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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Há treze anos do 11 de Setembro: Imperialismo Ianque prova novamente do seu próprio veneno


Por Liga Bolchevique Internacionalista

Hoje completam-se exatamente treze anos do 11 de Setembro, sem sombra de dúvidas uma data histórica para a humanidade onde se crava um marco na rota da decadência militar do Pentágono e ao mesmo tempo inicia-se o recrudescimento da ofensiva neoliberal sobre os povos. O ataque às Torres Gêmeas em New York, assim como o quartel general do Pentágono em Washington, realizado por organizações fundamentalistas com meios militares não convencionais, representou a maior humilhação para os EUA desde o ataque japonês sobre a base de Pearl Harbor na II Guerra Mundial levando a morte de cerca de 2.500 militares ianques. Em Setembro de 2001 pela primeira vez na história dos EUA seu maior símbolo de hegemonia militar sobre o planeta, o Pentágono, quase veio abaixo, fazendo com que o toque de recolher soasse na Casa Branca (situada a poucos quilômetros dali). O então presidente (facínora) Bush foi obrigado a se esconder nos subterrâneos do “palácio imperial”, sob o forte impacto emocional de poder ser “eliminado do mapa” através de um “bombardeio” realizado por uma aeronave civil. As Torres Gêmeas que abrigavam várias corporações financeiras e também um dos maiores escritórios da CIA em território norte-americano, vieram abaixo deixando um saldo de mais de 2000 mortos, entre yuppies, bombeiros , funcionários da CIA e trabalhadores de grandes firmas que possuíam sede no World Trade Center. Logo depois do atentado ao coração do monstro imperialista se formou uma enorme frente política mundial para combater a “ousadia” dos “fanáticos fundamentalistas orientais” da Al Qaeda, que responderam na mesma moeda com que os EUA “tratava” o povo muçulmano. Também não faltaram as vozes da esquerda stalinista e revisionista para asseverar a “tese” conspiratória do “autoatentado”, afinal a Al Qaeda não passava de uma cria dos EUA para atacar a antiga URSS. O fato é que quando o “cão morde a mão do dono” a “ferida” parece nunca cicatrizar. A ofensiva guerreirista lançada pelos EUA após o 11 de Setembro patina em derrotas políticas até hoje, seja no Afeganistão ou mesmo no Iraque. O núcleo central da Al Qaeda também se fracionou com a morte de Bin Laden, restando a Casa Branca financiar setores fundamentalistas bem mais “descontrolados”. Este parece ser o caso do EI (ISIS), armados pelos EUA para atacar os regimes nacionalistas de Kadaffi e Assad e que agora se voltam contra o “amo” exigindo a sua própria parte no botim da destruição de nações inteiras. O Blog da LBI para registrar a data histórica, reproduz um documento elaborado logo após o 11 de Setembro de 2001. Trata-se de um dos mais importantes textos políticos escritos pela esquerda revolucionária no limiar deste novo século, onde traça um prognóstico exato (quase “premonitório”) da nova conjuntura mundial reacionária que iria abrir-se a partir deste marco histórico de inflexão global na correlação de forças entre as classes sociais.

                                                                                 
O 11 de Setembro e a ofensiva imperialista

Os ataques de 11 de setembro, no coração do monstro imperialista  ianque, marcam a abertura de um novo período político na etapa histórica de correlação de forças entre as classes em nível mundial, aberta logo após a derrubada contra-revolucionária do Muro de Berlim e a destruição do Estado operário burocratizado soviético, com a conseqüente perda das conquistas operárias obtidas a partir da revolução de 17. Pela primeira vez na sua história, os EUA sofrem um tipo de bombardeio em seu próprio território, excluindo o bombardeio às bases navais de Pearl Harbor na 2ª Guerra Mundial, fazendo cair por terra o enorme mito da invulnerabilidade militar da grande fortaleza inexpugnável. Utilizando-se de armamento não convencional, como jatos da aviação civil, uma organização militar, provavelmente fundamentalista islâmica, infringiu pesadas baixas ao alto comando do Pentágono e à Agência Central da CIA em Nova York, sediada em uma das torres do World Trade Center. O próprio presidente Bush, revelando em seu ato toda a covardia do império assassino, fugiu como uma galinha durante dois dias, enquanto sua frota naval abandonava às pressas os portos da costa americana, temendo uma reedição dos ataques kamikases ocorridos na 2ª Guerra Mundial. Quando o alto staff do Pentágono certificou-se de que o "grande ataque" concentrava-se na captura de quatro aviões civis e que todo o poderio bélico da maior força armada do planeta não corria perigo de ser "dizimado", passaram a rugir como um leão ferido, ameaçando bombardear todos os países muçulmanos, que possivelmente poderiam ter alguma relação com os atentados do dia 11, "em uma ofensiva militar longa, ampla e implacável", segundo as palavras de Bush (The New York Times, 09/10), um anúncio prévio da intenção de atacar, além do Afeganistão, também o Iraque e o Líbano, como afirmou em carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU: "Podemos descobrir que nossa autodefesa requer ações em relação a outras organizações e países" (Idem).

