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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

As Fábulas dos "Utópicos" Marx, Engels e Lenine e o "Sensato" Mago Estaline

Para 1845 Marx e Engels já tinham esboçadas as linhas gerais do seu pensamento(118). Na Ideologia Alemã escreveram:

“A massa dos simples operários —da mão de obra excluída em massa do capital ou de qualquer satisfação das suas necessidades, por limitada que seja— e, polo tanto, a perda não puramente temporal deste mesmo trabalho como fonte segura de vida, pressupõe, através da concorrência, o mercado mundial. Polo tanto, o proletariado só pode existir num planohistórico-mundial, o mesmo que o comunismo, a sua acção, só pode chegar a conquistar realidade como existência histórico-universal. Existência histórico-universal dos indivíduos, isto é, existência dos indivíduos directamente vinculada à história universal”.(119)
Pouco depois, em 1847, Engels afirmará em O Catecismo dos Comunistas:
“... a revolução comunista não será uma revolução puramente nacional (...) Será uma revolução mundial, e deverá, por conseqüência, ter um terreno mundial”(120)
Em 1882 os dous revolucionários reiteravam no preâmbulo para a segunda edição russa do Manifesto Comunista o que escreveram em 1845 e 1847: a impossibilidade da realização do socialismo num só país, acrescentado um pouco mais que não deixava de penhorar as suas inteligências, a problemática da construção socialista num país relativamente atrasado:
“Cabe, pois a questão: poderia a comunidade rural russa - forma por certo desnaturada de mais já da primitiva propriedade comum da terra - passar directamente à forma superior de propriedade colectiva, à forma comunista ou, polo contrário, deverá primeiramente passar polo mesmo processo de dissolução que constitui o desenvolvimento histórico de Ocidente?
A única resposta que hoje se pode dar a esta questão é a seguinte: se a revolução russa dá o sinal para uma revolução proletária no Ocidente, de modo que ambas se complementem, a actual propriedade da terra na Rússia poderá servir de ponto de partida para uma evolução comunista”(121)
Para quando Marx e Engels escreveram esse prefácio, o ancião Marx tinha meditado numa importante carta à revolucionária russa Vera Zasúlitch o 8 de Março de 1 881 — e quatro não menos transcendentes folhas de apontamentos - a pedido dela(122) sobre os problemas suscitados por uma revolução num país de relativo atrasamento. No primeiro esboço Marx indica que a Comuna Russa
“está situada num contexto histórico no que a contemporaneidade da produção capitalista fornece-lhe todas as condições para o trabalho cooperativo. Está em disposição de incorporar as conquistas positivas do sistema capitalista, sem ter que lhe pagar o seu duro tributo”(123)
O estudo dum mundo da periferia do capitalismo central não fora um capricho duma mente genial. Tratava de explicar-se e explicar-nos uma articulação essencial para o programa. Que esta deriva fosse produto do impacto que nos jovens russos produzira a leitura de O Capital(124) tanto tem. Em 12 de Outubro de 1 868, escreve-lhe ao seu amigo Kugelmann:
“É uma ironia do destino que os russos, a quem tenho combatido de jeito interrompido desde há 25 anos, não só em alemão, mas também em francês e em inglês, fossem sempre os meus «protectores». Em 1843-44, em Paris os aristocratas russos mimavam-me. O meu escrito contra Proudhom (1847) e, também o editado por Duncker (1858), nenhures acharam maior ressonância que na Rússia, e a primeira nação estrangeira que traduze O Capital, é a Rússia”.(125)
O problema posto ao lume por Marx na carta e borradores à Vera Zasúlitch e os instruções que se tiram dessa tão sobressalente reflexão estabelece: a) que os sistemas históricos não prosseguem de jeito lineal e de forma semelhante em todos os lugares do mundo — matriz de todo o pensamento euro-céntrico do que o Marxismo está tão afastado —; b) que o calvário discorrido polas classes operárias ocidentais não é a antecipação pola que tem de passar todos os povos do mundo e, c) que uma revolução num país atrasado pode ser a chave para a revolução nos mais avançados, mas ùnicamente pode triunfar se essa revolução é aí complementada pola dos países mais desenvolvidos.
Cai de seu que o internacionalismo é um pontal clave no pensamento Marxista sem o que se faz incompreensível, tornando-se uma carantonha ideológica (na acepção etimológica: ciência que trata dos ídolos), justificadora, em troca dum movimento que, analisando o real, se ponha na tarefa de transformá-lo.
