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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vitória apertada de Maduro: Avanço da contrarrevolução na Venezuela e recado das massas nas urnas, o imperialismo e a burguesia nativa devem ser combatidos centralmente nas ruas, fábricas e no campo!



Com uma diferença de apenas 235 mil votos, Nicolás Maduro venceu as eleições presidenciais na Venezuela no último dia 14 de abril. Enquanto o candidato do PSUV alcançou os 7,51 milhões de votos, o fascistizante Henrique Capriles obteve a marca de 7,27 milhões, ou seja, o resultado foi 50,66% a 49,07%, uma vantagem de apenas 1,59% para o chavismo. 

Valendo-se desta pequena margem, a direita golpista ligada diretamente ao imperialismo ianque anunciou que não reconhece os resultados das urnas e partiu para ataques fascistas contra várias sedes do partido chavista pelo país, incendiando-as e deixando um rastro de sangue de sete mortos.

 Sem dúvida alguma, houve um avanço da contrarrevolução na Venezuela, com a burguesia nativa e a Casa Branca partindo para uma dura ofensiva diante da aberta polarização política e social, que definitivamente não se revolverá no terreno eleitoral. 

Este quadro político dramático que dividiu a Venezuela ao meio confirma plenamente o acerto da posição principista da LBI de convocar o apoio crítico a Maduro, com total independência do chavismo e seu programa nacionalista burguês.

 Longe de patrocinar ilusões na candidatura do PSUV afirmamos que ela expressava deformadamente o sentimento e a tendência política das massas de lutar contra o imperialismo e seus marionetes. 

Por esta razão, apontamos em plena campanha eleitoral, que era necessário combater centralmente nas ruas, fábricas e no campo os inimigos de classe do proletariado, perspectiva que só se reforçou após o resultado eleitoral apertado. 

No caso de um êxito eleitoral de Capriles, em um cenário imediatamente após o assassinato de Chavez,  as consequências políticas seriam trágicas não só para o proletariado da Venezuela, mas para o conjunto da América Latina. 

Desgraçadamente, mais uma vez os que enlameiam o nome do Trotsquismo comemoraram o avanço da direita pró-imperialista, é o caso do Partido Obrero (PO) que vaticinou que Cristina Kirchner deve “botar as barbas de molho”. 

Os bolcheviques leninistas da LBI acertaram plenamente, nesta nova conjuntura aberta na Venezuela, em depositar pela primeira vez o apoio crítico ao chavismo, tendo como foco de análise o brutal avanço da ofensiva imperialista mundial detonada após a derrubada do regime burguês nacionalista líbio pelas forças da OTAN. 

Se o triunfo ou derrota histórica da classe operária venezuelana não se definirá no terreno eleitoral, um resultado desastroso nestas eleições poderia significar um “start” para a intervenção militar ianque aberta, já bem encaminhada com os golpes de estado em Honduras e Paraguay.


Comparado às eleições de outubro de 2012, quando Chávez foi o candidato do PSUV, houve um comparecimento menor de eleitores às urnas (81% em outubro e 78% em abril) em um sistema em que o voto é facultativo. 

Quem perdeu apoio foi o chavismo, caindo de 8,05 milhões para 7,51 de votos em seis meses, enquanto Capriles (MUD) passou de 6,46 milhões para 7,27, conquistando votos de setores desiludidos com a fadiga de um regime que não avançou em 14 anos nas tarefas de cunho anticapitalista, apesar de toda fraseologia “revolucionária”. 

Isto ocorreu também porque as eleições burguesas não expressam de maneira consistente a vontade popular e o poder econômico da burguesia pró-imperialista (os grandes meios de comunicação privados, principalmente a golpista Globovisión) e do imperialismo mundial foi um fator fundamental para catapultar Capriles, dando-lhe robustez e confiança. 

O chavismo é consciente que a burguesia venezuelana está indo para a direita perante o aprofundamento da crise e a perspectiva do ascenso independente das massas. 

Por sua vez, diferente de Chávez que conseguiu manter uma margem de 10% de distância do MUD em outubro, um Maduro defensivo, que quase se limitava a reivindicar a figura mítica de Chávez, não conseguiu centralizar sua base com propostas concretas de enfrentamento com a burguesia e de mobilização direta do povo trabalhador por suas demandas imediatas e históricas.

 Ademais, o dramático quadro econômico e social após 14 anos de governo “bolivariano”, com o agravamento da inflação, a continuidade da dependência ao petróleo e a necessidade de importar 40% dos alimentos fizeram um setor do eleitorado chavista duvidar das perspectivas de “aprofundar a revolução” como apregoou Maduro.