ATAQUE TERRORISTA OU RESPOSTA MILITAR AO TERRORISMO IMPERIALISTA

Imediatamente após os atentados do dia 11, uma ampla frente contra-revolucionária mundial foi formada, encabeçada pelo imperialismo ianque (governo Bush e democratas), englobando toda a social-democracia européia, as burguesias títeres dos países semicoloniais (inclusive árabes e muçulmanas), a extrema direita nazi-sionista, o imperialismo japonês, a burguesia restauracionista russa, a burocracia stalinista cubana e chinesa, finalizando com o conjunto da esquerda reformista internacional, incluindo-se a totalidade do pseudotrotskismo, que se mostrou refém da opinião pública pequeno-burguesa, além de completamente impotente diante do brutal ataque às massas que se prenuncia no próximo período. Esta frente mundial tem como principal eixo político a veemente condenação aos "atentados terroristas" nos EUA e o combate ao "terrorismo".

Sob os mais variados argumentos, que vão desde a "defesa da liberdade" feita pelo carniceiro Bush, passando pela "defesa da democracia e justiça" levantada pela social-democracia e suas variantes, até a "defesa da revolução socialista" esgrimada pela esquerda pseudotrotskista, todos se juntaram para condenar os "ataques terroristas" e solidarizaram-se com as "vítimas" do Pentágono e os yuppies financistas do WTC, além é claro dos agentes da CIA e policiais que também foram "vitimados" pelos "bárbaros terroristas". Assim como na ditadura sangrenta da Argentina nas décadas de 70 e 80, a esquerda pseudotrotskista acabou por reproduzir em escala mundial a conduta venal do MAS (Movimento ao Socialismo, então PST, fundado por Moreno), que solidarizava-se com os familiares dos militares assassinos "vitimados" por "atos terroristas", tudo em nome do "combate aos métodos equivocados do terrorismo individual e em defesa da revolução socialista".

O núcleo "lógico" desta nova aliança contra-revolucionária mundial, que permeia a direita até a extrema "esquerda", consiste em caracterizar os ataques do dia 11 na categoria do terrorismo individual. Como marxistas revolucionários, não ingressamos e nunca ingressaremos em uma "frente pela condenação" encabeçada pelo governo Bush, assim como empunhamos em alto e claro som que quem merece a verdadeira condenação de todo o proletariado mundial, assim como de todos os povos oprimidos do planeta é o genocida imperialismo ianque, responsável pelos mais brutais e covardes ataques terroristas aos povos e nações oprimidas e exploradas de todo o mundo. Em segundo plano, consideramos absolutamente equivocado enquadrar na categoria teórico-política de "terrorismo individual" os ataques do dia 11.

O imperialismo norte-americano, desde a destruição contra-revolucionária dos estados operários do Leste Europeu, vem desencadeando uma ofensiva política, econômica e militar contra o proletariado mundial sem precedentes em toda a história recente. Sem o contrapeso militar do Pacto de Varsóvia e com o fim do Exército Vermelho, que embora comandado pela burocracia soviética ainda representava, mesmo que contraditoriamente, as conquistas de Outubro, os marines ianques se sentem "livres" para trucidar todos os "obstáculos" aos interesses econômicos das grandes transnacionais e trustes imperialistas. Desde os anos 90, não foi mais possível infringir golpes mortais aos ianques como na China, Coréia, Cuba, Vietnã, Nicarágua etc. A Guerra do Golfo marca a virada na arena político-militar em favor do imperialismo. Nesta última década, além da subtração das conquistas históricas do proletariado mundial, com o aumento do desemprego e os selvagens ritmos de produtividade levados a cabo pela nova "organização do trabalho", o imperialismo vem desenvolvendo uma guerra de rapina permanente a várias nações, que inclui guerras convencionais de "grande impacto", como no Iraque e mais recentemente na Iugoslávia, alternando com guerras de "baixo impacto" a países como o próprio Iraque, bombardeado sistematicamente por dez anos consecutivos, Sudão, Afeganistão e Palestina, sem falarmos em intervenções militares como na Colômbia, Albânia, Haiti, Timor Leste etc.. As chamadas guerras de baixo impacto, promovidas pelo imperialismo ianque, têm causado a morte de centenas de milhares de civis, ainda que não ganhem as manchetes da mídia internacional, como o atual conflito.

Para se ter uma noção dos danos provocados pelos covardes bombardeios ianques de "baixo impacto" pelo mundo, só no ataque ao Afeganistão em 1998, em uma represália à suposta responsabilidade de Osama bin Laden pela explosão de uma bomba na embaixada dos EUA no Quênia, morreram mais de 5 mil cidadãos afegãos. No Iraque, mesmo após contabilizarem-se as vítimas diretas da guerra em 91 (100 mil iraquianos), já morreram mais de 200 mil civis após o término formal da "guerra oficial", fruto do bloqueio econômico e dos bombardeios e todas as suas conseqüências posteriores. Na Palestina e no sul do Líbano, estima-se em mais de dez mil mortes provocadas pelos ataques do enclave imperialista de Israel só nos últimos cinco anos. Não é preciso nos estendermos mais em números e países para se concluir que os EUA estão em guerra permanente, não declarada, a uma série de países e, em particular aos povos árabes e muçulmanos com maior intensidade, como o Iraque, Afeganistão, Sudão e Palestina. As palavras do próprio Bin Laden revelam a realidade de guerra levada a frente pelo imperialismo aos povos oprimidos da região: "O que a América enfrenta hoje é uma porção muito pequena do que enfrentamos há décadas... Nossa nação islâmica tem sentido a mesma coisa há mais de 80 anos, a humilhação e a desgraça, seus filhos são mortos e seu sangue é derramado... Um milhão de crianças inocentes morrendo no momento em que falamos, estão sendo mortas no Iraque sem nenhuma culpa. Não ouvimos nenhuma crítica, nenhum édito dos governos hereditários. Todos os dias vimos tanques israelenses na Palestina indo a Jenin, Ramallah, Beit Jalla e não ouvimos ninguém levantar a voz ou reagindo." (pronunciamento de Bin Laden transmitido pela TV Al Jazeera, 07/10).

