devolvido o produto do roubo, ainda assim, foi condenado em todas as instâncias da justiça, incluindo o STF que lhe nega o direito a liberdade. Não que eu esteja defendendo a impunidade, mas há que se observarem o disparate de dois pesos e duas medidas aplicadas, que historicamente beneficiam os “amigos da corte”.

A Presidenta Dilma Rousseff (orgulhosa de ter sido presa política) não cansa de dizer que a democracia é uma conquista da sociedade, que de maneira geral lutou por isso. Obviamente, uma grande verdade. Mas, convenhamos que democracia seja esta que está regada de desmandos, de não vi, de não li e não sabia? Que Democracia é esta que suporta ao arrepio da lei a manutenção da liberdade para dezenas de corruptos e malfeitores encastelados nas entranhas do poder central e, o pior de tudo, pagos com dinheiro do contribuinte para enriquecimento ilícito?
                                                                                                                                  Que democracia é esta que não aceita que o povo se manifeste? E, por favor, que não me venham com lorotas do tipo Black Bloc ou vândalos, que uma coisa não tem nada a ver com outra, muito pelo contrário, o vandalismo vem emanado desde os três poderes e passam a fazerem partes de estatísticas históricas que envergonham o nosso país.