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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Síria: Um massacre sob encomenda do imperialismo para tirar do foco as atrocidades cometidas pelos golpistas no Egito


Por Liga Bolchevique Internacionalista


Só idiotas, filisteus a soldo do império ou incautos poderiam acreditar na versão fantasiosa de que o governo sírio lançou neste 21 de agosto um ataque de armas químicas (gás Sarin) contra seu povo (particularmente dezenas de crianças), matando mais de 200 pessoas, justamente quando o país é “visitado” por 20 inspetores da ONU que desembarcaram no dia 18 de agosto em Damasco com o proclamado objetivo de “investigar” o uso desse tipo de arma em meio à guerra civil.

 A notícia do genocídio se espalhou rapidamente pela mídia (a ONG ianque Human Rights Watch - HRW chegou a anunciar 2.000 mortos) e logo a “oposição” formada por grupos financiados pelas potências capitalistas exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU sobre o suposto massacre cometido por Bashar Al-Assad.

No mínimo, a ONU deve aprovar novas sanções contra a Síria ou uma retaliação ainda maior.

O chefe da Coalizão Nacional Síria, Ahmed Jarba, homem diretamente manietado pela Casa Branca e a UE, declarou que o Exército havia lançado foguetes com agentes químicos nos subúrbios de Damasco de Ain Tarma, Zamalka e Jobar durante a madrugada, pondo a nu o plano dos mercenários: “Esta é uma oportunidade para (os inspetores da ONU) verem com seus próprios olhos este massacre e sabemos que este regime é criminoso”.

Reforçando esse coro, os governos dos EUA, França e Inglaterra exigiram que os inspetores visitassem o local do ataque imediatamente.

Como uma trama bem arquitetada, não resta dúvida de que estamos diante de uma operação montada pelos “rebeldes” sob a encomenda do imperialismo para incriminar o governo sírio e assim retirar o foco das atrocidades cometidas pelos golpistas no Egito, apoiados pelo Pentágono.

Desta forma, com um alto grau de manipulação midiática e sem informações minimamente confiáveis, se consegue colocar um sinal de igual entre Bashar Al-Assad e os generais golpistas do Egito, afinal de contas segundo as grandes potências capitalistas, os “rebeldes” e os revisionistas do trotskismo, Assad comanda uma “ditadura sanguinária”.

Diante do clima de comoção mundial provocado pelo massacre no Egito perpetrado pelos golpistas, nada melhor que fabricar um “genocídio” na Síria e mandar inspetores-espiões da ONU para “provarem” que o ataque com armas químicas foi obra do governo Assad, informações não por acaso confirmadas pelo “Observatório Sírio de Direitos Humanos”, ONG financiada pelos governos imperialistas com sede em Londres, assim como pela HRW.

 Embora a “oposição” acuse o Exército pelos ataques, as forças oficiais do governo sírio fazem a acusação contrária, demonstrando que em outros ataques registrados foram os grupos armados e financiados desde o exterior que lançaram mísseis com produtos químicos em regiões como Jan Al-Asal, na cidade Alepo, no noroeste, onde morreram quase 30 pessoas em março.

Em maio, uma equipe de peritos enviada à Síria confirmou o uso de gás Sarin pelos grupos armados que atuam no interior do país e disse não ter evidências do mesmo uso por parte das forças oficiais, seja contra civis ou contra os “rebeldes”.

De acordo com a agência de notícias síria, Sana, as fontes e as emissoras que transmitiram as notícias “estão envolvidas no derramamento de sangue dos sírios e apoiam o terrorismo” e as denúncias são “completamente infundadas”: “Objetivo por trás das emissões de tais reportagens e notícias é desviar a atenção da comissão da ONU de investigação sobre armas químicas da sua missão”, escreveu a agência.

Na Rússia, o ministro de Relações Exteriores, Aleksandr Lukashevich, disse que um ataque foi lançado desde posições ocupadas pelos guerrilheiros da oposição: “No começo da manhã de 21 de agosto, um foguete de fabricação artesanal, similar ao usado pelos terroristas em 19 de março em Jan al-Asal [quando morreram cerca de 30 pessoas] e com uma substância química venenosa não identificada, foi lançado desde posições ocupadas por guerrilheiros”.

O chanceler, citado pelas agências russas, ressaltou que as informações sobre o uso de armas químicas por parte do governo do presidente Bashar al-Assad parecem uma “sabotagem planificada”: “Chama a atenção o fato de que os meios de comunicação regionais privados iniciaram em seguida, como se tivessem recebido uma ordem, um agressivo ataque informativo carregando toda a responsabilidade sobre a parte governamental.

Isso parece muito com as tentativas de criar, a todo o custo, um pretexto para que o Conselho de Segurança da ONU fique do lado dos opositores do regime e, assim, minar as chances da convocação da conferência de Genebra, cuja preparação prevê a realização, em 28 de agosto, de uma reunião ordinária entre os peritos russos e estadunidenses”.

O vice-presidente do Comitê de Relações Exteriores da Duma (Câmara dos Deputados), Leonid Kaláshnikov mostrou-se irônico pela reação do Ocidente ao suposto uso de armas químicas, e acrescentou: “Não é a primeira tentativa do Ocidente em relação à Síria.

Na realidade, já é um velho truque que foi provado no Iraque” (Voz da Rússia, 21/08).