Os marxistas revolucionários sabem perfeitamente distinguir entre o terror individual e atos de guerra, mesmo que envolvidos em características de terrorismo e sabotagem militar, que também são elementos de qualquer guerra regular. Por acaso, quando o imperialismo ianque utilizava a contaminação química de rios em regiões controladas pela guerrilha da FMLN em El Salvador na década de 80, não estava praticando a guerra não declarada, com métodos cristalinos do terrorismo militar?! Não podemos em hipótese alguma colocar um sinal de igual por exemplo entre a seita Aum Shinrikyo (Verdade Suprema), que utiliza-se do método do terror individual para colocar gás sarin no metrô de Tóquio, com o Hamas ou a Jihad que em guerra contra Israel coloca uma bomba em um shopping de Tel Aviv ou em um posto militar em Haifa. O atentado terrorista ao Oklahoma Center, em 1995, operado pelos nazi-ianques, tem conteúdo completamente distinto aos ataques às embaixadas dos EUA em Nairóbi (Quênia) e Dar Assalam (Tanzânia), à explosão da base aérea de Dhahran, na Arábia Saudita em 1996, ou ao bombardeio ao destróier norte-americano USS Cole, no Iêmen. Nestes últimos casos, trata-se de uma legítima resposta militar a alvos do imperialismo ianque, em ataque terrorista permanente aos povos oprimidos do planeta. Os ataques do dia 11 de setembro, sejam ao Pentágono ou às torres do WTC, que sediavam a CIA em NY (apesar do WTC também abrigar alvos não militares, uma minoria de trabalhadores lamentavelmente mortos como conseqüência da própria guerra que os EUA desferem contra os povos oprimidos), não podem ser enquadrados como "terrorismo individual", sob pena de desconsiderar todo o contexto da luta de classes internacional. Por acaso, os grupos "fundamentalistas" palestinos não têm o direito de responder com as armas que dispõem (dinamites em corpos de seus militantes), já que não possuem em seu arsenal bélico caças F/A-18 Hornet, aviões bombardeiros B-2, mísseis Tomahawk, helicópteros apache etc.?! Seria legítimo ou não o Taleban e o Al Qaeda responderem militarmente ao bombardeio imperialista sofrido em 1998 no Afeganistão, com os "armamentos" que possa dispor e nesse caso só dispõe de armamento não convencional (elementos de terrorismo militar) para atacar o território norte-americano? Salta aos olhos que a "ignorância" da esquerda reformista e pseudotrotskista dos fatos da luta de classes só serve aos interesses do imperialismo mundial e das burguesias lacaias. Utilizar revolucionários como Trotsky em sua preciosa e atual crítica ao terrorismo individual, como justificativa para se integrar à frente mundial em condenação aos atentados terroristas nos EUA, é inteiramente repugnante. Representa a continuidade da mesma frente mundial que celebrou a destruição da URSS, como grande vitória do proletariado mundial. Desgraçadamente, essa frente vem se ampliando, com a adesão de muitas correntes que em 1991 recusaram-se a se somar na "festa" promovida pelo imperialismo sob os escombros dos Estados operários.

Leon Trotsky que analisou profundamente a questão do terrorismo individual em seu contexto político da luta de classes, recusava-se a estabelecer repreendimentos morais contra métodos que considerava legítimos, porém, equivocados em seus objetivos sob a ótica dos interesses do proletariado mundial. Afirmava que em princípio não poderia-se descartar a utilização de atos de "terror" em uma conjuntura de guerra civil, por exemplo, por parte de uma organização revolucionária. Combatia sim o terrorismo individual como método político-militar pela inutilidade de suas conseqüências, já que tem como tradição manter as massas distantes de suas ações "espetaculares", mas mesmo assim considerava que toda "simpatia" política dos revolucionários deveria estar com os qualificados pela burguesia de "terroristas". Dizia Trotsky: "Todas nossas emoções, nossa simpatia estão com os sacrificados vingadores, embora eles tenham sido incapazes de descobrir o caminho correto." (Leon Trotsky: "A favor de Grynszpan: contra os bandos fascistas e a canalha stalinista", 1939). Para aqueles como os filisteus "esquerdistas" que não se envergonharam nem um minuto sequer de condenar furiosamente os ataques aos EUA do dia 11 de setembro, sob a ótica da opinião pública burguesa, utilizando-se inclusive de citações marxistas para proclamarem a vigência da luta pelo socialismo, as lições do velho bolchevique servem como um antídoto ao seu cretinismo "revolucionário": "A solidariedade moral nos une desde já a Grynszpan, não a seus carcereiros ‘democráticos’... No sentido moral, mas não por sua forma de atuar, Grynszpan (jovem "terrorista" antifascista, NDR) pode servir como modelo para todo jovem revolucionário. Nossa sincera solidariedade moral com Grynszpan nos garante o direito de dizer a todos os futuros Grynszpans; a todos aqueles capazes de sacrificar-se na luta contra o despotismo e a bestialidade: buscai outro caminho!" (idem). Buscando delimitar-se com os reformistas "escandalizados" com atos terroristas, Trotsky nunca acalentou nenhum tipo de "frente" política para condenar o que denominou de "ardente desejo de vingança". Ao contrário, procurava explicar pacientemente as limitações do método terrorista, como forma de derrotar a barbárie capitalista: "Não há nenhuma necessidade de insistir em que os socialistas nada têm a ver com estes moralistas pagos, que em resposta a qualquer ato terrorista falam solenemente do ‘valor absoluto’ da vida humana... Digam o que digam, os eunucos e fariseus morais, o sentimento de vingança tem seus direitos... Não extinguir o insatisfeito desejo proletário de vingança, mas ao contrário avivá-lo uma e outra vez, aprofundá-lo, dirigi-lo contra a verdadeira causa da injustiça e baixeza humanas; tal é a tarefa dos socialistas." (Leon Trotsky, "Acerca do terrorismo").

