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sábado, 30 de agosto de 2014

Ucrânia: OTAN ameaça atacar as “repúblicas populares” diante do avanço da resistência. Nossa tarefa: Ao lado dos separatistas contra o imperialismo e os bandos fascistas!


Por Liga Bolchevique Internacionalista
A crise na Ucrânia se acelerou a passos largos nestes últimos dias. Após a Rússia ter enviado o comboio de ajuda humanitária a Donetsk e Lugansk, a resistência empreendeu uma ofensiva militar retomando várias cidades do Leste ucraniano e impondo o recuo das forças regulares e dos bandos fascistas de Kiev que ficaram cercadas em várias localidades. Diante da temporária derrota dos capachos da Casa Branca, as potências capitalistas acusaram a Rússia de ter armado os “separatistas” e convocaram reuniões de emergência no CS da ONU e da OTAN. A aliança militar imperialista inclusive se reuniu hoje a pedido do servil governo ucraniano, o qual “pediu ajuda militar de envergadura diante da entrada de tropas russas no leste do país” (G1, 29/08). Trata-se da tática de provocar uma guerra na fronteira com a Rússia que englobe a OTAN, o imperialismo ianque e europeu (particularmente a França, já que a Alemanha não tem de fato FFAA desde a derrota na Segunda Guerra Mundial) para iniciar futuramente um enfrentamento de grandes proporções com Moscou, a fim de quebrar a Rússia e por fim à possibilidade de que Putin consolide um eixo burguês político-econômico-militar alternativo a OTAN e aos EUA. Como se observa, estamos diante de um quadro geopolítico estratégico frente à luta de classes mundial, o que exige uma posição clara e justa dos Marxistas-Revolucionários: ao lado da resistência contra o imperialismo e os bandos fascistas, inclusive estabelecendo frentes únicas de ação com o exército russo para derrotar a ofensiva da OTAN em sua fronteira! Esta perspectiva abre caminho para que os trotskistas façam propaganda revolucionária nas trincheiras de combate para construir o verdadeiro Partido Comunista na Rússia e nas ex-Repúblicas Soviéticas, retomando as tradições internacionalistas revolucionárias de Lênin e Trotsky que neste momento se condensam na palavra de ordem de derrotar o imperialismo para edificar uma nova revolução de Outubro!