Não temos a menor dúvida que dezenas de pessoas foram mortas por armas químicas na Síria, assim como temos a certeza que o imperialismo e seus aliados internos e externos são os responsáveis por este massacre (independente das suas verdadeiras proporções e do número de mortos que ele tenha provocado).

Já vimos estas farsas montadas no Iraque e na Líbia recentemente para melhor convencer a chamada “opinião pública mundial” da necessidade de uma agressão direta da OTAN, além de justificar a intensificação do envio de armas pesadas aos “rebeldes”.

Esta campanha, além da mídia “murdochiana”, tem o apoio febril dos revisionistas do trotskismo, que não se cansam de acusar Assad de ser um “ditador sanguinário”, enquanto apoiavam o golpe militar no Egito, apresentando a ação das FFAA como uma expressão da vontade popular.

Como o imperialismo não pode apoiar abertamente o massacre no Egito orquestrou a fabricação de uma terrível ação na Síria, que deixou dezenas de mortos pelo uso de armas químicas, cinicamente acusando Assad de ser o responsável por tal barbaridade.

Esta farsa serve tanto para reforçar a ofensiva contra a Síria como para embotar os acontecimentos no Egito.

Como papagaios da mídia “murdochiana”, assim como fizeram na Líbia, a canalha revisionista saiu a denunciar o “massacre” reforçando sua “frente única” com a Casa Branca e pedindo que Obama envie mais armas aos “rebeldes”, além de reivindicar da ONU uma “ação exemplar” contra o governo sírio!

Por isto, usaram os dados da ONG ianque HRW como fonte de suas denúncias. Segundo a HRW, mísseis balísticos com armas químicas foram disparados pelo governo sírio contra “rebeldes” em zonas residenciais matando numerosos civis, incluindo crianças.

 O suposto uso desses mísseis contra áreas populacionais segundo a HRW “faz pensar que o Exército usa voluntariamente técnicas de guerra incapazes de fazer a diferença entre civis e combatentes, o que constitui uma grave violação do direito humanitário internacional”.

A HRW já havia divulgado anteriormente em um relatório que Assad mantinha 27 centros de tortura na Síria, onde os detidos seriam supostamente “espancados com bastões e cabos, queimados com ácido, além de sofrerem agressões sexuais entre outras violências”.

Logo a mídia murdochiana também repicou por todo planeta tal informação fantasiosa.

A ONG baseada em Nova York, acusa tais centros de serem usados pelas agências de inteligência do governo sírio desde o início das “manifestações” pró-imperialistas organizadas contra Bashar al Assad em março de 2011, apresentado como um “ditador sanguinário”, assim como o faz a esquerda revisionista do trotskismo e a Casa Branca.

Segundo a HRW, “dezenas de milhares foram detidos pelo Departamento de Inteligência Militar, o Diretório de Segurança Política, o Diretório de Inteligência Geral e o Diretório de Inteligência da Força Aérea o que significa claramente a existência de um Estado policial baseado na tortura e em maus-tratos, o que constitui um crime contra a humanidade” (Reuters, 03/07).

Lembremos que a mesma ONG defensora dos “direitos humanos” foi a que apoiou a campanha contra o governo de Kadaffi, impulsionada pela oposição de direita pró-imperialista em fevereiro de 2011 que desejava por um fim ao controle do país pelo regime nacionalista burguês.

Na época, segundo a HWR, a mesma ONG supostamente “democrática” que também em nome da defesa dos “direitos humanos” ataca sistematicamente Cuba, já seriam mais de 200 mortos na Líbia, reprimidos de forma brutal pretensamente pelas forças de segurança de Kadaffi com facas, rifles, armas de fogo pesadas, franco-atiradores e até helicópteros.

Hoje essa fábula é repetida à exaustão sobre a Síria por todas as redes de TV e cadeias de imprensa ligadas ao imperialismo.

 O script é o mesmo e o objetivo similar: criar um clima de comoção internacional para favorecer a intervenção militar da OTAN!

Como vemos nas imagens amplamente divulgadas, ainda que as informações sejam completamente manipuladas e desencontradas, aparentemente dezenas de crianças e civis foram mortos na Síria.

 A responsabilidade por este ato de barbárie é do imperialismo e seus mercenários “rebeldes” ainda que desejem culpar Assad pelo massacre.

O covarde ataque deste dia 21 de agosto, assim como os atentados anteriores por mercenários, demonstra que está se cumprindo contra a Síria o mesmo script político montado pelo imperialismo ianque contra a Líbia, que sempre conta com a ajuda dessa “esquerda” convertida em porta-voz da OTAN.

Cabe aos marxistas leninistas, na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, postarem-se em frente única com os governos das nações atacados ou ameaçados pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre os países semi-coloniais da região, sem capitular às direções burguesas, como Assad, que são incapazes de levar adiante uma luta consequente contra o império. Impedir que a OTAN abra um corredor militar desde a Síria, passando pelo Líbano, para atacar o Irã, é neste momento a tarefa central da classe operária internacional em seu combate revolucionário e anti-imperialista.

Nesse combate desmascaramos os revisionistas do trotskismo (LIT, UIT...) que estão no campo dos mercenários e da contra-revolução, falsos “rebeldes” que acabam de promover mais um genocídio conta o povo sírio!