Nem um só dos dirigentes do Partido Bolchevique pretendiam, nem sequer o Bukharine ou o Estaline de primeiras, resolverem a complexa equação num só país, e ainda muito menos num país com tanto atrasamento como a Rússia. Em Abril de 1924, no decurso dumas conferências na Universidade Esverdlov que haviam configurar mais tarde Os fundamentos do leninismo, Estaline leccionou:
“Mas, derrubar o Poder da burguesia e instaurar o Poder do proletariado num só país não significa ainda garantir o triunfo completo do socialismo. Fica por resolver a missão principal do socialismo: a organização da producção socialista. Pode-se cumprir esta missão, pode-se lograr o triunfo definitivo do socialismo num só país sem os esforços conjuntos dos proletários duns quantos países avançados? Não, não se pode. Para derrubar a burguesia abundam os esforços dum só país, como indica a história da nossa revolução. Para o triunfo definitivo do socialismo, para a organização da producção socialista, já não chegam os esforços dum só país, sobretudo dum país tão campesino como a Rússia; para isso fazem falta os esforços dos proletários duns quantos países avançados”(126)
O historiador Medvédevestima que “é de supor que Bukharine fizesse notar Estaline a contradição entre esta formulação e as opiniões de Lenine, expressadas claramente nos seus derradeiros escritos dos anos 1915-16”.(127) Trabuca-se Medvédev nisto médio a médio, pois no volume VI das Obras de Estaline aparece: “Mas, derrubar o Poder da burguesia e instaurar o Poder do proletariado num só país não significa ainda o triunfo completo do socialismo”(128) e Ted Grant e Alan Woods avaliam a este respeito: “todas as tendências do Marxismo russo coincidiam numa cousa: a impossibilidade de levarem o cabo a transformação socialista na Rússia sem uma revolução em Occidente”(129)
Não só a teoria do socialismo num só país era um corpo estranho ao Marxismo, embora digno de risada tão só a sua mesma exposição:
“Também K. Rádek, em várias ocasiões, polemizando nos seus discursos com Estaline e Bukharine, chamava às suas afirmações [do socialismo num só país]: a teoria da construcção do socialismo num só «distrito», ou «numa só rua. »”(130)
Mas Estaline virou todo o Marxismo do direito para o revés. Na “carta ao camarada Ermanovski” firma sem qualquer rubor:
“A resposta negativa de Engels à pergunta: «Pode esta revolução produzir-se num só país?», reflete por completo a época do capitalismo pre-monopolista, a época pre-imperialista, na que ainda não existiam condições para o progredimento desigual, em pulos, dos países capitalistas, na que, por conseqüência, não havia premissas para a vitória da revolução proletária num só país (a possibilidade da vitória dessa revolução num só país infere-se, como é sabido, da lei da desigualdade do desenvolvimento dos países capitalistas no imperialismo). A lei da desigualdade do desenvolvimento dos países capitalistas e a tese, enlaçada com ela, da possibilidade da vitória da revolução proletária num só país, foram expostas e puderam ser expostas por Lenine ùnicamente no período do imperialismo.”(131)
Para chegar a tais conclusões tiveram que consumir tantos esforços de compreensão Marx, Engels e Lenine?
Já na roda dos anos quarenta do século XIX, Marx e Engels repararam na unidade dialéctica entre as forças produtivas e as de produção, que rege a produção material na sociedade capitalista. No entanto as forças produtivas mostram o degrau que a humanidade se enfrenta com a natureza, o processo de produção revela o envoltório social dessa produção material.
Com este genial descobrimento pudo fazer-se visível, por vez primeira na história, qual era a mecânica de funcionamento das sociedades em cada espaço físico-temporal, analisarem as razões que empurram para a mudança das estruturas e as prováveis tendências do seu desenvolvimento.
Enquanto é provado històricamente que as forças produtivas são mais dinâmicas que as relações de produção, que em certo modo guardam um carácter mais conservador, quando se tornam um travão para as forças produtivas, tem de serem substituídas por novas relações mais harmônicas com as de produção, que já estão mais adiantadas.
Todo o choque histórico, todas as revoluções, vem determinado, por última instância, pola contradição entre as forças produtivas expansivas com formas sociais envelhecidas.
Não se tratava, já que logo, a mesma Revolução Soviética da mais clara manifestação dessa poderosa contradição na escala universal? A vitória dos operários na Rússia, como moderno estágio do desenvolvimento, não estorvava, por acaso, a auto-expansão do capital no plano planetário? Por acaso não indicava às claras a Revolução de Outubro a súmula das irredutíveis contradições que corroíam a sociedade burguesa toda?
A observação metódica e a análise funda do movimento tinham conduzido aos dous fundadores do socialismo científico à consideração de que só um gigantesco desenvolvimento das forças de produção garantiria a abundância dos meios de consumo e, assim, o próprio comunismo.
