OS FILMES ESTÃO LIBERADOS PARA SEREM ASSISTIDOS NO VK.COM - mas vc terá que se cadastrar na rede social russa - DIVIRTA-SE...

Mostrando postagens com marcador Joseph Stalin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joseph Stalin. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

HÁ 60 ANOS A ESQUERDA COMEÇAVA A ACORDAR DO PESADELO STALINISTA


RELATÓRIO KRUSCHEV

Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor
Do Blogue Náufrago da Utopia

Por Mário Sérgio Conti
Daqui a pouco será o aniversário de 60 anos da leitura, na tribuna do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, do Relatório Kruschev. Foi um auê. Um governante russo incriminava pela primeira vez Josef Stálin, enterrado três anos antes no Kremlin com a auréola de santo.

O relatório fez com que algo do Stálin real emergisse. Ele mandara torturar e matar centenas de milhares de inocentes. Deportara povos e perseguira etnias. Provocara crises alimentares e instituíra o trabalho forçado. Fizera um pacto com Hitler que levou 22 milhões de soviéticos à morte, na Segunda Guerra Mundial.

Nikita Kruschev, secretário-geral do PC, discursou em 23 de fevereiro de 1956, ao fim de um congresso modorrento. Os 1.450 delegados do partido ficaram em choque, mas não receberam o documento impresso.

Mesmo censurado pela imprensa, nas semanas seguintes não se falava de outra coisa em Moscou. E, cada vez mais, na União Soviética: o relatório foi lido aos 25 milhões de filiados do PC e da Juventude Comunista. Houve manifestações contra e a seu favor.

O partido stalinista da Polônia traduziu o discurso. O texto polonês foi retraduzido e publicado, em junho, pelo The New York Times e pelo Le Monde. O relatório consternou militantes mundo afora: o socialismo desandara em terror policial.
Kruschev expôs cruamente os crimes do tirano...

A reação ambígua dos chefetes stalinistas, coniventes e beneficiários dos crimes do tirano, fez com que relatório tivesse uma existência fantasmagórica. Só veio a ser publicado na União Soviética quando ela agonizava, em 1989.

Teve destino semelhante no Ocidente. Apenas agora saiu a tradução francesa do texto russo, feita pelo historiador Jean-Jacques Marie. Como ele anexou cem páginas de introdução e notas, o livro está cheio de novidades.

Fica-se sabendo, por exemplo, que o relatório não foi escrito por Kruschev. Quem o redigiu, por ordem expressa da direção do PC, foi um stalinista de quatro costados, Piotr Pospelov, que fizera a biografia oficial do ditador e editara oPravda.

Kruschev o leu com um objetivo tríplice. Queria fazer frente à explosão social eminente, precaver-se para o surgimento de uma nova esquerda e manietar a ala dura do stalinismo, que engendrava a sua derrubada.

A explosão de fato veio, mas nos satélites europeus. Com hiatos, ela se deu em Berlim, Budapeste, Praga e Varsóvia. A força de esquerda não se materializou. A ala dura abateu Kruschev oito anos depois.
...mas idolatrias são difíceis de eliminar.

O relatório tem atualidade na Rússia e fora dela. Dentro do país porque Putin ensaia a reabilitação de Stálin, no quadro fantasioso da Grande Rússia, na qual ele seria o autocrata de turno.

A sua pertinência no exterior é outra. Aqui, a esquerda tenta se reerguer em meio à crise de seus partidos tradicionais, atolados em incoerências e apedrejados pela direita. É instrutivo, pois, ler as primeiras censuras ao relatório.

A crítica de Mao Tse-tung é manipulativa: valia tudo para vergastar os soviéticos. A de Eric Hobsbawn é stalinista: Kruschev manchou o socialismo. A de Sartre, idealista: o povo deveria ter acesso ao relatório só depois de educado.

Com isso, o discurso de Kruschev não provocou mudanças nem na URSS nem nos partidos comunistas. A crítica de esquerda continua necessária. Do relatório e de si mesma. Inclusive no Brasil do PT.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PARA GULLAR, DILMA PRONUNCIA "DISCURSO DE CRIOULO DOIDO".

Por Celso Lungaretti - Jornalista e Escritor

Gullar: o PT hoje não passa de um partido populista.
O poeta neoconcretista Ferreira Gullar, com a sabedoria dos seus 84 anos, acaba de fazer uma análise quase perfeita da ascensão e queda do PT. Concordo com praticamente tudo e a reproduzo abaixo porque deve ser conhecida e discutida por todos que ainda não desistiram do bom combate.