A OTAN acaba de acusar a Rússia de participar diretamente do conflito armado no leste da Ucrânia com o envio de armamento aos separatistas pró-Rússia, instrução de seus milicianos e inclusive ataque a posições das forças governamentais ucranianas. A Aliança imperialista reforçou sua presença no leste da Europa com embarcações, aviões e tropas adicionais e incrementará a manutenção dessa presença nos próximos meses. O Secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, qualificou a reunião ocorrida hoje como um ponto de inflexão para a Aliança e assinalou que os planos de defesa dos aliados estão em revisão devido à suposta intervenção da Rússia na Ucrânia. Em contrapartida, Moscou alertou que qualquer tentativa da OTAN de reforçar sua presença militar nos países que fazem fronteira com a Rússia terá uma resposta que será contraproducente para a segurança na Europa: “Uma demonstração de força contra a Rússia debilitará a segurança da própria OTAN e dos países que tomarem parte nessas tentativas. Os interesses da segurança comum pan-europeia sofrerão seriamente. Tenho certeza que a maioria dos países da Europa entendem que por mais que se reforce a OTAN, as tentativas de criar uma estrutura de segurança sem a Rússia ou inclusive contra a Rússia estão condenados ao fracasso”, ressaltou o embaixador russo perante a Aliança Atlântica, Aleksandr Grushko, em entrevista concedida à agência Interfax às vésperas da cúpula da Aliança, que acontecerá no País de Gales em 4 e 5 de setembro. Sem dúvida, o imperialismo ianque e seus aliados da OTAN dispõem do maior e mais avançado aparato bélico do planeta, são capazes de devastar as forças militares de um país sem sequer precisar “sujar” as botas de seus Marines em solo inimigo, como aconteceu recentemente na Líbia. A capacidade de atacar com absoluta precisão alvos muito remotos e até mesmo “neutralizar” eletronicamente equipamentos militares adversários é uma característica muito particular da “extraordinária” máquina de guerra dos EUA, isto é, claro sem mencionar seu colossal arsenal nuclear. Mas outra característica marcante das tropas ianques é a sua extrema covardia, própria de um corpo militar composto hoje majoritariamente por elementos mercenários, sem uma “bandeira” para lutar, que ingressam nas forças armadas através de um contrato comercial (temporário) de trabalho, no caso de cidadãos norte-americanos, ou de vantagens jurídicas como vistos de permanência (Green Card) no caso de imigrantes. A rotunda derrota militar do imperialismo na guerra do Vietnã, convulsionando internamente os EUA, impôs todo um reordenamento de seu exército e marinha, chegando mesmo a ter que separar a legendária corporação de “vanguarda” dos Marines de uma de suas armas militares regular, transformando-a institucionalmente em um corpo de mercenários como foi a Legião Estrangeira da França que atuava em suas colônias na África. Estas características atuais do aparato militar ianque explicam em grande parte a covardia do governo Obama em enfrentar adversários de real potencial de resistência, como Coreia do Norte, Irã, Síria e o mais “perigoso” a Rússia. Os “falcões” do Pentágono se mostram muito “valentes” quando se trata de atacar países quase indefesos militarmente, quando uma primeira investida aérea de seus caças já consegue destruir completamente as defesas da nação oprimida. Por isso, na crise internacional deflagrada pela separação da Crimeia do governo fascista instalado em Kiev, os chefes militares dos EUA “aconselharam” Obama a usar o peso econômico do Império e refugar qualquer “aposta” em uma aventura bélica contra a Rússia. Por enquanto resta a Obama coordenar com seus “colegas” imperialistas, como Merkel e Hollande, uma retaliação econômica a Rússia, no sentido de uma gradual retração das importações de gás e commodities agrícolas por parte do continente europeu e se preparar em médio prazo para uma futura ação militar. Não por acaso, o capacho primeiro-ministro britânico, David Cameron, voltou a ameaçar a com sanções: “Conclamamos a Rússia a seguir outro caminho e encontrar uma solução política para a crise. Se a Rússia não o fizer, então, sem dúvida, serão novas consequências” (BBC, 29/08).


Fustigando a situação, o governo golpista da Ucrânia enviou nesta sexta-feira (29/08) ao Parlamento um projeto de lei para renunciar a seu status neutro atual e recuperar o processo de aproximação com a OTAN iniciado pelo ex-presidente Viktor Yushchenko após a chamada “Revolução Laranja” made in CIA de 2004: “De acordo com a decisão do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, o governo da Ucrânia enviou para trâmite do parlamento o projeto de lei para cancelar o status à margem de blocos do Estado ucraniano e recuperar o curso da Ucrânia rumo à entrada na OTAN”, anunciou o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk. Em seu anticomunismo tradicional, o chefe do governo destacou que se a lei for aprovada, a Ucrânia não poderá ingressar nas organizações patrocinadas e lideradas por Moscou, como é o caso da União Aduaneira, que em palavras de Yatseniuk não é outra coisa que “a União Soviética da Federação da Rússia”. Não resta dúvida de que a Casa Branca e a OTAN, via seus marionetes neofascistas de Kiev, estão provocando o governo Putin, que até agora apostou em uma solução negociada a fim de ganhar tempo. Aparentemente, o script escrito por Washington é instigar as tropas russas estacionadas na fronteira leste da Ucrânia para que no caso de uma invasão militar russa estas sejam atormentadas por guerrilhas fundadas e apoiadas pelos Estados Unidos e por neonazistas, com a mídia “murdochiana” apresentando ao mundo Putin como um invasor e tirano. A questão a saber é como reagirá a Rússia nos próximos dias, já que os trabalhadores do Leste ucraniano reivindicam apoio político e militar para enfrentar a reação fascista e as tropas enviadas por Kiev. No campo diplomático, o governo russo declarou na ONU nesta quinta-feira, 29/08 que “os EUA não se metessem na vida interna de outros países” e mais uma vez convocou a ONU a encontrar uma “solução política para o conflito”, inclusive propondo que a resistência abrisse um “corredor humanitário” para a saída das tropas ucranianas agora cercadas em diversas cidades do Leste do país. Este caminho tem se mostrado absolutamente estéril, tendo em vista que este covil de bandidos é controlado pelo imperialismo ianque que tende a responder aos apelos da Rússia com novas sanções, a fim de preparar no futuro a guerra contra Moscou! Já passa da hora a necessidade de responder à altura as provocações do imperialismo e cabe ao proletariado destas regiões estar à cabeça desta iniciativa. Sabemos que uma guerra na fronteira russa é um verdadeiro barril de pólvora que pode tomar conta de toda a região e fomentar um “novo Afeganistão” em pleno século XXI, provocando possíveis enfrentamentos entre as tropas russas com forças políticas e militares patrocinadas pela OTAN na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Ainda que agora estejam neste possível enfrentamento atual duas forças burguesas já que houve a restauração capitalista na URSS, os revolucionários se colocam no campo oposto do imperialismo e de sua aliança militar, ou seja, ao lado da Rússia e do governo burguês de Putin, em apoio à “repúblicas populares” do Leste ucraniano. Somente se colocando neste lado da trincheira os marxistas leninistas poderão, ombro a ombro com o proletariado e o campesinato desta região, apontar uma perspectiva comunista proletária para o conflito, indo, portanto, além de suas direções burguesas. A palavra de ordem de “Todo apoio às milícias de autodefesa para derrotar a reação fascista e os golpistas impostos em Kiev! Armas para os revoltosos expulsarem os neocolonialistas!” está a serviço de forjar um programa revolucionário que coloque na ordem do dia a construção de verdadeiras “repúblicas soviéticas” com a expropriação dos bandos burgueses restauracionistas, chamando inclusive a solidariedade ativa do proletariado russo em sua defesa.