“Com esta «enajenação», para expressarmos em termos compreensíveis para os filósofos — escreviam os muito jovens Marx e Engels—só pode acabar-se partindo de duas premissas práticas. Para que se converta num poder «insuportável», isto é, num poder contra o que há que fazer a revolução, é necessário que engendre uma massa da humanidade como absolutamente «desposuída» e, o par disso, em contradição com um mundo de riquezas e de educação, o que pressupõe, em ambos os casos, um grande incremento da força produtiva, um alto grau do seu desenvolvimento; e, por outra parte, este desenvolvimento das forças produtivas (que entranha já, ao mesmo tempo, uma existência empírica dada num plano histórico-universal, e não na existência puramente local dos homens) constitui também uma premissa prática absolutamente necessária, porque sem ela só se generalizaria a escassez e, polo tanto, com a pobreza, começaria de novo, o par, a luita polo indispensável e recair-se-ia necessàriamente em toda a sujidade anterior; e, ademais, porque só este desenvolvimento universal das forças produtivas leva consigo um intercâmbio universal dos homens, em virtude da que, por uma parte o fenômeno da massa «desposuída» produze-se simultàneamente em todos os povos (concorrência geral), fazendo que cada um deles dependa das conmoçoes dos outros e, por último, institue a indivíduos histórico-universais, empiricamente universais, em vez de indivíduos locais (...). O comunismo, empiricamente só se pode dar como acção «coincidente» ou simultânea dos povos dominantes, o que pressupõe o desenvolvimento universal das forças produtivas e o intercâmbio universal que leva aparelhado.”(132)
E de outra, respondendo avant-la-lettre a tese sustentada por Estaline em 1925, os velhos Marx e Engels puderam asseverar em volta de 1845:
“Além disso, não é de necessidade que esta contradição [entre as forças produtivas e a forma de relação], para provocar colisões num país, se torne intenso precisamente nesse mesmo país. A concorrência com países industrialmente mais desenvolvidos, provocada por um maior troco internacional, abunda bem para ocasionar também uma contradição semelhante em países de indústria menos desenvolvida (assim, por exemplo, o proletariado oculto na Alemanha pusera-se de manifesto pola concorrência da indústria inglesa).”(133)
Defronte ao Marxismo, o “socialismo num país isolado” era a reacção derrotista ao acontecimento trágico da desfeita da revolução na Alemanha de 1923 e a ulterior estabilização relativa do capitalismo, ensamblada com a necessidade dos pequenos comerciantes empoleirados, dos lavradores enriquecidos e da burocracia (mistura de antigos funcionários burgueses, comunistas descoroçoados e impudentes e jovens ansiosos de fazer carreira) de calma para os seus bons negócios. Para estas classes e camadas sociais o “socialismo num só país” representava a palavra de ordem que francamente definia os seus objectivos sem respeito algum já polos interesses de classe dos proletários, “traduzia muito exactamente o sentir da burocracia que, ao falar da vitória do socialismo, entendia com isso a sua própria vitória”,(134) tal como a instrução “todo o poder para os sovietes” para o proletariado em 1917. A burocracia e as camadas privilegiadas apresentavam os seus muito particulares interesses, ocultos trás o cortinado dum ideológico interesse geral dos operários e dos campesinos pobres, mascarando a existência desses proveitos. Nessa emergência só podia ter êxito duradouro situando-se ao nível ideológico, porque é a ideologia pequeno-burguesa do socialismo num só país que disfarçava a natureza profunda das relações sociais no Estado dos sovietes.
A pergunta tantas vezes feita, o argumento ao parecer definitivo, é: tinham, então, razão os mencheviques contra Lenine e Trotski a se opor à revolução sob o argumento de que a Rússia ainda não estava preparada para o socialismo? Sem dúvida nenhuma a Rússia de 1917 não estava ainda “preparada”. Até 1924 este era o ponto de mira de absolutamente todos os Marxistas revolucionários, não só de Lenine e Trotski, Rosa Luxemburgo, Radek, Zinoviev, também de... Bukharine e Estaline.(135) A interrogação é trapaceira, pois o processo da revolução mundial há que distingui-lo da construção da sociedade socialista. Rússia certamente não estava preparada, mas sim o mundo. Engels dixera-o em 1875:(136)
“Tem-se alcançado actualmente este ponto... a possibilidade de assegurar cada membro da sociedade, em atenção à produção socializada, uma existência não só suficiente totalmente no material, e tornando dia por dia mais completa, embora uma existência que garante as todas as pessoas o livre desenvolvimento e exercício das suas faculdades físicas e mentais, é uma possibilidade que está agora por vez primeira aqui, mas está”(137)
Se esta possibilidade era certa daquela, razão de mais quarenta anos mais tarde.
As Derrotas Consolidam o Despotismo
Alemanha-1923
O ano 1 923 está assinalado na sorte da IIIª Internacional como decisivo. Com Lenine doente, o choque entre Trotski e a oposição de esquerdas com o resto da direcção do Partido Bolchevique estoura abertamente. É neste mesmo ano que, numa situação revolucionária excepcional, o Partido Comunista da Alemanha (KPD) fracassa no propósito de converter a situação em tomada do poder pola classe operária.