"GUERRA SANTA" OU REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL PARA DESTRUIR O IMPERIALISMO GENOCIDA

O ataque aos EUA não pode ser analisado sob o ângulo de um acadêmico pequeno-burguês, que de seu gabinete universitário arrota "conceitos marxistas" contra o terrorismo individual, para depois concluir que estes atos acabam servindo aos interesses de Bush. Qualquer análise marxista minimamente conseqüente deve partir do seguinte pressuposto: os bombardeios norte-americanos, nos últimos anos, aos povos árabes e muçulmanos geraram quase meio milhão de mortes, é justo ou não que o direito de vingança seja exercido contra o monstro imperialista? Como revolucionários, afirmamos que sim, e por esta razão não ingressamos no contra-revolucionário coro uníssono mundial em condenação ao ataque ao Pentágono e à sede da CIA em NY.

A Organização Comunista Internacionalista - Cuarta Internacional (Argentina), OCI-CI considera absolutamente insuficientes e limitados os ataques realizados no dia 11 de setembro sobre os EUA, não por sua eficiência estritamente militar (sob esta ótica, poderiam ser considerados grandiosos, diante da superioridade bélica ianque no planeta), mas pela ausência da mobilização de massas no mundo imperializado, que acompanhasse esta ação no centro do imperialismo. As organizações fundamentalistas islâmicas, que provavelmente tenham protagonizado o ataque aos EUA carecem de um programa marxista revolucionário. Ao invés de conclamarem a guerra antiimperialista, convocando inclusive a poderosa classe operária norte-americana para derrotar seus próprios verdugos, apelam a uma "guerra santa", desprovida de conteúdo proletário, como se as burguesias árabes muçulmanas fossem menos carniceiras do que as burguesias ocidentais cristãs. Neste sentido, ao mesmo tempo em que não nos juntamos à escória internacional "antiterrorista", não podemos deixar de proclamar a ineficiência dos ataques e de seus promotores como mola propulsora da revolução proletária mundial.

Uma vigorosa delimitação programática com as organizações fundamentalistas muçulmanas, ou com qualquer direção política que não represente os interesses do proletariado mundial, mas que em qualquer circunstância se enfrente militarmente com o imperialismo, deve partir do pressuposto do nosso apoio incondicional à sua trincheira militar, sem capitular um milímetro sequer ao seu programa contra-revolucionário. Combatemos desde o mesmo campo militar antiimperialista com nossa estratégia da revolução socialista mundial, para construir, no campo da luta real e concreta das massas oprimidas, o partido revolucionário, ou seja, a Quarta Internacional. Lutamos na Palestina com o Hamas, Hezbollah, ou a FPLP, na mesma trincheira militar para destruir o enclave nazi-sionista de Israel, explicando pacientemente à vanguarda combatente, que somente a superação da estratégia nacionalista e islâmica e a adoção da estratégia política de lutar por uma Palestina soviética, que unifique o proletariado árabe, palestino e judeu, poderá conduzir à verdadeira revolução socialista para varrer o gendarme genocida do imperialismo na região. Também na guerra do Golfo, combatemos lado a lado com as tropas chefiadas pelo nacionalista burguês Saddam Hussein para derrotar o imperialismo. Publicitamos às massas que a orientação política de Saddam Hussein levaria a uma retumbante capitulação ao imperialismo, sem que isto nos colocasse no campo do imperialismo, ou do pacifismo pequeno-burguês; nos mantivemos firmes na defesa da vitória militar do Iraque sobre a máquina de guerra do imperialismo genocida. Não poderíamos mudar de posição agora no atual conflito entre os EUA e o Taleban, sob pena de uma tremenda traição ao programa que defendemos, ou seja, a revolução proletária mundial. Os que se escondem envergonhados na frente mundial em repúdio ao ataque aos EUA do dia 11 de setembro e traficam a nefasta política do pacifismo pequeno-burguês são os mesmos reformistas e pseudotrotskistas que se limitam exclusivamente a pedir a suspensão dos bombardeios sobre o Afeganistão, sem anunciarem claramente qual é a trincheira da classe operária mundial nesta guerra, uma guerra imperialista de rapina contra um país oprimido.