Na Ucrânia, Putin vem colocando novamente o governo Obama em situação extremamente delicada e que está deixando às claras a covardia do império em enfrentar inimigos com pelo menos alguma capacidade de “resposta” militar. Primeiro foi o recuo na Síria, logo após a Casa Branca anunciar que iria atacar o país em poucos dias, a Rússia anunciou que apoiaria Assad em caso de uma agressão externa, Obama vergonhosamente desistiu do bombardeio abrindo um precedente muito perigoso para a nação mais “poderosa do planeta”. Novamente as bravatas do imperialismo ameaçando Moscou no caso da “anexação” da Crimeia caíram como um castelo de cartas, deixando como opção “militar” para o Pentágono a humilhante via de armar bandos fascistas em Kiev, além de tentar organizar uma oposição fundamentalista islâmica entre o povo tártaro que habita a península do Mar Negro. Esta tem sido a “tática” preferencial do imperialismo ianque diante dos regimes nacionalistas burgueses que busca derrocar em todo mundo, ou seja, impulsionar hordas neofascistas e grupos muçulmanos raivosos contra o comunismo, que consideram como o satã na terra. Por mais inacreditável que possa parecer, são estes setores alimentados pelos EUA, ultrarreacionários e de extrema-direita, os que são considerados como “revolucionários” pelos revisionistas da LIT/ PSTU.

Os seguidos refugos da Casa Branca diante de Putin tem incrementado com muita força o retorno do nacionalismo russo, que neste momento tenta novamente delinear sua “zona de influência” como nos tempos soviéticos. Desde a destruição contrarrevolucionária das conquistas operárias na antiga URSS, o bando restauracionista, inaugurado por Yeltsin, vinha desestimulando qualquer atrito político ou militar com o imperialismo europeu e ianque, e neste sentido as parcas manifestações nacionalistas russa eram duramente reprimidas pelo Kremlin. Mas a chamada “revolução laranja” ocorrida em 2004 na Ucrânia ascendeu o “alerta vermelho” para os restauracionistas, era necessário parar de se “agachar” perante os EUA ou se transformariam em mais um “quintal” do imperialismo ianque. Neste período este setor estatal já convertido em burguesia russa (a restauração capitalista havia terminado por completo) era comandado por Putin, um ex-dirigente da KGB e simpatizante distante do velho stalinismo. Com o fortalecimento econômico da Rússia no final da década passada, produto das exportações de Gás e Petróleo para a Europa, os projetos da poderosa indústria bélica foram reiniciados, tendo como marco o lançamento do moderno caça Sukhoi, único supersônico do planeta com capacidade de enfrentar os F-18 norte-americanos.