Em Janeiro de 1 923 faz-se a denúncia da Alemanha como a responsável unilateral da Primeira Guerra Mundial e o exército francês preenche o Ruhr alemão em represália por não poder pagar as reparações de guerra. O governo do banqueiro Cuno faz o chamamento para a resistência passiva da população e uma onda favorável às forças da extrema direita abrange a Alemanha de lês a lês. A ocupação origina um degrau de decomposição social sem comparência até o momento em qualquer outra sociedade industrial moderna. A inflação, permitida de consciência pola burguesia, preenche caracteres galgantes: um ovo custa em Fevereiro 300 marcos; à roda do 15 de Julho, 3400; para o 5 de Agosto, 12.000; em 8 de Agosto, 30.000, até chegar a que os comércios e os armazéns incrementem os preços hora por hora... Assim, os salários diminuem primeiro à metade menos e de contado à quarta parte de antes da guerra. O número de desempregados medra a enchente.(138) A quantidade de homens, mulheres e crianças na maior das indigências aumentam diário. Neste candente cenário, a influência do KPD nos sindicatos é cada dia maior e os recrutamentos nas localidades grandes contam por milhares. Um poderoso movimento de conselhos espalha polas mais importantes instalações fabris e aí o KPD é a força mais activa. Formam-se, por iniciativa do KPD, as Centúrias Proletárias e o 1 de Maio desfilam por Berlim mais de 25.000 trabalhadores com bracelete vermelho. O propósito do KPD de formar a partires das Centúrias, órgãos de fronte única frustra-se, embora um número importante de operários do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e independentes se passam a formar parte delas. No mesmo mês explode uma Greve Geral na bacia do Ruhr e a rebelião em Bochum. Erich Wollemberg (Walter) refere na apresentação à “Insurreição armada” (Fevereiro de 1970):
“Com o nome de Walter´ eu era o chefe militar da insurreição de Bochum, insurreição contra o regime capitalista e reaccionário do Governo alemão do chanceler Cuno, assim como contra o imperialismo francês. O C.C. do KPD, reunido em sessão extraordinária em Essem, capital da bacia do Ruhr, (Brandler, presidente do C.C.; Ruth Fisher, chefe da oposição da esquerda), tinha condenado de modo unânime a insurreição e mandado a desarmação dos trabalhadores armados. A insurreição de Bochum conseguira a fraternidade entre os proletários alemães que aclamaram e gritaram: Abaixo Poincaré! Abaixo Stinnes! (na altura Stinnes era o capitalista mais opulento e poderoso da República de Weimar). Em Maio de 1923, desperdiçou-se uma grande oportunidade para a revolução socialista...”(139)
Paralelamente, o nacionalismo de direitas reforça-se duma maneira espectacular. Em volta de Setembro de 1923, o Partido Nacional-Socialista (NSDAP) chefiado por Hitler conta já com 50.000 membros e umas Formações de Assalto (SA) fortemente armadas, ajudadas, protegidas e financiadas polos grandes empresários(140) e oficiais do Exército.
O KPD quer fazer para o 29 de Julho um dia de luita contra o nazismo, mas o Comitê Central cambaleia perante o carácter que se lhe há dar por causa da proibição do Governo. Brandler pede conselho o Comitê Executivo da Internacional e Estaline contesta “se hoje na Alemanha o poder, por dizê-lo de algum modo, caíra e no caso que os comunistas quiseram conquistá-lo, fracassariam com grandes perdas. Isto no ‘melhor’ do caso. No pior seriam destroçados... Em minha opinião tem de enfrear os alemães e não estimulá-los.” A jornada antifascista, resulta por uma grande quantidade de reuniões públicas ao longo e largo do país, dá em resultado um êxito notável. Mas a direção vacila ante os acontecimentos. O 9 de Agosto assisti-se à explosão duma greve geral em Berlim que em três dias obriga a demitir o governo de Cuno. A burguesia, apavorada ante o desenvolvimento dos factos, apóia um governo da social-democracia para estabilizar a situação. Não é menos o apavoramento da direcção do KPD ante a combatividade dos obreiros e em face das probabilidades de formação dum governo de coligação. A revolução na Alemanha entrava na fase decisiva com um Comitê Central desorientado. A direcção do KPD, então, decide trasladar-se a Moscovo para discutir as perspectivas com os máximos dirigentes da Internacional. O plano traçado para a insurreição, para o que o KPD tem de se preparar, tem como ponto clave o apoio ao governo social-democrata de Saxônia sobre a base da frente única com o reforçamento das Centúrias Proletárias e dos Conselhos dos Operários.
