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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Marina Silva: uma jogada da base governista para desestabilizar Serra


O caráter do desligamento da Senadora Marina Silva do PT e o significado de seu posterior lançamento à presidência da república pelo PV só poderá ser realmente compreendido à luz de uma rigorosa análise marxista da conjuntura nacional e sua correlação de forças entre as classes sociais. Como revolucionários, buscamos abstrair as conclusões para além das aparências mais “ululantes” e desvendar os “sofisticados” movimentos da burguesia no delicado tabuleiro da luta política.
A esquerda tradicional logo se dividiu em analisar as conseqüências da candidatura de Marina, mas ao menos ficou um consenso, o surgimento de um fato novo com desdobramentos muito importantes para os resultados eleitorais de 2010. Não perderemos tempo aqui em discorrer sobre o caráter venal do PV ou da própria trajetória burguesa de Marina, de uma ex-militante do PRC na década de 80 até se tornar a ministra do ambiente, ideal para os investidores das transnacionais e empreiteiras controladas pelas oligarquias regionais, como os Sarney. Mas afinal, a quem serve o lançamento de Marina à presidência? Serve à oposição conservadora demo-tucana ou aos planos de Lula de aniquilar Serra no primeiro turno, evitando assim uma eleição plebiscitária sobre seu governo em 2010? Como reagiu a chamada oposição de esquerda, PSOL e PSTU, dividida entre a perplexidade e o pânico de simplesmente sumir do mapa eleitoral em 2010?


Sem sombra de dúvidas, a grande maioria das “opiniões e palpites” sobre Marina reforça a tese de uma operação manipulada diretamente pelo governador tucano Serra no sentido de dividir os votos da frente popular. Afinal a figura de Marina estaria identificada com a esquerda e a defesa da ecologia. Além disso, a senadora acreana deixou há pouco o governo balbuciando algumas críticas à política ambientalista de Lula, à qual recusava-se seguir integralmente na dinâmica imposta pelo setor “desenvolvimentista” da ministra Dilma Roussef. Corroborando nesta direção, o PSTU chega a afirmar: “O PV estima obter ao menos 10% dos votos, grande parte do eleitorado de esquerda... Assim, a candidatura é um obstáculo para Dilma e um presente para a oposição de direita” (Opinião Socialista nº385, 20/08/09). Com uma investigação um pouco mais criteriosa, concluiríamos exatamente o inverso do que pensam os morenistas do PSTU. A faixa em torno de 10% do eleitorado mais “politizado” que votaria em Marina já não votou em Lula nas eleições de 2006, esta franja pertence à própria Frente de Esquerda (PSOL e PSTU) ou com a crise deste bloco esgotado por suas proprias contradições, migraria mais facilmente para os tucanos Serra ou mesmo Aécio, pelo discurso anti-Lula. A grande base eleitoral da frente popular já está muito distante das classes médias acomodadas do eixo Rio/São Paulo, onde o PT nas últimas eleições municipais amelhoou um rotundo fracasso político.


 Marina, uma figura frágil, desconhecida da massa proletária e camponesa com seu apelo ecológico e da “auto-sustentabilidade” só pode arranhar a própria base eleitoral tucana de classe média, além de granjear os votos da ex-senadora Heloísa Helena que, diga-se de passagem, já previamente recolheu-se da disputa ao Planalto. Retirando votos de Serra e aniquilando o PSOL, Dilma desponta como grande favorita a fechar a fatura eleitoral logo no primeiro turno com o bônus de que será a própria Marina o carrasco dos tucanos, um excelente ponto de partida para seu novo governo composto por um arco partidário ainda mais amplo que o atual de Lula.
Mas se a candidatura Marina é o próprio tiro no pé do governador paulista, fica evidente que o progenitor desta jogada política encontra-se bem distante do Palácio dos Bandeirantes. Vejamos que o próprio PV, a exceção dos diretórios do Rio e de São Paulo, é controlado majoritariamente pelo próprio Palácio do Planalto. O partido integra o ministério de Lula e no Congresso Nacional segue a orientação da base governista. Não por coincidência, acaba de ser conduzido à liderança do PV na Câmara o baiano Edson Duarte para “azeitar” melhor as reivindicações da bancada junto ao governo Lula. Outro dado interessante é que a própria base militante de Marina no Acre não se desfiliou do PT.



