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quarta-feira, 6 de março de 2013

Morre o “comandante Chávez”, a tarefa agora é impulsionar as massas para “decretar” a morte do imperialismo na Venezuela




Por Liga Bolchevique Internacionalista

O anúncio feito ontem (05/03) da morte do presidente da Venezuela, “Comandante Chávez”, como era carinhosamente tratado pelas amplas massas de seu país, foi o encerramento de uma crônica já anunciada desde a contração de um agressivo câncer em meados de 2011.

Imediatamente após o trágico anúncio realizado pelo vice-presidente Nicolás Maduro, a população ocupa as ruas das principais cidades do país para reverenciar a memória e o combate de seu “comandante”, em uma clara demonstração anti-imperialista, apesar de todas as limitações que nacionalismo burguês as impõe.

 Os abutres da Casa Branca e seus acólitos não trataram de perder tempo, Obama declarou que espera ser a morte de Chávez a abertura de um novo ciclo nas relações entre o império e a Venezuela, já a SIP e suas “sucursais” saíram a “exigir” novas eleições presidenciais no prazo de um mês.

Não por coincidência, o principal opositor de Chávez nas eleições do final do ano passado, Henrique Capriles, encontrava-se no território do seu “Tio Sam” quando foi obrigado a retornar às pressas a Venezuela para declarar que “nunca tinha sido inimigo de Chávez”.

O certo é que um profundo sentimento anti-imperialista percorre o país, diante das incertezas que cruzam a conjuntura aberta com a morte do “timoneiro” que conduziu a Venezuela a um regime nacionalista, depois de décadas de vergonhosa subordinação aos EUA que, sob intensa pressão das massas, foi forçado a assumir uma retórica “socialista”, algo similar ao que ocorreu no Chile de Allende em meados dos anos 70.

O novo regime político instaurado por Chávez em 2000 baseava-se na sua forte liderança política e militar, muito mais que um “partido socialista” ou um “movimento de esquerda”, seu carisma pessoal foi o “passaporte” que permitiu as mudanças institucionais e sociais ocorridas na Venezuela nos últimos dez anos. Muitos devem se perguntar se a morte de um “jovem e vigoroso” Chávez, centro absoluto do regime, teria sido uma fatalidade “natural” produto de uma doença letal ou provocada por um artifício de seus opositores locais com a ajuda da CIA?

Para responder a esta questão sem parecer que estamos absorvidos por alguma “teoria da conspiração” ou influenciados pelos filmes de James Bond, se faz necessário remontar a trilha do fracassado golpe de estado ocorrido em 2002.

A deposição de Chávez dirigida pelo líder empresarial Pedro Carmona, com total apoio da cúpula militar e também da CIA, foi muito bem sucedida, à exceção do fato de que Chávez continuava bem vivo, preso em um forte militar.

Se o regime “chavista” tinha como suporte político a enorme liderança pessoal do “comandante” era mais do que evidente que deixá-lo vivo, significaria manter latente mais cedo do que tarde o retorno de seu governo.

A opção de assassinar Chávez não foi apoiada pelo Departamento de Estado dos EUA, o que invariavelmente colocaria o país em uma guerra civil.

A opção do imperialismo foi retornar com Chávez da prisão militar antes mesmo que se esboçasse uma grande reação das massas.

A partir deste período ficava cristalino para a oposição interna e seus amigos da CIA que a derrubada de Chávez teria que ser gestada com um plano bem mais “sofisticado” do que um simples putsch cívico-militar.

As possibilidades de uma vitória eleitoral das oligarquias sobre Chávez se esfumaçaram completamente após as eleições gerais de 2006, onde o Movimento V República obtém mais de 60% dos votos.

A opção posta na mesa do novo governo Obama em 2009 foi bloquear a influência chavista no continente com o golpe em Honduras e preparar o envenenamento de Chávez, pela via da radiação nuclear, para que este não chegasse vivo às eleições de 2012.

E, de fato, Chávez só conseguiu prolongar sua existência após a contração em 2011 de um inesperado e agressivo câncer na altura de sua cintura (região pélvica) em função da ajuda da avançada medicina cubana.

Hoje sabemos muito bem que basta receber um “abraço” de alguém portando um transmissor de radiação acima dos padrões suportáveis ao ser humano para desencadear um processo de reprodução anômala (cancerígena) de nossas células.

Obviamente, que o agente (muito provavelmente um popular camuflado na multidão) encarregado da missão se protegia com um colete de chumbo para não se contaminar radiativamente também.

A cúpula do regime chavista maneja estas informações, confirmada quase que inteiramente por cientistas cubanos (não é possível comprovar 100%).

O próprio Chávez tratou de fazer a denúncia dos “envenenamentos” operados pela CIA contra lideranças nacionalistas da América Latina, logo foi ridicularizado pela mídia “murdochiana” que o acusou de delirante e saudosista da “guerra fria”, onde a prática de “espalhar” mortes súbitas era muito comum.

Hoje a anturragem chavista está divida sobre esta importante questão, um setor encabeçado por Maduro e o chanceler Elias Jaua defendem levar a frente a acusação do assassinato de Chávez, a outra fração liderada por Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, pretende seguir em frente calado, sem fustigar as relações diplomáticas da Venezuela com os EUA.

Registre-se que a divisão do regime chavista acerca da abordagem para as massas das verdadeiras circunstâncias da morte do “comandante” transcende em muito a uma mera questão “policial” ou de “espionagem internacional”, o que realmente está em jogo é futuro do curso anti-imperialista que a Venezuela poderá assumir, ou não, daqui para frente.

Como marxistas revolucionários, soubemos caracterizar desde sua gênese o governo Chávez e a transição institucional que operou no regime político do país.

 Nunca embarcamos na ilusão do “processo revolucionário”, difundida no início tanto pelos reformistas stalinistas como pelos revisionistas do trotsquismo (UIT, LIT, etc.) que hoje se passaram de malas e bagagens para o campo político da oposição pró-imperialista.

 O chamado “socialismo do século XXI” não ultrapassou nenhuma fronteira do Estado capitalista, preservando todos seus mecanismos de acumulação do capital e propriedades.

O fato do Estado ter promovido uma melhor distribuição social de seu patrimônio monetário, oriundo do monopólio da extração e exportação do petróleo, não significa que a Venezuela tenha ingressado em uma “etapa socialista”.

Não existem organismos independentes de poder da população trabalhadora na Venezuela capaz de caracterizar um processo revolucionário ou socialista em andamento.

 A falácia da existência dos comitês armados chavistas, não passa de uma fábula distracionista a serviço da desorganização do movimento operário, que já protagonizou importantes combates contra a burguesia “bolivariana”.

Por outro lado não podemos negar que sob intensa pressão das massas o regime chavista feriu alguns interesses das corporações ianques, apesar de nunca ter rompido seus fortes laços comerciais com os EUA (ainda são os maiores vendedores de óleo cru para o tio Sam).

O estabelecimento da ALBA, o apoio logístico a Cuba (através do fornecimento de petróleo abaixo do preço de mercado) e um relativo suporte militar a países muito débeis como Bolívia e Equador diante das pressões imperialistas, foram aspectos progressivos que de forma alguma anulam o caráter de classe do movimento chavista, no bojo de suas “contradições”.

Neste momento, onde os rumos de uma Venezuela sem Chávez ainda estão “abertos”, se coloca como tarefa para os leninistas impulsionar o sentimento anti-imperialista das massas (o justo ódio ao amo do norte), potenciados pelo covarde assassinato de sua liderança nacionalmente reconhecida, através de uma plataforma revolucionária que contemple a ocupação de terras e fábricas, além do armamento real do proletariado.

O duros enfrentamentos que se delineiam no horizonte, a partir da própria divisão do movimento chavista (moderados versus “radicais”), devem encontrar uma classe operária bem mais preparada para derrotar a ofensiva imperialista e seus “esquálidos” representantes contrarrevolucionários.

Neste polarizado cenário as condições para a construção do partido leninista são muito mais férteis, a questão é convocar a vanguarda classista nesta direção.