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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ESQUERDA MARXISTA ROMPE COM O PT DENUNCIANDO O “AJUSTE” DO GOVERNO DILMA, ENQUANTO NA ARGENTINA ABRAÇA A CANDIDATURA PRESIDENCIAL DO ULTRANEOLIBERAL SCIOLI





A corrente política "Esquerda Marxista" (EM) deliberou recentemente por romper com o PT, após ter militado como tendência interna do partido por quase uma década. A EM é seção brasileira da CMI, Corrente Marxista internacional, herdeira política do histórico dirigente trotsquista inglês Ted Grant. Na Argentina a seção da CMI autodenomina-se como Corrente Socialista Militante (CSM).

Como todos sabem nosso vizinho país atravessa o segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o final de novembro, onde disputam a Casa Rosada dois candidatos e um único programa de duro ajuste neoliberal. Ao contrário das últimas eleições presidenciais brasileiras onde a postulante da Frente Popular negou até o último momento ter a intenção de atacar direitos dos trabalhadores ("Nem que a vaca tussa"), o candidato do governo da centro-esquerda, Daniel Scioli, promete promover uma forte desvalorização cambial e "ajustar" a economia argentina em direção aos fundos internacionais de "investimento". No Brasil, a EM fez sua autocrítica por ter sido "enganada" por Dilma, saindo do PT e pedindo sua imediata filiação ao PSOL, sendo duramente atacada por organizações revisionistas como o PCO que a acusaram "fazer o jogo da direita". 

No entanto parece que a trajetória "esquerdista" da EM não foi totalmente endossada pela CMI, que orientou sua seção na Argentina (CSM) na direção do apoio ao candidato direitista do governo Kirchner, o reacionário governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli. A CSM justificou sua posição de "apoio crítico" na surrada tese mal menor: "Incluso las condiciones para resistir y enfrentar el ajuste que la burguesía intentará llevar adelante serán cualitativamente diferentes en un gobierno de Scioli que en uno de Macri. Es por esto que pedimos el voto crítico a Scioli" (Declaração política da CSM). 

O interessante desta velha lógica reformista do "mal menor" não são seus argumentos, mas o cretinismo de convocar o proletariado a ser atacado pelo governo burguês mais "democrático". A grande ironia da situação é que a EM foi duramente criticada no Brasil por esta mesma lógica que sua "hermana" defende hoje na Argentina, ou seja, "ruim com Dilma pior sem ela". 

Dirigentes da esquerda do PT, como Valter Pomar, que polemizaram acidamente com a decisão da EM de cindir o partido e o governo petista, abonariam inteiramente as posições da CSM argentina. É evidente que as posições de colaboração de classe adotadas pela CSM devem causar intenso "desconforto" no discurso mais "radical" que assume atualmente a Esquerda Marxista, na véspera do seu tão desejado ingresso no PSOL, afinal todos os agrupamentos "trotsquistas" argentinos, inclusive os mais oportunistas como o MST, estão defendendo o Voto Nulo na segunda volta eleitoral. 

A EM em seu pedido de ingresso no PSOL pontuou muito bem a dinâmica dos governos da centro-esquerda neoliberal: "Outra coisa é que a vitória do Syriza e sua capitulação frente ao mercado financeiro internacional mostra que o reformismo de esquerda, hoje em dia, encontra rapidamente o caminho da falência como um partido de esquerda e da classe trabalhadora quando vai ao governo", só faltou avisar para seus camaradas portenhos.... posto que o Kirchnerismo já governa há mais de uma década a Argentina! Das duas uma, ou a CMI desautoriza a posição tomada pela CSM ou desmoraliza completamente o curso mais à esquerda traçado pela Esquerda Marxista.

Como conhecemos de longa data o revisionismo de Alan Woods (dirigente da CMI), que ao mesmo tempo em que conspirava com a contrarrevolução na Líbia e Síria, declarava lealdade absoluta ao governo Chavista na Venezuela (aliado de Kadaffi e Assad) apostaríamos que sua tendência internacional deverá avalizar a posição das duas seções... por enquanto. 

Para os Marxistas Revolucionários está colocado o combate vigoroso em todo o mundo, das variantes da esquerda burguesa que aplicam o receituário do "Consenso de Washington", em particular nos países capitalistas periféricos onde os efeitos da crise financeira internacional são ainda mais devastadores para o proletariado e o povo pobre. Tanto Scioli como Dilma são expressão política mais concentrada da demagogia falida da colaboração de classes, ambos não merecem apoio algum do movimento operário e popular latino americano.