Lutamos pela vitória militar afegã, assim como fizemos no Iraque durante a Guerra do Golfo, porque a derrota do imperialismo significa o fortalecimento da Intifada palestina, da unidade revolucionária dos povos oprimidos do Oriente Médio e um apoio à mobilização das massas árabes e muçulmanas contra seus governos títeres, assim como a sua extensão para o proletariado em todo o planeta, que tem suas conquistas atacadas pelos mesmos monopólios e grupos econômicos que patrocinam a bestial ação militar norte-americana contra o Afeganistão.

A OCI-CI não dissimula sua posição política explícita de apoio incondicional ao Afeganistão, Taleban e Al Qaeda contra a ofensiva militar imperialista, mas a unidade de ação militar antiimperialista não nos impede, nem nos imobiliza de estabelecer uma dura separação política entre nossos interesses revolucionários e os interesses nacionalistas burgueses do Taleban e seus congêneres. Ao contrário, afirmamos que a estratégia do nacionalismo burguês, seja fundamentalista muçulmano ou não, levará cedo ou tarde a uma capitulação ao imperialismo, como fizeram Saddam Hussein e recentemente Milosevic na Iugoslávia. Somente a conquista da direção político-militar deste conflito nas mãos de um partido revolucionário, poderá conduzir as massas oprimidas à vitória cabal e definitiva sobre o regime capitalista mundial, representado militarmente pela força armada imperialista.

BIN LADEN: UMA CRIAÇÃO DA CIA CONTRA O ANTIGO ESTADO OPERÁRIO SOVIÉTICO

As organizações de "esquerda", que hoje não têm o menor pudor de classe em condenar os "atos terroristas" sobre os EUA, possivelmente promovidos por Osama bin Laden, em sua grande maioria apoiaram sua "guerra santa" contra a ocupação do Exército Vermelho no Afeganistão em 1979. Naquela ocasião, agentes da CIA treinaram e armaram os mujaheddin (guerreiros da liberdade) para desestabilizar o governo de frente popular, dirigido pelo Partido Popular Democrático de Babrak Kar-mal, uma espécie de satélite político da burocracia soviética. Por adotar medidas muito tímidas e limitadas, que feriram interesses dos latifundiários semifeudais do Afeganistão seguidores do Islã, como uma reforma agrária parcial e a abolição da burqa (véu muçulmano imposto às mulheres) e da escravidão feminina, o governo frente-populista do PPD sofreu um ataque militar dos mujaheddin apoiados pela CIA, que tencionava o estabelecimento de um posto avançado do Pentágono na fronteira com o Estado operário soviético. Uma posição justa do proletariado mundial deveria partir do apoio à ocupação soviética ao Afeganistão, assim como da exigência de um programa radical de expropriações, no caminho da extensão das conquistas de 1917 naquele país atrasado, porém integrado à produção capitalista mundial.

Em 1989, os burocratas restauracionistas, liderados por Gorbachev promoveram a retirada do exército soviético do Afeganistão, pactuando com os EUA a retirada dos agentes da CIA do país e o estabelecimento de um governo muçulmano oriundo das diversas milícias fundamentalistas que combateram os soviéticos. Neste governo, o Taleban (formado a partir da influência da burguesia paquistanesa sobre a região) integra-se como fração minoritária até 1995, quando, a partir da barbárie vigente surgida desde 1989, golpeia as demais frações e concentra o poder do Estado em suas mãos.

A partir do governo central do Taleban, que controla cerca de 90% de todo o território nacional, Bin Laden e Al Qaeda iniciam seu novo "combate sagrado" ao antigo aliado: o imperialismo ianque, fundando núcleos de treinamento de guerrilha no Afeganistão.

É óbvio que a drástica mudança de Bin Laden, armado pela CIA nos anos 70 e agora seu principal inimigo, tem como móvel a espoliação do território afegão e árabe pelos grupos econômicos imperialistas, que geram a miséria e atraso secular de toda a Ásia Central e península arábica. A pressão política das massas e o sentimento antiimperialista obrigam as direções islâmicas a adotarem uma postura "radical" contra alvos imperialistas, mas sem a conseqüência de uma luta internacional proletária contra o capitalismo mundial. Por isso, essas direções nacionalistas burguesas oscilam em momentos históricos, ora combatendo os interesses do proletariado, como no caso da ocupação soviética em 79, ora combatendo o imperialismo, como na Guerra do Golfo, ou no atual enfrentamento militar com os EUA.

O IMPERIALISMO IANQUE ENCABEÇA A ABERTURA DE UM PERÍODO DE RECRUDESCIMENTO POLÍTICO E MILITAR SOBRE O PROLETARIADO MUNDIAL

A ascensão de Bush à frente do maior e mais poderoso Estado imperialista do planeta, mesmo tendo perdido as eleições diretas para o democrata Al Gore, quebrando uma linha de continuidade de dois mandatos do Partido Democrata, representou o prenúncio de que o imperialismo ianque necessitava "ajustar" sua política econômica e militar frente ao novo ascenso de massas aberto nesta virada de século.

