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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tijoladas do Mosquito - Resposta


Conforme os questionamentos que recebi em email privativo e, em resposta ao Luis,  que é um morador do Campeche (Sul da ilha), em Florianópolis, eu publico uma parte daquilo que conversamos durante mais de duas horas, inclusive, com a sua autorização, já que durante vários meses eu havia questionado o Mosquito, tanto em particular como publicamente através dos meus blogs.



- Pôh cara, eu sei que vocês se conheciam desde a tua militância no PCB [...]




[...] bem Luis, o fato de eu ter conhecido ele no PCB e de conhecer a sua historia de luta desde antes, isso já seria motivo para ele não me chamar de "judeu de merda" e ainda dizer que “Vocês judeus e gaúchos tem que se fuderem” e, voltarem pra onde nunca deveriam ter saído. Quero apenas lembrar que faz pouco mais de quatro anos que retornei ao judaísmo, naquilo que chamamos de Baal Teshuvá, e eu pertenço ao judaísmo reformista.



Mesmo ele tendo me falado isso, eu ainda insisti e pedi pra ele não misturar o judaísmo com a questão do estupro que foi cometido pelo filho de um dos Sirotsky. Na verdade aquilo foi o suficiente para ele me ignorar por completo, inclusive me mandando tomar na “rosca” dizendo que no blog dele eu não teria direito de responder...




...Ele também teve todo o tempo do mundo para se defender daquilo que eu publicava ali no meu blog. Você pode ver que ali dificilmente eu modero alguém, mesmo que eu não goste do que me dizem, mas enfim...




...Na verdade eu estava esperando que ele me envia-se qualquer mensagem dizendo que aquilo não passou de um mal entendido e ponto final, porém, se fizesse isso, eu pediria que publicasse qualquer coisa se retratando em relação ao judaísmo, como ele fez logo após ter a infelicidade de publicar uma nota contra os gays. Não demorou muito e ele fez uma matéria visitando cordialmente uma transexual cabeleireira.




...É obvio que ele me conhecia, embora não tivéssemos uma amizade mais próxima, éramos companheiros de luta dentro do mesmo arco ideológico. Na verdade ele me foi apresentado durante uma plenária do PCB lá pelo final de 1989.




...Bem cara, muitos dos que se fizeram presente ali naquela manifestação em frente à catedral metropolitana e, tantos outros que se esmeram pela internet em discursos recheados de oportunismo, poderiam muito bem ter ajudado ele financeiramente, ou mesmo juridicamente se assim o desejassem, mas, nada disso. Na verdade Luis, é assim que agem na maioria das vezes. E olha cara, o mosquito estava passando uma barra fudida mesmo, no mínimo, mal podia se alimentar, na verdade já estava sem qualquer condição.




E, sinceramente, o seu suicídio era uma coisa inimaginável em todos os sentidos.





Eu sempre o via como um cara muito forte, convicto, politicamente preparado, arrojado e decidido, mas, jamais poderia ter imaginado que terminasse assim...




Ele pedia ajuda financeira quase que envergonhado, e usava da sua criatividade no blog pra tentar convencer os seus supostos amigos da internet, até porque os das lutas por uma sociedade mais justa, mais humana e ética politicamente falando, bem, cada um, costumam cuidar do seu próprio umbigo e da sua barriga.




Eu me lembro, há muitos anos atrás, durante minha militância mais ativa nos movimentos populares, quantas vezes eu participei de reuniões, de plenárias, e de manifestações sem a mínima condição de estar presente ali naqueles atos. Eu também passei muitas dificuldades, inclusive de sobrevivência mínima, havia dias que não tinha nem como retornar pra casa.




Eu percebia que muitos que ali se faziam presentes com discursos “socialistas” e “revolucionários”, no final de tudo, iam pra casa de carro do ano, com a barriguinha bem alimentada, E na moral mesmo, quando eu encontrava alguns deles pela rua, fingiam não terem me visto, afinal, não queriam se expor publicamente, ou serem vistos conversando com um cara magricelo, banguelo, cabeludo e quase maltrapilho, pois essa era a minha aparência no final dos anos 80 quando eu ainda era um artesão hippie.




Muitos sentiam vergonha de se aproximarem, mas durante as manifestações, bem, eles tinham que provar para as massas que pertenciam ao povo... De verdade mesmo, ninguém dá nada pra ninguém, pois se quisessem dar, o mosquito talvez estivesse vivo.




...É claro que me senti incomodado, o Edson Andrino é um histórico do PMDB e independente de ideologia, ele sempre se mostrou honesto. Você lembra que eu estava no PMDB até parte daquele ano de 1989. Eu tenho vários amigos ali, e pessoas que também tenho consideração por suas historias de lutas passadas.