Como já dissemos no início deste artigo, para compreender o alcance da candidatura Marina é necessário ter clareza que o governo da frente popular detém o manche da situação política, a ausência de uma ofensiva popular (cooptação do movimento operário e camponês) e a superação parcial do crash financeiro, leia-se redução do volume de crédito, catapultaram a gestão de Lula a frente do Estado burguês como modelo mundial de estabilidade social. Neste quadro, onde os índices econômicos retornaram a patamares “pré-crise”, ou em muitos casos chegaram mesmo a superarem (como as vendas da indústria automotiva), o governo tem a necessária margem de manobra para ousar enviar um presente de grego às hostes da oposição reacionária, além de retirar das mãos do PSOL a bandeira da “oposição de esquerda”, entregando a um partido bem mais dócil, domesticado e sem nenhuma base social militante como é o PV.



Ameaçada de naufrágio iminente, a Frente de Esquerda reagiu de maneira heterogênea ao lançamento de Marina Silva à presidência. Sua principal expressão pública, Heloísa Helena, hoje amargando um posto de vereadora em Maceió, pouco interessada na sobrevivência coletiva do PSOL, logo se apressou em defender uma nova versão da liliputiana frente popular agora tendo na cabeça de chapa a ex-colega do Senado.



Para Heloísa Helena seria um cenário perfeito: livraria-se do pesado encargo de candidatar-se novamente à presidência e ainda por cima, sem “peso na consciência”, garantiria retomar sua vaga de senadora por Alagoas. Acontece que na política burguesa os acordos costumam fluir por outros meio, ou seja, se o PSOL pode coligar-se tranquilamente com o PV em estados como Alagoas e Rio Grande do Sul, por exemplo, não poderia repetir esta fórmula no Rio e São Paulo onde a coligação dos verdes será com os democratas e tucanos. Se para Heloísa Helena e Luciana Genro a aliança com o PV poderá ser um bom negócio, já para os deputados Ivan Valente e Chico Alencar seria indefensável subir no palanque de Kassab e César Maia. Por este motivo a engenharia política de uma coligação entre PSOL e PV esbarra em obstáculos fisiológicos regionais, muito mais além de qualquer oposição programática entre as duas legendas. De qualquer modo, a corte do PSOL segue tecendo elogios a Marina Silva, tentando colar-se à nova onda burguesa, ainda que nos bastidores do espetáculo eleitoral as frações psolistas já iniciaram entre si uma verdadeira briga de foice no escuro.



Já para o PSTU, que vislumbrara o apocalipse do capitalismo já em 2009... para logicamente tentar eleger algum parlamentar em 2010 na composição com o PSOL, restou a casca do abacaxi! Agora estão órfãos da candidatura de Heloísa Helena, o que forçosamente os obrigaria a relançar Zé Maria caso o PSOL venha a apoiar Marina à presidência da República. Nesta opção, o sonho de um lugar no parlamento estaria natimorto. Como não há mais espaço para sonhos resta aos morenistas o delirius tremens de uma leitura absurda da realidade: “Existe uma crise que começa a se abrir no projeto governista para 2010. A candidatura de Dilma Rousseff começa a manifestar suas fragilidades desde já. Uma série de crises (Sarney, a famosa reunião com Lina Vieira) se soma às incertezas de sempre sobre a evolução da crise econômica em 2010, e agora ao problema Marina. A confiança alardeada da transmissão dos votos de Lula para Dilma já não existe” (A crise do PSOL, Eduardo Almeida Neto, da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista, edição nº 386, 27/08/09).




 Para tentar ocultar uma política de profunda capitulação ao regime burguês e de completo imobilismo a frente da Conlutas, o PSTU ainda insiste em negar o controle das iniciativas políticas pelo campo da frente popular. Não quer enxergar que as fricções interburguesas (crise no Senado, caso Lina) ocorrem em um quadro de ausência de resposta operária diante da ofensiva capitalista.



A estabilidade do governo Lula é produto direto do recuo histórico por que atravessa o movimento de massas. Pateticamente restou ao PSTU a missão de implorar vergonhosamente a Heloísa Helena que pelo menos mantenha sua candidatura nos marcos reformistas de 2006 ou serão vítimas fatais de suas próprias alucinações catastrofistas e de um programa revisionista de apego à institucionalidade parlamentar.