A era Clinton teve como marco uma orientação para o centro de unificação com a social-democracia européia, em um período inaugurado após a vitória americana sobre o Iraque, antecedida pela derrubada do Muro de Berlim. O imperialismo ianque e europeu buscavam a cooptação do movimento operário internacional, enquanto avançavam em um processo sem precedentes de recolonização mundial e restauração capitalista no antigo bloco soviético. A partir do final da década de 90, inicia-se um processo parcial, mas ininterrupto de reorganização de lutas, já não exclusivamente defensivas, tendo como ápice o multitudinal ascenso latino-americano (em especial a queda do governo Jamil Mahuad no Equador) e a retomada da Intifada palestina.

A aparição em primeiro plano no cenário internacional de nomes como Berlusconi, Ariel Sharon, Jörg Haider, Putin, Bush correspondem à necessidade do imperialismo de investir com sua mão direita sobre a reação proletária internacional.

Com o ataque do dia 11, o imperialismo norte-americano utiliza-se do estado de guerra para tentar direcionar uma massa enorme de capital subreproduzida, estocada em títulos do tesouro norte-americano remunerada com taxas de juros cada vez mais baixas, em função da profunda recessão da economia norte-americana, para a indústria bélica, um recurso tradicional do capitalismo em momentos de depressão econômica. Enquanto mais de cem mil trabalhadores das empresas de aviação civil foram demitidos após o dia 11, o governo Bush já destinou uma verba de 15 bilhões de dólares para a guerra, além de 40 bilhões de dólares para a recuperação do Pentágono e da região em torno do WTC. Além de fortalecer tendências latentes dentro (e fora) do próprio Partido Republicano a uma fascistização do regime político norte-americano. A criação de uma super secretaria de defesa interna, chefiada pelo ex-governador da Pensilvânia Tom Ridge, favorecendo a criminalização dos movimentos sociais, que agora podem ser qualificados de antipatrióticos para sofrerem todo tipo de perseguição policial, além do clima de xenofobia instalado no país são alguns elementos deste novo período aberto a partir do dia 11. Nos próprios EUA já foram efetuadas mais de 500 prisões de imigrantes de origem árabe e muçulmana e o governo Bush apresentou uma série de medidas draconianas ao Congresso que restringem as próprias liberdades civis dos norte-americanos, com a desobrigação de autorização judicial para a instalação de escuta telefônica e da necessidade de provas para deter por tempo indeterminado suspeitos de terrorismo. Além da supressão às liberdades democráticas nos EUA, soma-se a censura à imprensa, que tem as informações e imagens veiculadas limitadas às imposições oriundas do Pentágono.

Os órgãos de inteligência e o monstruoso aparato tecnológico-militar imperialista (CIA, FBI, NSA) utilizam-se da chamada "luta antiterror" para impor a perseguição às minorias, às organizações de esquerda e lançar uma ameaça pública a qualquer Estado nacional que possa ser um obstáculo aos interesses políticos, econômicos e militares do imperialismo ianque.

No plano internacional, a ampliação da influência militar ianque em regiões estratégicas é uma meta a ser alcançada a partir da guerra com o Afeganistão, já tendo sido inclusive planejados, no próximo período, bombardeios a outros países.

Seria absolutamente equivocado supor que a partir da humilhação sofrida com a derrubada das torres gêmeas do WTC e do ataque ao Pentágono, que o imperialismo ianque começasse imediatamente uma etapa de declínio político e militar, em contraposição aos seus inimigos, os novos "bárbaros" do mundo muçulmano. A humilhação sofrida pelos EUA não tem uma correspondência direta com o desenvolvimento da organização e consciência da classe operária nos principais centros de produção capitalista mundial. Somente a organização revolucionária da classe operária mundial poderá derrotar historicamente o imperialismo ianque. As investidas de "terrorismo" militar sobre os EUA, ao contrário, devem reforçar as tendências ao recrudescimento político e militar sobre os povos oprimidos de todo o planeta e também sobre a própria classe operária norte-americana. As mobilizações multitudinais que ocorrem no mundo muçulmano, por mais importantes que sejam para a derrota do imperialismo, são insuficientes do ponto de vista político (pelo caráter nacionalista burguês, e em grande parte fundamentalista islâmico de sua direção), para alcançar uma vitória cabal e imediata sobre o principal centro do terrorismo contra a humanidade: o imperialismo ianque.

É muito provável que outros ataques ocorram tanto nos EUA, como na Europa, solidificando as tendências da extrema direita nazi-ianque a tomar para si o controle direto do Estado, com o objetivo de aplastar com métodos de guerra o conjunto dos adversários do imperialismo em terreno nacional e internacional. Assim como o incêndio ao Reichstag (sede do parlamento alemão) nos anos 30 serviu como pretexto para pavimentar a via de ascensão ao poder dos nazistas, podemos sustentar que o ataque aos EUA do dia 11 inaugura um período de ascensão da extrema direita ao poder estatal na América. Caberá à poderosa classe operária norte-americana, como apoio do proletariado mundial, barrar este caminho aberto, que tem o governo Bush apenas como ponto de transição política. Para combater essa tendência em curso, que já vinha se expressando com a imposição do Plano Colômbia na América Latina e na ampliação das bases militares ianques por todo o mundo, é preciso que o proletariado mundial, as massas das nações oprimidas, a vanguarda classista dos países avançados lutem pela derrota do imperialismo na guerra com uma perspectiva socialista, como parte do combate contra o processo de militarização em andamento.