A agressão à Saxônia desencadeia uma greve geral que se transforma numa insurreição por toda a Alemanha. Por vez primeira um levantamento obreiro pode ser preparado tecnicamente com antecipação e contar com a inestimável ajuda da União Soviética. Mas, a forma em que vai ser conduzida constitui toda uma antologia de erros em todas as ordens. Dezenas de milhares de militantes abandoam os seus trabalhos para se trasladar às casas que hão ser os quartéis donde se prepare à insurreição. O KPD entra a formar parte do Governo de Saxônia onde participa o Secretário Geral Brandler, mas, quando o Exército da o ultimato ao Governo de Saxônia e prepara a entrada no Land, os social-democratas negam-se a fazer o chamamento à greve geral. O KPD vacila e sem um plano de recâmbio, anula a ordem de insurreição. Contudo, em Hamburgo, os militantes comunistas luitam nas ruas em quanto às fábricas seguem a trabalhar em ritmo lento e a população, ainda que simpatize com os insurrectos, olha passiva.(141)
Clara Zetkin, dirá mais tarde:
“o Partido não centralizou abundo os conselhos das fábricas e, além disso, não os politizou... e esqueceu dirigir a vontade das massas para a guerra civil”, e Trotski amargamente: “... Zinoviev definia nestes termos a significação do que acontecera na Alemanha: «Esperávamos a revolução alemã, mas nom véu (Pravda, 22 de Junho de 1924)». Em realidade, a revolução estava no seu direito de contestar: «Eu si que viera, mas vocês, senhores, chegaram tarde a cita».”(142)
A derrota do proletariado na Alemanha desencadeou uma agre discussão na Internacional, mas jamais um verdadeiro debate sobre os acontecimentos: Zinoviev, Kamenev e Estaline, que luitam já contra Trotski e a incipiente oposição, buscam, como cortina de fume, culpáveis na direcção do KPD. O Executivo da Internacional, intervindo directamente, substitui Brandler(143) do seu cargo de secretário geral por outra direcção de «esquerdas» (Fischer-Maslow).
A burguesia estabilizara a situação na Alemanha e no resto da Europa. A luita do proletariado tinha, também, de se desenvolver num novo cenário.
As Aventuras de 1924-1925
Em Junho de 1924, o par da crise na Alemanha, o governo da Bulgária é derrotado por um golpe da direita. A direcção Koralov-Dimitrov do PCB, tarde e arrasto perante os acontecimentos, firma a sua “neutralidade”, mas decide, convocar um mês antes da derrota do proletariado na Alemanha,(144) uma insurreição ultra-esquerdista em Setembro, que é esmagada com brutalidade.
O V Congresso da Internacional Comunista celebrar-se-á sob a sombra das derrotas na Europa e a crise que se desenvolve no primeiro Estado operário e no Partido Bolchevique, em Junho-Julho de 1924. Desde os primórdios os debates estão emponçonhados pola vontade de Zinoviev de afogar qualquer crítica no Comitê Executivo da Internacional e polos da Troika ZinovievKamenevEstaline na briga contra Trotski e a Oposição de Esquerdas. Produto desta situação começará pôr as bases dum curso esquerdista e sectário trançando com as resoluções que se impuseram no IV, ainda pressente Lenine. Se o IV não só denunciara o perigo do fascismo como inimigo mortal do proletariado, também avisara que era uma força dirigida “contra os mesmos envasamentos da democracia burguesa” e sinalara “uma das tarefas mais importantes dos partidos comunistas é organizar a resistência ao fascismo internacional, colocar-se em cabeça do conjunto do proletariado em luita contra as bandas fascistas e aplicar energicamente neste terreno a táctica de frente única”. O V Congresso, em troca, propõe: “Quanto mais se descompõe a sociedade burguesa e todos os partidos da burguesia, sobretudo a social democracia, tomam um caráter mais ou menos fascista (...) o fascismo e a social democracia são as duas caras dum único instrumento da ditadura do grande capital”.
Uma análise muito superficial dos erros cometidos polo KPD na aplicação da frente única e a tergiversação dos quatro primeiros congressos da Internacional Comunista (os celebrados ainda vivo Lenine) leva a propor uma sectária política de “fronte única pola base”.
A luita contra o «brandlerismo» e o «trotskismo» é a cortina de fumo que necessitam para substituir o melhor das direções dos partidos comunistas, que alinhavam com Trotski e os oposicionistas: Na França, Rosmer e Monatte; na Polônia, Warski, Walecki, Kostrzewa,(145) etc. Uma nova espécie de quadros, acríticos, servis, a maior parte deles sem capacidade autónoma alguma, irão subindo ao poder nos partidos e, assim, inexoràvelmente, trocar-se-á radicalmente o carácter da Internacional que fundara Lenine. A burocrática sombra de Moscovo havia-se mostrar, já a seguir, muito alongada.
Submetidos os partidos comunistas num ilhamento atroz, são conduzidos duma derrota para outra por toda a Europa.