Ainda é muito cedo para fechar uma caracterização rigorosa sobre a dinâmica política que vem assumindo o “novo” nacionalismo russo, sob a égide de Putin, mas já podemos afirmar que se trata de um fenômeno radicalmente distinto do nacionalismo neofascista ucraniano, por exemplo. Também seria uma completa tolice para o marxismo caracterizar este vetor nacionalista como uma expressão do “neo-imperialismo russo”. A Rússia, desde sua “reconstrução” capitalista (favor não confundir com a destruição da URSS), vem se configurando como uma semicolônia do imperialismo europeu, fornecedora de commodities agrominerais de baixo valor agregado. Sua avançada indústria bélica (herança do Estado operário soviético) sofre um duro bloqueio comercial dos EUA, sendo que poucos países tem a “ousadia” para comprar as armas russas, Venezuela e Síria fazem parte deste “seleto” grupo. Como não pode se basear na venda de equipamentos bélicos para acumular divisas cambiais, a Rússia tem organizado sua economia em torno da Gazprom, principal empresa exportadora do país. Seria tão estúpido, do ângulo científico do Leninismo, considerar a Rússia imperialista tanto como qualificar politicamente seu atual curso nacionalista burguês de enfrentamento com o imperialismo como “reacionário”. A história mundial tem demonstrado que a movimentação social de setores das burguesias nacionais pode oscilar politicamente de acordo com a etapa da luta de classes. Podemos citar o exemplo do nacionalismo “getulista” no Brasil, que transitou da aberta simpatia do fascismo a um tímido anti-imperialismo latino americano, o que lhe custou o segundo governo e a própria vida.

Não seria nenhum absurdo teórico prognosticar que no atual período histórico, de profunda ofensiva neoliberal do imperialismo, venha a ocorrer o deslocamento de setores da burguesia nacional em alguns países, para o campo político do anti-imperialismo. Este foi o caso da Venezuela do coronel Chávez e poderá ser também uma possibilidade para a Rússia do ex-agente da KGB Putin, somente a evolução da luta de classes dará a última palavra. Alertamos mais uma vez que aqueles setores de “esquerda” que colocam um sinal de igual entre o imperialismo ianque e a Rússia para defender um suposto “derrotismo”, negando-se a formar uma frente única de ação anti-imperialista com o governo Putin fazem neste momento o jogo da reação burguesa. Eles se somam aos canalhas revisionistas que apoiaram o golpe fascista de fevereiro vendendo-o como uma “revolução”, seguindo a mesma política pró-imperialista que tiveram na “Primavera Árabe” em apoio aos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia e na Síria. Na Ucrânia os “revolucionários” da Praça Maidan em Kiev, amantes de Mussolini e Obama, não tiveram muita dificuldade para afugentar do governo o covarde Yanukovich, apesar das mortes que ocorreram em ambos os lados, mas quando Putin anunciou que não deixaria isolados os compatriotas da Crimeia, logo as milícias fascistas foram pedir ajuda ao Tio Sam que, além de “espernear” e ameaçar a Rússia com sanções econômicas, não se mostrou disposto mais uma vez a enfrentar militarmente os remanescentes do antigo Exército Vermelho.

Com a operação militar da OTAN em curso a situação volta a se agravar na Ucrânia, neste cenário somente os ratos decompostos da LIT/PSTU, que ainda se reclamam de esquerda, podem afirmar que apoiarão os neonazistas ucranianos em caso de um enfrentamento concreto com as forças militares de Putin, em nome de uma suposta “revolução” em Kiev. Os Bolcheviques Leninistas em caso de uma guerra deflagrada na região de influência geopolítica da antiga URSS saberão levantar as “bandeiras de outubro”, tão sentidas para o proletariado soviético, e na mesma trincheira militar dos restauracionistas russos contra o imperialismo acertarão suas “contas” históricas com aqueles que ajudaram a destruir as conquistas operárias da revolução socialista de 1917!