O ataque aos EUA vem servindo como justificativa para que os governos das metrópoles imperialistas imponham uma militarização da ordem mundial, já extremamente recrudescida com a supremacia militar norte-americana após a queda da URSS. Assim, os amos imperialistas podem impor com maior facilidade a recolonização imperialista das nações e patrocinar a milionária indústria militar, em retração desde o fim da chamada "guerra fria". Desta forma, o imperialismo elege seu novo inimigo mortal, o "terrorismo", substituindo o comunismo e a ex-URSS como principal ameaça aos seus interesses no planeta.

A caracterização das tendências atuais de recrudescimento político e militar por parte do imperialismo sobre o planeta com a conjuntura aberta após o dia 11, de modo algum poderia justificar um emblocamento reacionário contra os ataques aos EUA. Se é verdade que o partido revolucionário trabalha com seus próprios métodos políticos na luta contra o capitalismo, quais sejam os da mobilização permanente das massas rumo à revolução socialista, não podemos desconhecer a legitimidade da violência (o direito à vingança) dos povos agredidos pelo terror estatal imperialista em responderem na mesma moeda, mesmo que isto implique na morte de civis (inclusive trabalhadores) em território norte-americano. Uma questão é a intransigente defesa programática dos métodos próprios de ação da classe operária, outra é completamente oposta, é somar-se aos piores verdugos do planeta na condenação ao "terrorismo" dos oprimidos.

A GUERRA CONTRA O AFEGANISTÃO PROVOCA A REAÇÃO MUNDIAL DAS MASSAS CONTRA O IMPERIALISMO

A frente contra-revolucionária mundial, formada para condenar o ataque aos EUA do dia 11 de setembro, por mais ampla que fosse, não anulou a reação das massas contra a bestial e covarde investida anglo-ianque contra o Afeganistão. Apesar da humilhante capitulação dos governos títeres da região, como Pervez Musharraf no Paquistão, ou mesmo do lambe-botas do imperialismo Iasser Arafat, as massas árabes e muçulmanas saem cotidianamente às ruas em solidariedade ao Taleban, inclusive com o desejo de combaterem de armas na mão a ocupação militar ianque naquele país. O governo paquistanês decretou Lei Marcial no país e não cessa a repressão, com vários mortos e centenas de prisões. Contra a população insurgente na Palestina, Arafat solicitou ao nazi-sionista Sharon armas para dispersar as manifestações populares a favor do Taleban. Na Indonésia, a filha de Sukarno, recém-empossada presidente, Megawati Putri, chegou a cerrar as fronteiras do país para evitar que milhares de ativistas deixassem o país para combater no Afeganistão.

Os EUA e a Grã-Bretanha, valendo-se da impotência, covardia e capitulação dos governos do Oriente Médio, avançam o processo de corrupção das burguesias árabes para que reprimam as massas e se alinhem militarmente com seus amos imperialistas, silenciando-se diante dos ataques ianques-britânicos, como foi a resolução da mais recente cúpula árabe-muçulmana. Não por acaso, o Secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, viajou para o Oriente Médio para literalmente comprar o apoio dos países árabes antes do bombardeio imperialista, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, como parte da ajuda canalha da social-democracia européia, lançou a política de "pão e bombas", com a distribuição de alimentos para cobrir a intervenção imperialista de uma áurea humanitária de ajuda ao faminto povo afegão.

Lutar energicamente pela vitória militar do Taleban sobre a máquina de guerra assassina do imperialismo é a tarefa fundamental da classe operária em todo o mundo. A derrota do imperialismo será um duro golpe em seus planos de estabelecer um potentado no Afeganistão, bem no coração da Ásia central, uma região que além de muito rica em recursos naturais, como gás natural e petróleo, é estratégica para a hegemonia militar absoluta dos EUA na única parte do planeta onde isto não ocorreu. A implantação de um enclave do imperialismo na Ásia central significa para os EUA o controle político, econômico e militar desta região, intimidando diretamente a Rússia, para depois estender seu domínio sobre as antigas repúblicas soviéticas do Uzbequistão, Tadjiquistão, Cazaquistão e Turcomenistão (concluindo desta forma o esquartejamento definitivo da antiga URSS), também representa uma ameaça ao Estado operário chinês já que mísseis de curto alcance poderiam atingir suas principais cidades, e por último a subjugação completa do Paquistão e da Índia, países que possuem armamento atômico e até então possuíam uma pequena autonomia frente aos ditames de Washington.

