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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Espionagem, soberania e o leilão do petróleo



Muito boa essa análise de conjuntura feita nesta postagem de Elaine Tavares, que formidavelmente coloca-a numa linguagem simples para entendimento popular.

Texto este que reflete a insensatez do governo popular PT/PCdoB e de sua base de apoio “governista”, que engloba inclusive partidos da direita reacionária que, não entendo, sinceramente, o porquê dessa necessidade desesperada do governo Dilma em se submeter a esses "aconselhamentos" e ir logo privatizando aquilo que publicamente, e historicamente o PT assumiu que nunca faria. São estradas, aeroportos, terminais marítimos, pré-sal, educação, saúde, empresas públicas etc.

Como jornalista, educadora e militante das causas sociais (Elaine Tavares), até consigo entender a ausência do nome dos partidos políticos no teor de sua publicação, já que foi assessora de imprensa durante a administração do governo popular no inicio dos anos 90 aqui em Florianópolis.

Mas, também é lamentável, no meu entendimento que, com as constantes manifestações que diariamente ocorrem no Brasil, esse “levante popular” possa servir como adendo de convencimento e fazer parte das estratégias eleitorais dos partidos de oposição nas eleições que se avizinham para a presidência da republica.

 Contrariando toda a lógica propagada por vários setores da esquerda, eu ainda reafirmo o risco de derrota ao qual estamos submetidos caso não houver uma radical mudança e comando nas manifestações que estão se sucedendo diariamente no Brasil, de forma aleatória e sem um programa e uma pauta mínima de teor revolucionário...

Eu sei que existem opiniões contrárias a minha, mas a falta de uma estratégia política dos sindicatos “convencionais” (ligados a CUT e a outras centrais da base de apoio) atua propositadamente como represadora das demandas sociais e, será no futuro responsabilizada pelo que eventualmente vier a se suceder...

Essas atuações comprometedoras dos sindicatos “pelegos”  dominados por carreiristas irresponsáveis estão formando uma bola de neve que levará a um possível revés eleitoral por conta dessa postura...

De nada serviu os esforços descomunais dos movimentos sociais ao longo de anos passados, de um trabalho meticuloso e de formação política junto às bases sociais, para hoje estando no governo, o PT sob a batuta de Dilma Rousseff, fazer exatamente tudo aquilo que contrariava, ou seja, privatizações, corrupção, inoperância, fisiologismo descarado, crimes de lesa-pátria em relação ao meio ambiente, a questão indígena e da reforma agrária, entreguismo e fascistização, com a criminalização dos movimentos sociais, aplicando-lhes a famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN), justamente naquele que deveria ser o governo representativo das forças populares e democráticas.

 Ora, alguém vai dizer, mas peraí (sic), isso aí foi o governador Geraldo Alckmin que defendeu...

Mas e daí? Para o que serve o Ministério da Justiça num governo popular?

O governo Popular vai deixar a população organizada ser bombardeada com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, cacetadas e prisões ilegais e forjadas, sem ao menos levantar um dedo de contestação

Vai deixar passivamente que professor mal pago seja agredido covardemente por uma polícia corrupta e na formação de quadrilha, envolvida em assassinatos, um governador que usa o erário para interesses particulares e, não irá fazer nada em nome da independência e autonomia dos governos estaduais, que de fato não existem?

O Brasil é uma republica federativa e não um estado confederado onde cada integrante teria suas próprias leis e autonomia política e jurídica...

Para estancar essa ascensão fulminante na fascistização daquilo que deveria ser um governo popular e democrático, eu ainda defendo e sugiro a realização de uma grande marcha popular e democrática rumo a Brasília, com no mínimo 300 mil pessoas.

Manifestação, esta, que poderá obrigar por força da pressão das forças políticas do campo popular e democrático mudar os rumos das políticas sociais e econômicas do país...

 A impressão que se tem, é de que a Dilma está preparando o caminho para o retorno da direita ao poder, isso porque, a sua prática está sendo o discurso daqueles que foram derrotados...