Na Estónia, pequeno país báltico que chegara à sua independência em 1918, mercê à Revolução de Outubro, conhece um ascenso revolucionário de primeira categoria. O Partido Comunista é a orginazação operária de maior influência nos sindicatos obreiros e nas organizações dos pequenos lavradores. A burguesia, em troca, está numa situação de catastrófica crise. Uma bestial repressão contra os trabalhadores dá lugar a um processo monstro em Novembro de 1924 de 149 comunistas e assassínios nas ruas dos líderes operários naturais. O Partido Comunista que, desde o verão vem preparando a insurreição, evita por todos os médios fazer um chamamento à acção para... não dar pistas dos preparativos insurrecionais! Quando a insurreição estale que tão “ciosamente” prepara o partido perante os olhos dos seguidores e das massas (tanto que são ignorantes dela mesmo muitos dos militantes), a aventura acabará com um desapiedado esmagamento dos operários estonianos.(146) Todos os erros serão imputados à velha direcção quando a nova se eleva o poder por indicação da direcção internacional, mas é bem outra a realidade: a luita no seio da «troika» entre Zinoviev e Estaline começara já a se desenvolver, Estaline apoiando-se no aparelho do Partido bolchevique e Zinoviev no da Internacional. Desejoso este último por conseguir uma vitória internacional que faça dobrar o pulso à facção de Estaline, era o responsável direito da insurreição putchista e de afogadilho que ocultara tanto ao Comitê Central bolchevique e o Comitê Executivo da Internacional até.(147)
O Socialismo Num Só País, A Virada Oportunista de 1926-1927, O Comitê Anglo-Russo e a Revolução Chinesa
Em volta de últimos de 1 923 e primeiros de 1 924 as rixas da Troika prosseguiam contra a Oposição de Esquerdas. Trotski em Lições de Outubro, por causa duma avaliação da experiência histórica dos bolcheviques, volta traçar uma análise do fracasso da revolução alemã e dos problemas a encarar no Partido. A obra não só será imediatamente retirada das livrarias, mas proibida. Estaline apressa a definir os «pecados» capitais do trotskismo: α) não ter em conta aos pequenos lavradores como força revolucionária. A revolução permanente seria brincar a tomar o poder saltando por cima do movimento camponês;(148) β) o trotskismo é uma permanente desconfiança ao Partido bolchevique; γ) o trotskismo é desconfiança nos chefes do bolchevismo e um intento de desacreditá-los. Ainda acrescentara que a teoria da revolução permanente é a desesperança permanente. É sob estes argumentos que levanta a teoria do socialismo num só país.
A fórmula pregoada por Estaline satisfaz os velhos funcionários czaristas incrustados na estrutura do Estado proletário, os recém chegados, os jovens ávidos de carreira, os comunistas desmoralizados polas derrotas contínuas do proletariado na Europa que encastelam, a cada volta mais, à Rússia revolucionária. A burocracia, que percebe as pressões das novas capas neptistas, achará a sua perspectiva na construcção do socialismo num país isolado, passo a passo ou ao de tartaruga. Estava-se a produzir uma aliança tácita entre os Kulaks, os homens da NEP e a burocracia.(149) À roda de 1925 esta teoria é a dominante na direcção do Partido e na Internacional e Estaline é o homem ideal, o porta-voz, dessa força. Para a primavera de 1926, mais dos 60% do trigo comercializável está nas mãos dos 6% dos lavradores! A crise desta política, que a oposição denúncia, não há tardar em chegar. No ano 1926 Zinoviev é arredado da direcção da Internacional e dar-se-á uma nova virada. A política no país dos sovietes regida pola adaptação acrítica às pressões das capas sociais criadas pola NEP e a tradução política destas pressões na perspectiva da «construção do socialismo num país isolado terão o seu correlato lógico em acordos de alianças com as forças reformistas ou pequeno-burguesas no plano internacional. Concertadas às costas e contra os interesses da classe operária, estas alianças hão conduzir para novos desastres que, paradoxalmente reforçarão a burocracia. Se durante os anos 1924-1925 o curso ultra-esquerdista estivera grávido de muito duvidosas manobras como a formação da Internacional Camponesa, os anos 1926-1927 esta política oportunista há-se reflectir em dous casos: o Comitê Anglo-Russo e a tragédia da Revolução Chinesa.