A única ressalva que faço é a seguinte: ele acerta ao constatar que, "em nenhum dos países onde o comunismo chegou ao poder, o governo foi exercido por trabalhadores", mas daí não se pode inferir automaticamente que uma sociedade igualitária "na prática, tornou-se inviável".

Eu diria que foi o socialismo num só país que se demonstrou inviável, mas continuo acreditando que as coisas serão bem diferentes se uma onda revolucionária varrer o mundo, como acreditavam os marxistas antes do brutal esmagamento da Comuna de Paris, em 1871. 

Mesmo um pouco abalada, a esperança na revolução internacional ainda era forte às vésperas da revolução de 1917, quando a cúpula bolchevique decidiu que, embora a Rússia não estivesse preparada para o socialismo, a tomada de poder se justificava para servir como uma espécie de estopim da revolução européia, à qual se seguiria a mundial.

Sob Stalin, apropriadamente apelidado por Trotsky de "coveiro da revolução", o movimento revolucionário tomou o desastroso atalho de considerar possível e desejável a eclosão de revoluções localizadas. E elas todas, ou foram esmagadas, ou se desvirtuaram.
Stalin, o coveiro da revolução.

Então, sustento ser inexato que a teoria original de Marx e Engels, na prática, tenha se mostrado inviável; apenas deixou de ser testada em escala ampla e com o processo sendo encabeçado pelos países mais industrializados, como ambos prescreveram. Talvez, nas circunstâncias bem diferentes do atual século, ainda o venham a ser. É a esperança que me impregna e que me move. [Mais sobre este assunto aqui.]

Fechado este parêntesis, vamos às lúcidas considerações do Gullar.
"...diferentemente dos demais partidos, o partido revolucionário promete mudar radicalmente a sociedade, alijando do poder os exploradores do povo, isto é, os capitalistas. 
Noutras palavras, o partido de esquerda é essencialmente ideológico, defende a criação de uma nova sociedade, dirigida não pelos patrões e, sim, pelos trabalhadores. Teoria essa que, na prática, mostrou-se inviável, uma vez que, em nenhum dos países onde o comunismo chegou ao poder, o governo foi exercido por trabalhadores.
Esses partidos não existem mais. Os que existem, como o PT, por exemplo, são na verdade partidos populistas, que se apresentam como defensores dos pobres, mas se aliam a setores empresariais, aos quais fazem concessões para se manter no poder.
Porque não podem mostrar-se, diante dos seus eleitores, como realmente são; fazem o jogo dos interesses empresariais, mas discursam como adversários deles.
E, assim, ganham os dois: os capitalistas, que nada têm a temer –consequentemente ganham mais–, e os populistas, que manipulam o descontentamento dos pobres com programas assistencialistas.
Esse foi o discurso do PT, que o manteve desde sempre, enquanto foi possível. Agora, no caso de Dilma Rousseff, a situação encrencou, porque a política governamental adotada, após anos e anos, terminou por levar a economia do país a esta situação crítica, o que a obrigou a chamar alguém para evitar que o barco afunde.
Mas como dizer essa verdade ao país se, até outro dia, durante a campanha eleitoral, afirmava o contrário? E, sobretudo, como dizê-la ao eleitorado petista que, por sua vez, não quer ouvir a verdade? Não pode, claro. Daí o estranho discurso que Dilma [na primeira reunião mantida com os inacreditáveis 39 auxiliares, os quais só não devem ser 40 por receio de comparações com um certo conto das Mil e uma noites...] fez a seus ministros e a seus eleitores.
É que ela vai fazer, neste novo mandato, tudo o que disse que não faria. E acusava Aécio Neves de desejar fazer...
Por isso mesmo, como não pode dizer que não o fará, tampouco que o fará, pronunciou um discurso de crioulo doido (*) quando garantiu que a mudança radical que sofrerá a sua política econômica é apenas a continuação natural daquela que fracassou. Por que, então, demitiu Guido Mantega, o responsável por ela?" 
* referência à hilária paródia Samba do crioulo doido, composta por Sérgio Porto em 1968.

Poderá também gostar de:

domingo, 15 de setembro de 2013

UMA MÃO GANHA COM DOIS CURINGAS TIRADOS DA MANGA

Em outros tempos e objetivos, tribunais populares resolveriam desvios de condutas e traição... 

Não dá pra pensar que o proletariado possa se referendar em mensaleiros a troco do nada pelo nada, apenas porque são considerados "históricos" dentro do PT na luta contra a ditadura militar, quando na verdade, todos nós sabemos que outras forças da esquerda se fizeram presentes nessa luta quando o PT nem existia...

Passado quase três décadas da abertura política, pouco sabe a juventude sobre essa janela da historia. 

Vale lembrar que uma andorinha sozinha não faz verão, ou seja, centenas de milhares de pessoas deram voz e vez para aqueles que no passado mereceram nosso apoio, mas hoje...

-----------------------------------------------------

Por Celso Lungaretti - Jornalista e escritor
Stalin saiu vitorioso da luta interna do Partido Comunista da União Soviética, na década de 1920. Mas, com seu  socialismo num só país, acabou por engendrar uma repulsiva sociedade totalitária, que tornou execrável a imagem do comunismo  e contribuiu decisivamente para o aborto da revolução mundial, que daria um fim ao pesadelo capitalista.

Já Trotsky, o derrotado, passou à História como o profeta que, antes de todos, vislumbrou a armadilha para a qual marchavam os bolcheviques ("primeiro o partido substitui a classe trabalhadora, depois o Comitê Central substitui o partido e, finalmente, um tirano substitui o Comitê Central"); como o guerreiro que resistiu com unhas e dentes ao desvirtuamento dos ideais marxistas; e como o mártir que deu a vida em nome do internacionalismo proletário.

Quem foi o verdadeiro vencedor? O que conquistou o poder mas, no longo prazo, seria o principal artífice de uma derrota de proporções catastróficas? Ou o que perdeu o poder, mas permanece até hoje como um grande referencial da transformação revolucionária de que a humanidade desesperadamente carece?

Foi o que levou o extraordinário historiador marxista Isaac Deutscher a discorrer sobre  derrota na vitória  e  vitória na derrota.

Infelizmente, depois das jornadas heróicas de 1968 e anos seguintes, grande parte da esquerda voltou ao maniqueísmo, utilitarismo e imediatismo típicos de era stalinista.
Antes, éramos percebidos como a alternativa à absoluta amoralidade da burguesia decadente, que nem sequer crê mais nos valores outrora professados. Ahora, no más!

1989: o coroamento da obra de Stalin
De um lado Israel barbariza até frotilhas humanitárias e massacra sistematicamente populações indefesas, lixando-se para as sucessivas condenações na ONU e para a indignação de todas as instituições e pessoas civilizadas do planeta.

Os EUA chegam ao cúmulo de manter presos, em Guantánamo, coitadezas que sua Justiça mandou soltar, sob o pretexto de que país nenhum quer recebê-los (noutros tempos, libertaria até o próprio Bin Laden, se um tribunal assim decidisse). 

Do outro lado, Chávez introduziu o método da escalada dissimulada ao poder, subjugando pouco a pouco o Legislativo e o Judiciário com favorecimentos e intimidações, sem a integridade de uma verdadeira revolução, que proclama seus objetivos, luta abertamente por eles e deles tem orgulho.

E, mesmo no Brasil, a política foi convertida num Oeste selvagem, com o tiroteio entre esquerda e direita passando longe de quaisquer ideais e princípios. Só importa alvejar o inimigo, mesmo que utilizando os mesmíssimos métodos do inimigo.

Foi como começou o  mensalão: ao invés de denunciar e combater a podridão entranhada na política brasileira, como sempre prometeu que faria, o PT optou por comprar apoios como os partidos à direita sempre fizeram.

É injusto que só os  mensaleiros  sejam punidos, quando práticas equivalentes se repetem em todos os níveis das administrações municipais, estaduais e federal, sob o manto de uma impunidade avassaladora? É.

Mas, eles são verdadeiramente inocentes? Não. E mesmo seus mais ardentes defensores, no fundo, sabem disto.
Sem esquerda autêntica, o que sobra é uma geléia geral
Eles estão sendo acusados de práticas revolucionárias, que justificassem o recebimento de solidariedade revolucionária? Não. Subornar a pior escória da política brasileira para garantir a maldita governabilidade é simplesmente indefensável sob o prisma revolucionário.

Então, as pessoas ditas de esquerda que querem salvá-los a qualquer preço, enquanto o PIG martela dia e noite que poderosos nunca cumprem pena no Brasil, o que fazem, na verdade? Matam, no cidadão comum, a esperança de que a esquerda pudesse ser diferente do lixo que a direita é.

Modificar a decisão de um julgamento politizadíssimo graças ao voto de dois ministros que dele não participaram e estavam moralmente obrigados a abster-se garante um objetivo imediato, mas será compreendido pelas pessoas capazes de ver um palmo na frente do nariz como mera trapaça. Virada de mesa. Uma mão ganha com dois curingas tirados da manga.

Vitórias desse tipo só nos conduzem a uma derrota tão acachapante quanto a que o stalinismo sofreu.

Existimos para despertar a consciência dos explorados, de forma que possam tornar-se sujeitos de sua vida e da História. Não para reduzi-los ao fanatismo obtuso dos torcedores de futebol.