Que D´us nos proteja!
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Por Elaine Tavares - Jornalista, Professora universitária e militante das causas sociais


Sempre digo por aí, não sem certa tristeza: somos os arautos da desgraça. Aqueles que sobem no mais alto monte e ficam a gritar sobre os males que virão. Não que sejamos videntes, pitonisas, magos. Não. Apenas analisamos a realidade, observamos as relações de causa e efeito e pronto: aí está o que pode acontecer. No geral, as coisas acontecem mesmo. É ciência.

Desde há muito anos denunciamos os programas de espionagem do governo dos EUA. E antes de nós outros já denunciavam. Mas, nossas palavras ficam no vento: teoria da conspiração, coisa de esquerdinhas, maluquices dos que são anti-progresso e tantas outras etiquetas pejorativas que se usam para desqualificar nossas análises e opiniões. Para a maioria da população, que conhece a realidade através da mídia comercial, as relações com os Estados Unidos sempre foram muito boas e assim tem de ser, afinal, esse é um país grandioso que tem muita coisa a ensinar e oferecer. Pessoas há que, inclusive, acreditam ser muito bom ser dependente dos EUA, já que esse é um país importante.

Em todos os meios de comunicação de massa raras são as notícias ruins sobre os EUA. No mais das vezes, as que aparecem são as  impossíveis de esconder, como é o caso das chacinas que jovens adolescentes praticam sistematicamente. Mostra-se o fato, a dor, a tragédia, mas quase nunca aparece uma boa análise dos motivos que levam a isso. O jornalismo não se presta a desvelar a realidade. É mera propaganda. Então, fatos como esses aparecem como patologias, falhas na matrix, e não há ligação com o fenômeno da violência de uma sociedade militar.  Assim, logo em seguida, novas notícias sobre a Disneylândia ou o lançamento do "Homem de Ferro 3" colocam as coisas todas no lugar outra vez.

Pois agora, nos últimos tempos, a espionagem dos EUA sobre o mundo veio à tona na denúncia de um jovem estadunidense que trabalhou para uma dessas empresas que roubam dados e fuxicam a vida de pessoas e estados para que o governo possa atuar na defesa dos interesses da elite dominante daquele país. A notícia se espalhou. Não havia como negar. Até então, as provas repassadas pelo WikiLeaks eram vistas com ceticismo e seu criador, Julian Assange, era igualmente desqualificado como pessoa, para que suas informações se perdessem no vazio. E, afinal, Assange é um inglês, logo, poderia ser um inimigo dos EUA, ou, quem sabe, um esquerdinha a mais.  

Foi apenas quando a denúncia veio de dentro mesmo do "monstro" que os meios de massa tiveram de dar algum destaque. Ainda assim, tudo segue meio nebuloso. E Edward Snowden ainda está revestido de mistério. Afinal, como um "americano" normal iria denunciar seu próprio país. Seria ele um tolo? Assim como foi tolo o jovem Brad Manning ao denunciar as atrocidades dos EUA no Iraque, tentando mudar essa realidade, tentando "ajudar" seu país? Perguntas que a mídia comercial deixa no ar, para que as pessoas passem elas mesmas a formular essas teses, aceitando-as como verdadeiras: os caras são traidores da pátria deles.

Só isso pode explicar o fato de o Brasil ter sido espionado naquilo que tem de mais estratégico que são suas riquezas naturais, e tudo ficar por isso mesmo. Comprovado ficou que os Estados Unidos espionaram a Petrobras, espionaram a presidente do país, espionaram ministros. O máximo que se teve de repercussão foi um discurso na ONU e um pedido de explicações ao governo dos EUA. O governo explicou? O Brasil se satisfez com as explicações? O que está em jogo no tabuleiro da espionagem das riquezas do país?

Alguém já pensou no que aconteceria se fosse o contrário. Se o governo brasileiro tivesse espionado alguma empresa estratégica dos EUA, que respostas receberia do país governado por Barak Obama? Certamente a Quarta Frota ocuparia nosso litoral. Os mariners viriam aos montes, os Seals, a CIA, e toda a sorte de mercenários ou patriotas. Haveria uma guerra? Ocupariam Brasília? Viriam o Rambo, o Duro de Matar, o Homem de Ferro, o Capitão América, os Vingadores? Sim, viriam!