Esses dados mostram que há um claro desgaste da via eleitoral para manter o chamado “Socialismo do Século XXI” que vem limitando o ascenso de massas e a luta direta pela ampliação das pequenas conquistas sociais, porque teme justamente que os trabalhadores avancem para além de seu programa nacionalista burguês, colocando na ordem do dia a expropriação das transnacionais, a nacionalização da terra e a destruição revolucionária do Estado burguês, o que significaria um choque aberto com as FFAA, pilar de sustentação do regime capitalista, ainda que vendida tragicamente pelos quatro ventos como “fiel à revolução bolivariana”. 

A luta de classes dos últimos meses demonstrou, vide a radicalização das massas nas marchas multitudinárias no enterro de Chávez e, agora, com as respostas dos trabalhadores aos ataques fascistas dos bandos criminosos de Capriles, que para avançar o proletariado deve focar sua luta revolucionária recorrendo aos seus próprios métodos de combate (greves com ocupações de fábricas e terra, comitês de autodefesa, combate a mídia burguesa reacionária, criação de organismo de poder popular).

Uma vitória de Capriles seria uma derrota profunda para a vanguarda operária do continente, fortalecendo um eixo político abertamente pró-imperialista que vem ganhando corpo com os golpes em Honduras e no Paraguay, tendo o apoio explícito da Casa Branca nesta senda reacionária. Tanto que Obama pediu a recontagem dos votos e não reconhece até o momento a vitória de Maduro. 

Os revisionistas, paladinos da “revolução árabe” patrocinada pela OTAN (LIT, PTS, PO, PCO) que chamaram o “voto nulo” nas eleições venezuelanas, caso fossem coerentes, estariam ao lado de Capriles e suas marchas direitistas contra a suposta fraude da “ditadura chavista”. 

Estes, agora travestidos subitamente de “puros e ortodoxos”, que simplesmente afirmaram ao proletariado venezuelano que Maduro representava as mesmas forças sociais de Capriles, não sabem onde enfiar a cabeça diante dos enfrentamentos que ora ocorrem nas ruas de Caracas e pelo interior do país. 

Ao contrário dessas seitas, no terreno concreto da luta de classes e no calor de cada combate com a direita golpista, estamos forjando a necessidade de uma alternativa independente da classe operária.

A vitória apertada de Maduro abre, por sua vez, uma crise política no próprio PSUV. O novo presidente venezuelano terá que enfrentar uma “guerra” tendo dois fronts abertos: a direita reacionária agrupada no MUD e os setores do PSUV ligados diretamente ao alto comando das FFAA, ala representada por Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Buscando se apresentar como representante militar do chavismo, Cabello trabalha com a possibilidade de substituir Maduro, um ex-sindicalista, em uma próxima disputa eleitoral com o MUD, realidade que pode vir a ocorrer antes mesmo do fim do mandato de seis anos de Maduro. 

Isto pode acontecer caso se convoque, via recolhimento de assinaturas previsto na própria constituição venezuelana, um referendo revogatório para confirmar ou não a continuidade do mandato de Maduro após transcorridos três anos na presidência.

 Chávez havia enfrentado um referendo revogatório em 2004, já para Maduro este desafio seria muito mais difícil...

Apesar da direita venezuelana e do imperialismo ianque não reconhecerem a eleição de Maduro, demonstrando que sua “democracia” tem um claro caráter de classe, o certo é que o novo presidente tomará posse neste dia 19 de abril no ato de juramento na Assembleia Nacional comandada por Diosdado Cabello, que vem cada vez ganhando força como garante do regime chavista. 

O proletariado deve fazer deste ato político uma demonstração de força em defesa da ampliação das conquistas sociais da classe operária e de repúdio aos golpistas, forjando no calor da batalha um programa genuinamente comunista de completa ruptura com o nacionalismo burguês. 

Devemos convocar a vanguarda classista para a ação direta, contemplando uma plataforma de ocupações de fábricas, nacionalizações de grupos econômicos sob o controle dos trabalhadores e socialização do latifúndio. 

A tarefa que se impõe nesta polarizada conjuntura, acompanhando a evolução política das massas, é a construção do partido operário revolucionário, única forma de combate consequente ao Estado capitalista, cabendo à vanguarda do proletariado adotar uma política de “estimular” as tendências de radicalização do setor popular e camponês do nacionalismo burguês para que se choque com os limites impostos pelo próprio Maduro e a direção do PSUV a frente do governo!

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA