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domingo, 1 de setembro de 2013

Asilo político: Um direito “sagrado” e “universal” que se sobrepõem as questões políticas ou ideológicas...

Senador Boliviano Roger Pinto 

Por Carlos Alberto

Caro leitor,

Lí e re-li várias postagens de Blogues revolucionários, de esquerda, de direita e até mesmo de fascistas e religiosos que comentaram, alguns sutilmente, o asilo político “forçado” (na verdade, autorizado pelo governo Brasileiro) do Senador Boliviano que de estrela não tem nada, neste caso, por uma razão muito simples, trata-se ao contrário de algumas publicações, de uma “estrela nati-morta” que, incrivelmente, não representa nem a si mesmo...

Indo na questão, pra mim o asilo político é um direito universal que extrapola a milhões de anos luz a questão ideológica.

O asilo político funciona, ou melhor, serve para proteger a vida, ou ao menos adiar a morte, em alguns casos, de um perseguido político.

 Eu não quero entrar no mérito se o tal Senador (ex, no meu entendimento, afinal, abandonou a função por conta do asilo) é ou não é um das centenas de vagabundos (existem evidências de que é) criminosos e ladrões  que permeiam a politica, os governos e os parlamentos latino-americano, mas sim, que tendo pedido asilo a embaixada brasileira, encontra-se nessa situação diferenciada da liberdade...

Evo Morales - Presidente Boliviano

Evo Morales clama por sua volta, aos brados de um presidente que representa a nação andina mais pobre do continente, que segundo este, o ex Senador não passa de um “bandido” acusado e condenado pela justiça de seu país, de ter desviado dinheiro público e de estar envolvido em outras ações criminosas.

Bem, eu não estou querendo jogar merda no ventilador da história, mas, cá entre nós, essa ação ali, mesmo não sendo mentira, dá uma abertura jurídica e política para que outros “bandidos” e, neste caso, independente de suas ideologias proclamadas, façam o mesmo aqui no Brasil...

Ora, eu faço questão de nominar suas ações sem querer comparar ou anular as suas historias de lutas, mas, simplesmente por suas ações criminosas e, na boa mesmo, quem comete crimes por dinheiro tem um nome peculiar na sua essência e origem que é chamado de “capitalista” e de ladrão...

Sendo assim, esses pseudos militantes históricos de esquerda colocaram suas histórias de lutas passadas, na vala comum dos criminosos, tudo por dinheiro, colocando em descrédito e avalizando todo o furor  existente, hoje, naqueles que viam neles um referencial de ética e moral na política e de exemplos a serem seguidos...

Como cidadão, eu não consigo diferenciar um ladrão com ideologia de direita com a de outro ladrão que se proclama histórico de esquerda, independente de sua nacionalidade, ou mesmo de partido político, com história, ou sem história dentro do campo popular democrático ou do populismo oligárquico...

José Dirceu (ex-ministro e asilado em Cuba) e José Genoíno (cagueta do Araguaia), com as mãos e os bolsos cheios de dinheiro do erário publico, poderiam fazer o mesmo em outros países e, porque não na Bolívia?

No meu entendimento, ficar passando por uma situação vexatória diante da condenação publica e jurídica comandada pela burguesia (que verdadeiramente governa este país), a saída seria a própria, através de um asilo político. Ou não seria?

O que mais deixa a militância popular injuriada, e em alguns casos, até mesmo sem rumo, foi os chamados políticos “históricos” do PT fazerem o mesmo que os Sarney, os Collor, os Maluf e os governos do PSDB em São Paulo, ou outras dezenas de "Otoridades" fizeram, ou seja, meteram a mão no dinheiro público através de negociatas, superfaturamentos, tráficos de influencia e na compra de votos, quer seja no congresso ou na criação de caixas 2 para financiamento de eleições.

Essa prática é histórica no Brasil, mas como alguns comentam, foram pegos como bodes expiatórios, que pra mim, independente desta situação “sui generis”, não lhes tira a condição de ladrões...

Assim como milhares de brasileiros, eu fui um dos que participaram das lutas contra a ditadura militar, a favor das diretas já, da abertura política, inclusive em ações populares diretas.

Mas,  assim como esse “Senador” Boliviano, e também como outras dezenas de militantes, de jovens, de artista e de cidadãos brasileiros, precisei pedir asilo político em uma embaixada. Porém, gostaria de deixar claro que não estou fazendo comparações esdrúxulas o teor desta postagem, mas sim pela origem dos atos...

No ano de 1982, após ter sido avisado em Porto Alegre/RS que ainda estava sendo procurado pelo exercito (desertei em 1974) eu entrei na embaixada da França e pedi asilo político, juntamente com minha companheira e um filho de poucos meses.

Lembro-me como se fosse hoje, quando passava em frente da embaixada do México no setor de embaixadas do Lago Sul de Brasilia, veio a minha cabeça  as lembranças da situação de penúria e das dificuldades que um outro ex-militar  estava passando para receber um salvo-conduto (do governo da ditadura militar) para poder deixar o Brasil, rumo ao México, então sua escolha, ou alternativa única de momento...

Tratava-se na verdade de um Sargento paraquedista, também desertor, que estava a uns dois meses “pelejando” esse direito universal de preservar a sua vida, mesmo que em outras terras...

Ora, o asilo político é uma convenção formal e, em alguns casos, até informal entre países, e que ocorre ou não através de embaixadas, com aval ou não de seus governos, e que serve como única via possível para  que pessoas perseguidas, expulsas ou banidas de seu território pátrio possam ter o direito de viver. 

A história política recente da humanidade, fala por si só...

Imagine se os governos de países convencionados historicamente como de asilos, o fizerem por questões ideológicas?

Como disse recentemente em matéria publicada no seu Blogue “Náufrago da Utopia” o jornalista e escritor Celso Lungaretti: Negar  asilo ao “Senador” Boliviano seria um erro, em outras palavras, isso ai poderia virar um “Bumerangue” que atingiria nossos companheiros de luta, no tempo da história...