A unidade de ação militar com o Taleban, Al Qaeda, Saddam Hussein, Hamas, Hezbollah etc., ou qualquer organização ou governo de países oprimidos que se enfrentam militarmente com o imperialismo, de modo algum significa apoio político ao programa ou à estratégia político-militar destes agrupamentos. Os bolcheviques leninistas combatem desde a mesma trincheira do país oprimido, mas com total liberdade programática e de ação política e militar junto às organizações e governos que não representam os interesses históricos da classe operária. Como nos ensinou Lenin, defendemos a derrota do imperialismo como a forma de desenvolver a consciência socialista de classe no proletariado mundial e encorajar a luta de massas contra o capitalismo, em suas diversas formas de regimes políticos: "Os partidários da consigna ‘Nem vitória, nem derrota’ (o que equivale hoje à reduzida palavra-de-ordem ‘defesa do Afeganistão’, ou ‘fim da guerra’, NDR) aderem uns e outros ao ponto de vista do social chauvinismo. Uma classe revolucionária não pode deixar de desejar a derrota de seu governo em uma guerra reacionária e não pode deixar de ver que as últimas derrotas militares podem facilitar sua derrubada" (Lenin, O Socialismo e a Guerra, 1915). Como uma organização comunista, a OCI-CI não se furtará de declinar seus objetivos pela revolução socialista em todo o mundo ocidental e oriental, o que significa que qualquer unidade de ação militar com organizações ou governos nacionalistas burgueses islâmicos não representa abrir mão de um segundo objetivo surgido simultaneamente na guerra antiimperialista, ou seja, a guerra de classe contra o capitalismo nativo (os regimes islâmicos), disputando a direção política das massas árabes e muçulmanas com as organizações fundamentalistas e apontando a necessidade histórica da revolução socialista em todo o "mundo muçulmano", como via de superação do baixo nível de desenvolvimento de suas forças produtivas.

RECONSTRUIR A QUARTA INTERNACIONAL, OU SUCUMBIR À BARBÁRIE IMPERIALISTA

Se a mobilização de massas permeia os países árabes e muçulmanos como um rastilho de pólvora, gerando uma profunda instabilidade para as burguesias corrompidas e subservientes ao imperialismo, nos países ocidentais, o impacto político da ampla frente contra-revolucionária sobre o movimento operário foi bem mais eficaz.

As ONGs (Organizações Não Governamentais), patrocinadoras dos movimentos antiglobalização, foram as primeiras a "capitular" diante da pressão da burguesia. Suspenderam as manifestações contra o FMI e o Banco Mundial, marcadas para o dia 26 de setembro e em seu lugar convocaram atos pela "paz e contra a guerra" totalmente esvaziados. Já a esquerda reformista tradicional, incluindo os renegados do trotskismo, esforçou-se em encontrar citações marxistas para condenar, supra-historicamente e por cima de qualquer situação concreta da luta de classes, o terrorismo. Na Argentina, que atravessa um período eleitoral, a busca frenética por votos embotou qualquer esboço da esquerda para enfrentar a opinião pública pequeno-burguesa, embriagada com a propaganda antiterror, esforçando-se em passar a imagem de pacifistas para tentar eleger algum deputado. No Brasil, o governo Fernando Henrique Cardoso baixou um "pacote antiterrorismo", que autoriza a espionagem política sobre as organizações "suspeitas de terrorismo" (leia-se, a esquerda revolucionária) com o apoio da Frente Popular (Partido dos Trabalhadores). Na Colômbia, temendo ser também alvo dos caças ianques, as Farc não demoraram para ratificar suas intenções de celebrar a paz com o governo Pastrana, abdicando de qualquer perspectiva revolucionária socialista.

Os mais "ortodoxos" pseudo-trotskistas, agora, quando as toneladas de bombas ianques caem sobre o Afeganistão, podendo levar à morte mais de 300 mil civis (seja pela fome, frio e doenças), segundo a própria Unicef, limitam-se a levantar quando muito e timidamente a "defesa do Afeganistão e o fim da guerra", um verdadeiro tributo à inação das massas, sedimentando um clima de suposta impotência dos países bombardeados, favorecendo desta forma o caminho da vitória imperialista, como aconteceu no Iraque e Iugoslávia. Cinicamente, dizem que o imperialismo é vítima de sua própria política, ao mesmo tempo em que negam e condenam furiosamente o direito de revide das vítimas reais do terror imperialista.

Sob esta política de conciliação de classes será muito difícil edificar um vasto movimento de massas pela derrota do imperialismo e a vitória do Afeganistão sobre os carniceiros ianques. Desgraçadamente, o fundamentalismo islâmico, Bin Laden e Al Qaeda parecem mais radicais e corajosos no enfrentamento com o imperialismo do que os semipacifistas, centristas e revisionistas do leninismo e trotskismo, que ainda devem estar com suas faces molhadas pelas lágrimas derramadas às vitimas do Pentágono e da CIA.

É sob o impacto dos grandes fatos históricos da luta de classes na época atual de hegemonia do imperialismo (época de guerras e revoluções, segundo Lenin), que se processa a decantação entre genuínos revolucionários e o arco dos reformistas e revisionistas que infestam as fileiras da classe operária. A OCI-CI (Argentina) realiza um chamado aberto e franco a todos aqueles que anseiam pela derrota militar e política do imperialismo e o surgimento de uma nova ordem socialista mundial, para que construamos o partido revolucionário em escala internacional, única ferramenta que poderá conduzir à vitória final sobre o imperialismo morticida. Somente a reconstrução da Quarta Internacional, sobre bases programáticas principistas e revolucionárias, poderá estabelecer uma perspectiva socialista para o atual horizonte cinza e nebuloso pelo vapor da guerra imperialista perpetrada contra todos os povos do planeta que ousam enfrentar sua hegemonia baseada na exploração e espoliação do proletariado mundial.

Liga Bolchevique Internacionalista
Outubro de 2001

(Publicado originalmente na Revista Marxismo Revolucionário nº 4)