...Eu também freqüentei o gabinete local do Senador Nelson Wedekin ali no edifício APLUB.




...Bem cara, eu também me senti incomodado quando criticaram a atuação do Sergio Grando quando este foi prefeito de Floripa pela Frente Popular. Na verdade, além de ter sido um dos fundadores da Associação dos Moradores da Praia das Areias, ele foi o vereador que juntamente com a Vereadora Clair Castilhos, bateu de frente contra os jagunços que intimidaram, e colocaram fogo em vários barracos na comunidade, nos anos 80. Por outro lado, foi o prefeito Sergio Grando que desapropriou pra fim social a área historicamente existente da comunidade de Areias do Campeche.

Já o PT, ficou a desejar, e patrocinou um despejo dramático na Vila Socialista de Diadema em SP durante um de seus governos naquela cidade.


Por isso Luis, é que existem pessoas e pessoas literalmente falando...


...Olha cara, eu não sou muito chegado no PT por questões partidárias, mas eu tenho ali muitos amigos, velhos companheiros dos movimentos populares, e também, gente que eu não gosto porque sei que são pessoas com mentes aburguesadas.

Eu tenho o maior respeito pelo Vereador Marcio de Souza porque sempre que precisei dele nas lutas sociais, ele se fez presente e atuante.





Gosto da Ideli Salvati desde os tempos que presidia o SINTE (Sindicato dos Trabalhadores na Educação), aliás, ela tem um discurso que cativa as pessoas.





Tenho diferenças? Tenho sim, mas mesmo eu não sendo de sua ideologia, ainda assim, sempre que solicitei a sua ajuda ela foi pontual, nunca se furtou por isso. Eu me lembro que no ano de 1999 durante a gestão da Ângela Amim, na prefeitura de Florianópolis, exatamente no dia que seriamos retirados da Praça XV de novembro, conforme tínhamos combinado, a Ideli apareceu na praça as 06:00 horas da manhã para se juntar aos artesão na resistência pela nossa permanência com a feira hippie de artesanato que existia desde 1968.





Ali se fizeram presentes vários sindicalistas de muitas categorias, incluindo os bancários, eletricitários, correios, vigilantes, CASAN, da previdência, dos motoristas e cobradores e tantos outros ligados a CUT.





Os ex Deputados Mauro Passos, Vânio dos Santos e a Deputada Federal Luci Choinack sempre nos apoiaram, incluindo ai o Vilson Santin.





Então, veja que eu não tenho “bronca” especial de ninguém.





No caso do mosquito, tudo se deu por seu anti-semitismo declarado.





... Claro Luis, eu também já fui criticado e até mesmo perseguido e desmistificado, dentro do próprio movimento. O jogo de interesses privados às vezes se sobrepõe a própria ideologia coletiva, e nem sempre você consegue controlar.





... O Celso Martins era jornalista e assessor de imprensa da OAB em 1989, e foi ele que agendou nossa reunião com o Paulo Henrique Blasi então presidente da OAB/SC.




Depois dessa reunião, ele agendou outra com o então Secretário de Segurança Pública do Estado, o Deputado Rivaldo Macari. O motivo tinha sido a tomada da comunidade por forças policiais que já durava mais de uma semana, por conta de um tiroteio que ocorrera entre supostos traficantes e policiais do 2º DP. Na verdade, o DEIC e a policia militar cercaram a comunidade sem tréguas.





Eu havia solicitado ao comandante da operação que parasse ou flexibiliza-se as operações, já que os caras não residiam ali. Nós éramos revistados várias vezes por dia.





Como resposta, o Delegado José Tadeu Vargas intensificou as ações.





Após nossa reunião na SSP, todo o aparato policial foi retirado por ordem do Secretário da Segurança Pública que atendeu ao pedido da comunidade com o apoio da OAB. Este era o governo do PMDB do qual eu militava, mesmo sendo marxista.





...Eu queria te dizer que ninguém é unânime naquilo que faz, até porque, sempre vai haver quem não concorda.





Numa outra situação, durante uma convenção do PCB em 1991 sem ter planejado ou mesmo tramado alguma coisa, eu derrotei o Marcão (Marco da Ross) que era o presidente do Sindicato dos Professores da UFSC (APUFSC)e disputava a composição do Diretório Municipal do partido. Na verdade eu tinha sido apoiado pelos professores da UFSC Vilson Rosalino, Jerônimo Machado, Charlie Machado (acadêmico de Direito), Sergio Grando (Deputado Estadual), João Carlos (Sociólogo) e tantos outros que me deram aquela vitória inesperada. Bem, aquilo ali foi à maior cagada da minha vida, imaginei, mas eu estava em plena efervescência nos movimentos sociais e não tinha conseguido fazer uma leitura correta daquele evento. Em 1992 ocorreu a eleição de delegados para o congresso do racha e eu fui escolhido como participante.