O Comitê Anglo-Russo
Formado em 1926 entre os sindicatos soviéticos, aderidos à Internacional Sindical Vermelha (ISV) e os britânicos, que pertenciam à Federação Sindical Internacional (FSI), sob a invocação da luita pola unidade sindical mundial entre a ISV e a FSI. Desde um ponto de vista formal isto era correcto, enquanto respostava ao desejo universal de grande parte dos operários, mas na realidade encobria outros interesses. Os dirigentes das Trade Unions britânicas buscavam aparecer com uma imagem de esquerda perante as radicalizadas massas trabalhadoras num momento de aguda crise social. Desde o ponto de vista dos dirigentes da União Soviética, esta aliança respostava ao interesse de exercer uma pressão sobre o governo burguês da Grã-Bretanha que resultasse favorável para os interesses de Estado da União Soviética. Estaline, em Julho de 1926 argumentava num discurso perante o Pleno conjunto do Comitê Central e a Comissão Central de Controlo:
“A tarefa deste bloco [o Comitê Anglo-Russo] consiste em organizar um vasto movimento da classe operária contra novas guerras imperialistas e, em geral, contra toda intervenção que se dirija contra o nosso país e provenha (mais em particular) duma das grandes potências imperialistas da Europa, e especialmente Inglaterra.”(150)
O Comitê limitou-se tão só às reuniões diplomáticas pola cimeira. A «unidade a qualquer preço», manifestamente oportunista, viu-se às claras quando em Maio de 1926 estoura na Grã-Bretanha uma Greve Geral durante 12 dias (os mineiros estenderam-na até 29). Os dirigentes das Trade Unions traíram os obreiros e conduziram conscientemente uma greve que pudo ser exitosa para uma derrota espectacular. O Comitê Anglo-Russo, com a calada da burocracia soviética, concedeu, de facto, o consenso dos sindicatos soviéticos à criminosa actuação dos dirigentes reformistas da Grã-Bretanha. Trotski, amargamente escreverá:
“a sustentação da coligação amigável com o Conselho Geral e a ajuda dada ao mesmo à greve econômica dos mineiros contra a que este intervinha, pareciam manobras calculadas para que os que se achavam à cabeça das «Trade Unions» pudessem superar, com um mínimo de perdas, as provas mais penosas.”(151)
A Revolução Chinesa
Foi Lenine um dos primeiros em chamar a atenção nas energias revolucionárias da questão colonial e especialmente às concernentes à Ásia. Já em 1908 escrevia um artigo, bem pouco valorado muitas vezes, com o título Material inflamável na política mundial(152) acrescentado ainda por outro em 1913, O espertar da Ásia.(153)
O Partido Comunista Chinês fora criado em 1921 por um pequeno grupo de intelectuais animados por Chen Du Siu quando já daquela existia um poderoso movimento nacionalista de massas cuja organização era o Kuomintang dirigido na altura polo doutor Sum Iat-sen. O representante da Internacional Comunista para a China propõe ao Partido Comunista em 1922 que os militantes agrupados por ele adiram individualmente ao Kuomintang para fazerem um trabalho no seu seio.
As particulares condições nas que se achava a China só podiam ser interpretadas pola lei Marxista do desenvolvimento desigual e combinado. Quando a milenar civilização chinesa entrou em contacto com as nações capitalistas mais adiantas, China afundou. Dominada desde últimos do século XIX polas companhias estrangeiras que colonizaram o país, dominando o comércio, os caminhos de ferro, as inversões industriais, as linhas de navegação, em fim, o tecido fundamental econômico, a burguesia autóctone, que não teve tempo para surgir por transformação natural, pudo consolidar-se tão só como apêndice do imperialismo actuando como intermediária e dependente no mercado internacional. Também ai, como na Rússia dos czares, a burguesia chegara muito tarde já ao cenário capitalista mundial. A sua intervenção não podia ser já revolucionária, no senso que Marx e Engels atributaram às nascentes burguesias da Grã-Bretanha, da França, da Alemanha ou da Itália.(154) As inversões efectuadas iam de preferência para o agro e os representantes desta classe não podiam vertebrar um corpo sólido que fosse quem de encarar uma imposição dos seus métodos às outras classes. Deste jeito a raquítica burguesia chinesa tinha que se sustentar no imperialismo contra a revolução agrária e de libertação nacional.
As similitudes com a Rússia czarista eram evidentes,(155) mas Estaline, Martinov e Bukharine, dirigentes na altura da Internacional Comunista, emitiram opinião que a revolução na China tinha de ser burguesa à má cara. Eis o que Estaline afirmava:
“A primeira peculiaridade consiste em que a revolução chinesa, sendo como é uma revolução democrático-burguesa, é, ao mesmo tempo, uma revolução pola libertação nacional, enfiada contra o domínio do imperialismo estrangeiro na China.”.(156)
Em fim, nada de perspectivas de socialismo para a massa oprimida que a libertasse das garras da sanguinosa burguesia própria e, por conseqüência, do imperialismo. Sob estas premissas, determinaram que houvesse de apoiar sem condições ao partido nacional-burguês e atraí-lo para um pacto de amizade com a URSS. Por isso, Estaline argumenta que
“seria errôneo, camaradas. Seria um crasso erro que os comunistas chineses abandonaram agora o Kuomintang. Toda a marcha da revolução chinesa, o seu carácter, as suas perspectivas sinalam de forma indubitável que os comunistas chineses têm de permanecer no Kuomintang e intensificar o seu trabalho nele.”(157)
E Bukharine:
“O quarto traço da revolução chinesa, no seu estado actual, é que ainda é uma revolução burguesa, o que não significa que a sua força motriz seja a burguesia. A revolução chinesa, na sua fase actual, é uma revolução burguesa democrática, no senso de que, no interior do país, vai dirigida contra as sobrevivências do feudalismo, contra as travas da Idade Média que dificultavam e dificultam o progresso econômico da China. Vai dirigida contra os restos do feudalismo, os grandes governantes militares, que formam um bloco com o imperialismo, forma superior, ao mesmo tempo em que forma da decadência do capitalismo.”(158)
Olha-se então a macabra ironia que no mesmo momento que Trotski era alcunhado de contra-revolucionário e menchevique, nomeava-se Chiang Kai-shek, «membro de honra da Internacional».