Mas, e o Brasil, que poderia fazer? Uma guerra? Possivelmente não. Temos de ser realistas. Mas, uma coisa poderia ser feita sim. Ou melhor, deveria. Cancelar os leilões da Petrobras. É fato notório e comprovado que espionaram a empresa brasileira de petróleo. É fato que o Brasil tem reservas imensas no pré-sal. É fato que as empresas estadunidenses estão de olho no petróleo, não só aqui, mas em todo o mundo. Logo, se espionaram a Petrobras estão de posse de informações estratégicas sobre os campos de petróleo. E, sendo assim, serão as vencedoras nos leilões que mais lhe interessarem. Não é esquerdismo, nem teoria da conspiração. É matemática. Junta dois mais dois e tem o quatro. Não há erro.

Pois apesar de todo esse cenários de filme roliudiano, a presidente Dilma (que foi espionada também) decidiu manter o leilão do Campo de Libra para o dia 21. Está ajoelhada diante do império. Nenhuma reação prática além das palavras na ONU. E mais, chamou o exército para cercar as ruas impedindo que a população se manifeste. Submete-se vergonhosamente aos interesses externos e enfrenta o povo de seu país como inimigo. Porque, afinal, exército é uma instituição que existe para defender o país de agressões externas, de inimigos.

As perguntas que as pessoas devem se fazer é: quem são os inimigos do país? Quais são os que devem ser enfrentados? As pessoas que aqui vivem e que querem proteger as riquezas naturais? Ou os estrangeiros que vêm explorar o petróleo, levando as riquezas para fora do país? Seriam os trabalhadores da Petrobras, os sindicalistas, os militantes do Movimento Sociais os verdadeiros inimigos do Brasil? Pensem nisso... Com calma!

E aqui vão outras indagações para ligar os fios da realidade social: que relação tem tudo isso com os protestos que tem sido realizados nos últimos tempos? Por que foi votada uma lei que transforma em "bandido" e "perigo nacional" aqueles que estão nas ruas se expressando da única forma com a qual conseguem  ser ouvidos? Por que se manda para os presídios estudantes e populares que enfrentam a polícia na luta por direitos e por soberania? Seria realmente "vandalismo"  a reação desesperada de quem não consegue ser escutado como cidadão que pensa e decide as políticas de governo? Afinal, os governantes não deveriam governar baseado nas demandas do seu povo? Ou devem governar baseados nos desejos de empresas transnacionais ou governos estrangeiros?

Pois essa é a trama do tecido social que temos estendido sobre nossos olhos. Segunda-feira acontece o primeiro leilão do pré-sal. Nossas riquezas sendo entregues possivelmente aos mesmos que nos espionaram. Nas ruas, as pessoas que insistem em ver o Brasil soberano, dono de suas própria riquezas, enfrentarão mais que a polícia. Enfrentarão o exército, colocado nas ruas para "defender" a nação. Defender o Brasil dos brasileiros. Jovens, sindicalistas, populares, reagirão organizadamente, pacificamente. Outros reagirão desesperadamente. A luta é desigual. De um lado, homens armados, treinados para exterminar o inimigo. Do outro, gente indignada, apaixonada, desesperada diante da força bruta.

E na televisão os repórteres bem-mandandos ouvirão pessoas que chamarão de "vândalos" aos que lutam. E aparecerão pessoas do povo dizendo que o lugar de quem está mascarado e reage violentamente num protesto deve ser mesmo o presídio. E toda essa gente que luta pelo Brasil soberano será colocada na condição de bandido, terrorista, baderneiro. E os âncoras dos telejornais farão aquelas caras constritas para falar da "violência" perpetrada por pessoas que não querem o progresso do Brasil. O progresso deles, dos âncoras, que são os ventríloquos daqueles que dominam, é o da entrega das riquezas, o da submissão, da dependência. E as pessoas "de bem" dormirão tranquilas, sabendo que os "bandidos" estarão nas cadeias.
Só que as pessoas que lutam pela soberania nacional não são bandidas. Elas são o povo. E isso não se acaba assim, na prisão de alguns. A luta recomeça e, de novo, nas ruas, estarão milhões.   Porque a realidade mesma é clara. Esses espaço geográfico é dos brasileiros e dos que aqui escolheram viver. Não pode servir de lugar de exploração, como sempre tem sido desde a invasão em 1500.

A segunda-feira que virá escreverá os destinos do país.