Chegando a São Paulo, após o racha que ocorreu no Teatro Záccaro, fizemos o nosso Congresso na a Escola Rooselvet. Eu participei de debates internos com a OPPL (Organização Popular Para Lutar) e com o PLP (Partido de Libertação Proletário) ambos com ramificações no nordeste e região central do Brasil. Estes grupos se fundiram com o PCB tornando uma força participante do Comitê Central. Durante a formação do Comitê, eu fui indicado pela delegação do estado de Santa Catarina como o único candidato, mas isso era apenas o começo do fim...






O grupo do Marcão (dos Professores) mesmo derrotado em votação interna lançou o professor Gama como o 2º candidato, contrariando a própria delegação. Eu perdi a votação, mas recebi um forte apoio dos grupos “prestistas” que haviam se incorporado ao partido, e também de outros estados. Confesso, se estivesse mais bem preparado, talvez tivesse ganhado aquela votação.





Minha oratória tinha sido tímida diante do coletivo. Bem, aquele feito ali foi em decorrência do evento na votação do Diretório Municipal ocorrida no ano anterior.



Mas, isso não parou por ali. Durante a convenção partidária para as eleições no ano de 1992, eu venci a convenção que me indicou como candidato a vereador.

Durante os debates internos no partido, eu recebi incentivo e apoio da Marlene Soccas e de quase todos os companheiros de Criciúma, incluindo o Amadeu, a Terezinha, o Italiano e, praticamente todos os históricos do PCB estadual, que não aceitavam o candidato “arranjado” (Mario Motorista) que, além de declaradamente dizer que não era marxista, usou o PCB como partido de aluguel, contrariando tudo o que condenávamos no congresso do racha.

Aquilo ali foi um acontecimento gritante e imoral que no fundo mesmo, representava um conluio entre o Movimento Socialista Revolucionário (MSR) formado por maioria de professores da UFSC e os Professores também da UFSC que de fato dominavam o partido, mas, sinceramente, muito longe das massas.

Na época, eu havia pensado em comunicar o ocorrido ao Comitê Central do partido, mas, evitei no intuito de manter a tranquilidade durante o processo eleitoral.

A camarada Marlene Soccas (ex-presa política e torturada na OBAN e Operação Barriga Verde) já estava indignada desde o Congresso do Racha, quando em votação dentro da delegação do Estado, nosso grupo (das bases) derrotou democraticamente o núcleo (intelectual) da UFSC. Apenas neste adendo, o professor Gama (de economia) permaneceu pouquissimos meses em SC, tendo mudado-se para o estado do Paraná.

Eu permaneci até o final de 1998 no PCB, fato este que aconteceu após eu ter mergulhado nos estudos de várias obras e escritos de Trotsky, e, nesse sentido, optei em me filiar no PSTU.

Bem, isso não é uma critica destrutiva, mas apenas um relato do que ocorrera naquela data, ou seja, nem sempre somos unânimes.





Por isso, fica claro que o mosquito também não seria unânime, não somente pelas denuncias, mas também pela forma que as fazia em seu blog. Aliás, ele mesmo também saiu do partido e se filiou naquele que historicamente nós comunistas combatemos como entreguistas...





[...] Se eu me arrependo? Não Luis, eu não me arrependo nem um pouco por aquilo que defendo e escrevi. Pode até parecer arrogância de minha parte, mas na verdade, eu não abro mão da minha luta por justiça social, pelo socialismo enquanto ideologia, e isso seguramente passa pelo respeito às etnias, as raças, aos credos, e no combate ao anti-semitismo. Pra mim que sai do ensino fundamental há pouco tempo (tinha somente o equivalente ao ginásio), e retomei os meus estudos depois de velho, é como uma avenida literária que se abre a minha frente. Pois é graças a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que eu pude terminar o ensino fundamental (EJA) e o Ensino Médio (CEJA) e com isso, entrar numa universidade com sede de conhecimento.





Então Luis, como eu sempre digo, eu não como pelas mãos de dirigentes partidários, não como por cartilhas arranjadas no tempo da história, para atender interesses temporais. Eu não posso me arrepender pelo erro dos outros...





Eu te agradeço por ter me procurado e inclusive me questionado, nossa amizade não muda em nada, independente de tua opinião...





Eu aproveito e te deixo o endereço do meu outro blog que tem o nome de “Tijoladas na Mentira”, aliás, ali está a minha verdadeira historia de lutas. Só peço que você tenha um pouco de paciência, pois ainda estou escrevendo e corrigindo periodicamente, mesmo após ter publicado, já que os blogs permitem que você faça as correções no tempo que entender melhor.





Saudações Socialistas







- Oh Carlão, porque ao invés de apoiar o Mosquito, você baixou a lenha nele?