Para o Partido Comunista chinês a subordinação ao Kuomintang ressaltou numa sangrenta derrota com milhares de vítimas. Chiang Kai-shek, temeroso dum Partido Comunista em ascensão(159) decide efectuar uma dantesca repressão. Ataca por surpresa aos sindicatos operários, desarma-os e aniquila os seus militantes fuzilando-os, enforcando-os ou queimando-os vivos nas caldeiras das locomotivas. O 12 de Abril inaugura-se um período de horror que não se limita unicamente a Xangai, recorre Ningpo, Fuschou, Amoi, Nanking... Harold Issacs pudo sinalar:
“Cumpriu o prometido com uma crueldade que houvesse agradado ao mais exigente e angustiado dos capitalistas. Levou o cabo, em palavras dum informe inglês «uma limpeza de comunistas tal que nenhum general do Norte tivesse ousado empreendê-la no seu território».”(160)
Durante os meses seguintes dá-se caçada os militantes comunistas, os líderes obreiros e camponeses naturais. O Partido é dizimado e reduzido à clandestinidade. É o fim da primeira revolução chinesa,(161) ou como tem observado Lucien Bianco: “Para o PCC é «a derrota no seio da vitória»”.(162) Os comunistas, nomeadamente Chen Du Siu, e a oposição leninista-bolchevique, tinham já advertido que isso podia acontecer, mas Estaline e Bukharine negam-se a em redondo reconhecer o evidente e obrigam a secção chinesa da Internacional à sublevação ultra-esquerdista heróica e inútil, porém, de Cantão em 11 de Dezembro de 1927.(163) Após três dias de encarniçada resistência, a revolta é esmagada(164) machucando desta maneira, a coluna vertebral do movimento sindical e partidário nas cidades. Há já que esperar a 1949.
Trotski denunciará com irada força:
“Seria uma prova de pedantismo se afirmássemos que, de ter seguido uma linha correcta durante a Revolução de 1925- 927, o PC chinês teria conquistado de golpe o poder.
Mas afirmar que esta possibilidade estava completamente descartada seria fazer um alarde de filisteismo vergonhoso. O movimento de massas dos operários e dos camponeses, ao tempo que a desintegração das classes dominantes, podia permitir a sua realização. A burguesia indígena enviou seu Chiang Kai-shek e Wan Tin-Wei a Moscovo; chamava às portas da Internacional Comunista por meio dos seus Hou Han-Min precisamente porque face às massas revolucionárias sentia-se débil em grau extremo: conhecia esta debilidade e buscava se proteger por adiantado. Os obreiros e os lavradores não teriam seguido à burguesia indígena se nós não os tivéssemos colhido ao laço e tivéssemos feito que a seguissem. Se a política da Internacional Comunista fora correcta uma migalha, o resultado da luita do Partido Comunista pola conquista das massas teria estado decidido antemão: o proletariado chinês teria apoiado os comunistas, e a guerra camponesa teria apoiado ao proletariado revolucionário.
Se desde os primórdios da marcha para o Norte(165)começássemos a estabelecer sovietes nas regiões «libertadas» (e as massas aspiravam a isso com todas as suas forças), teríamos adquirido o basamento necessário e reunido o impulso revolucionário; teríamos concentrado em volta nossa as insurreições agrárias; teríamos criado o nosso exército e descomposto o do inimigo; a pesares da sua juventude, o Partido Comunista chinês tivesse podido madurar sob a direcção juiçosa da Internacional Comunista no curso desses anos excepcionais; tivesse podido chegar ao poder se bem não em toda a China duma só vez, polo menos numa parte considerável do seu território. E, o que é o mais importante de tudo, ter-nos-íamos um partido.
Mas, precisamenteno domínio da direcção deu-se uma cousa absolutamente monstruosa, uma verdadeira catástrofe histórica: a autoridade da União Soviética, do Partido Bolchevique, da Internacional Comunista, serviu inteiramente para apoiar Chiang Kai-chek contra a política própria do Partido Comunista, e posteriormente para apoiar Wan Tin-Wei como dirigente da revolução agrária. Depois de terem espezinhado a base mesma da política leninista e de ter trançado a coluna vertebral do jovem Partido Comunista chinês, o Comitê Executivo da Internacional Comunista determinou de antemão a vitória do kerenskismo chinês sobre o bolchevismo, dos Miliukov chineses sobre os Kerenski, do imperialismo anglo-japonês sobre os Miliukov chineses. Esta é a significação –a única significação- do que tem acontecido na China em 1925-1927.”(166)